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Planeta Eu

03/12/2014

Vem não, Bicho Papão!


Command Z: duas teclas que, apertadas ao mesmo tempo, permitem que o que foi feito seja apagado e o trabalho, no programa de design gráfico, volte ao estágio anterior. Minha filha contou que quando trabalhava nessa área, várias vezes, durante o dia, se via tentando colocar o Command Z na vida. Exemplo: caia a borracha e a reação dela era apertar as teclas para voltar atrás e portanto anular a queda. Nada mal? Eu queria essa possibilidade na vida. Quem não?

“Se você não vê quando pode, vai ter que ver quando não quer”. Ai, ai... essa frase tem se mostrado tão verdadeira na minha vida. Recebi de herança cotas de uma empresa familiar que sempre foi gerenciada pelos meus irmãos. Apesar de uma terapeuta insistir muito para que eu fosse lá e ficasse ciente de tudo, eu preferi sair da terapeuta insistente, a fazer o que ela dizia. Era uma cegueira que eu preferia ter e agora, quando a empresa está em enormes dificuldades, eu penso que não vi quando podia e agora estou vendo quando preferia não ver.

Se tivesse escolhido olhar, talvez pudesse ter ajudado meus irmãos com mais eficácia ou, ao menos, teria tido a opção de estar na situação conscientemente, em vez de deixar o barco me levar. “Uma vida para ensaiar e outra para viver”. Sem dúvida, esta é ensaio.

“Poupar quando há, quando não há, poupado está!”. Essa frase da Ulabiná, a avó portuguesa do meu marido, também vai nesta linha de enxergar o que há para enxergar: que as coisas estão mudando o tempo todo e que às vezes temos, às vezes não temos. Contar com a maré!

Lembro de olhar para os meus filhos quando se levantavam da cama e dizer: “Você cresceu essa noite!" Nessas horas, fica visível esse movimento constante da vida que faz o que está em cima descer e o que está embaixo subir, o que é novo envelhecer, o que é velho morrer etc. Já na correria do dia a dia não é tão perceptível. Quando os sinais chegam, a gente (eu!) vai tentando esconder de nós mesmos: tinta no cabelo, plástica... o que der para tentar deter. Nada contra, recursos que temos a mão e podemos usar. Pena que eles não sejam realmente eficientes para congelar a vida naqueles momentos em que está tudo bem.

Ontem estive, por acaso, num lugar em que vivia com minha pequena primeira filha, naquele momento mágico e maravilhoso de aprender a ser mãe, e ter o mistério no colo, mamando no peito. Fase linda da juventude que a gente (eu!) não se dá muito conta de estar vivendo, por causa do turbilhão de mudanças que vem junto. Meus olhos se encheram de lágrimas porque agora a filhotinha está grande e longe, numa viagem comprida e minha vida mais sofrida. Que vontade que deu de estar lá no passado... Que o saudosismo não deixe que meus olhos não enxerguem o que há agora de belo, que não me fique contando essa lorota de que era bom se pudesse mudar o feitio do mundo.

Estava escrito nas letras miúdas do contrato. Só um tempo na Terra, curto e rápido, embora possa parecer longo e às vezes estagnado. Um tempo para fazer milhões de escolhas. Um tempo também para algo maravilhoso: reparação! O que der para reparar, vamos lá, arregaçar as mangas e procurar reverter. Falou besteira? Explique que não era bem isso. Descobri que as palavras muitas vezes são fotografias desfocadas do momento. Saem das nossas bocas no impulso e muitas vezes causam danos terríveis que a gente (eu!) não queria causar. Especialmente na família, onde elas, as palavras, costumam ser mais inconsequentes.

Tantos meus “eus” aqui que saíram como “a gente”, que eu prefiro não usar normalmente, porque afinal só posso falar de mim. Acho que ando precisando de companhia para encarar as dificuldades dessa aventura humana! O que mais me assusta no sofrimento é que ele possa levar embora minha capacidade de amar e de se doar. Bom, agora tenho os olhos abertos, estou escolhendo olhar. Sei que quem assusta o amor é o medo. Não vou deixar esse bicho papão me guiar! Basta ir lá fora, olhar o céu, sentir o vento. Lembrar da maravilha que é estar vivo e poder participar dessa aventura incrível.

Na foto, aniversario de dois anos da filhota.


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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