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Planeta Eu

03/09/2015

Vestido novo!


Fiquei de voltar para contar como David Adam, o autor do livro “O homem que não conseguia parar” deteve o seu TOC (Transtorno obsessivo compulsivo).

Certo dia, quando estava com sua bebê num balanço percebeu que tinha sangue na perninha dela. Como sua obsessão era relacionada ao medo de contrair AIDS, aquele sangue o deixou apavorado. Para se certificar de que ela não tinha se ferido no balanço ele a colocou e a tirou dali por onze vezes, até ela reclamar. Ele estava tentando entender se havia algo contaminado que a pudesse ter cortado. Era sangue dele na perna dela, que tinha se ferido acidentalmente, mas essa informação não conseguia fazê-lo parar de se certificar. Quando ele voltou a noite com uma lanterna para verificar novamente o balanço, percebeu que tinha que se tratar, senão faria da vida da sua família um inferno.

Procurou terapia, encontrou um grupo, descobriu ali que outras pessoas tinham a mesma obsessão que ele. Certo dia, numa dessas reuniões, ao colocar a mão por baixo do assento da cadeira onde estava sentado, imaginou que poderia ter entrado em contato com sangue contaminado e para isso precisava olhar para suas mãos, mas não fez isso. Avisou o terapeuta que pediu que ele se levantasse e não olhasse. Ele obedeceu, foi em seguida para casa e passou três dias suportando a ansiedade de não verificar se havia sangue em suas unhas, até que ela se atenuasse. Foi terrível, mas ele conseguiu aguentar. Também começou a tomar uma medicação que o ajuda muito, contou para seus pais e irmão que tinha essa doença que escondeu por cerca de vinte anos e assim vai vivendo agora: “este livro e a jornada que ele abarca me provaram que o TOC já não mantém meus pensamentos cativos. Eles estão livres para se dissolver em uma bagunça gloriosa”

Ele fala também, no livro, das crenças disfuncionais que os pacientes de TOC tem. Por exemplo, que é possível contrair AIDS, ao segurar numa maçaneta. Complicado um mundo interno regido por crenças desse tipo. Fiquei pensando nas crenças que não são disfuncionais, que podem parecer razoáveis, como, por exemplo, que se eu não dormir oito horas por dia vou envelhecer mais rapidamente.

Úteis ou inúteis, verdadeiras ou falsas, as crenças são como um motor de barco. Ótimas para nos mover, mas... para qual direção? Tenho reparado nas minhas! Como elas me regem! Invisíveis! Fiz uma lista das minhas crenças e tentei mapear em que supermercado comprei cada uma delas.

Tem umas que minha mãe me deu embrulhadinhas em papel bonito. Tem outras que foram marteladas na minha mente através do medo. A vontade foi culpar a sociedade, os pais, o governo, o cachorro quando percebi que tenho muito menos liberdade do que imaginava em relação ao meu agir e ao meu olhar para a vida. Que quem me governa de verdade é esse conjunto de crenças. Mas, já estou crescidinha o suficiente para me responsabilizar pelo samba que eu danço.

Não tenho TOC, tenho Jany! Vou ver se aguento a ansiedade de não me obedecer com tanta facilidade! Me reinventar um pouquinho a cada dia e assim, quem sabe, um dia deixo de usar o mesmo vestido de crenças que, agora vejo, está um tanto apertado!

Foto: Ligia Vargas


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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