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Planeta Eu

19/08/2015

Ursos brancos


Meia hora na livraria vazia enquanto não chegava a hora do meu compromisso. A frase: “O homem que não conseguia parar” estava escrita onze vezes na capa do livro, e a última em vermelho. Abaixo dela o sub título: “TOC e a história real de uma vida perdida em pensamentos”

Minha compulsão por compra de livros começou a pulsar e por isso comecei a folheá-lo. O autor, David Adam, sabe do que está falando, não como um teórico e sim como alguém que se viu vítima do transtorno, que começou quando um amigo lhe perguntou se ele tinha transado com a moça que tinha encontrado na noite anterior. Ele mentiu, disse que sim. O amigo perguntou: “usou camisinha?” Não, ele respondeu. “Você pode ter pegado aids”, o amigo concluiu. E apesar de não ter tido a mínima chance de ter se contaminado, ele passou a ter o pensamento recorrente de que poderia contrair aids em situações de baixíssimo risco e isso virou um enorme problema em sua vida, um transtorno obsessivo compulsivo. A obsessão era o pensamento e a compulsão todos os pequenos e absurdos atos que ele fazia para evitar a doença.

O fato dele ter se dedicado a entender esse transtorno me deixou muito curiosa e me fez decidir por comprar o livro. Deixei aquele exemplar que eu estivera folheando para pegar o debaixo, para ter o prazer de levar um livro novinho em folha, e fui em direção ao caixa. Bem contaminada pelo clima do livro, apesar de ter lido apenas alguns poucos trechos, me detive por um pensamento: o exemplar que eu deixara na mesa, por ter escolhido o segundo da pilha, iria ficar triste por ter sido preterido. Mesmo percebendo que aquele pensamento estava assim um tanto fora de órbita voltei e desisti do novinho e peguei o desprezado. Novo pensamento: o novinho também iria ficar triste, tinha dado a ele a certeza de que era o escolhido e agora...“Ei! Para com isso”, eu me disse e fui lá pagar.

Esses foram pensamentos invasivos e aprendo no livro que todos nós somos invadidos por alguns deles diariamente. A boa notícia é que a pessoa que sofre deste transtorno, apesar de não conseguir agir de modo a evitar o monopólio destes pensamentos, tem consciência de que eles prejudicam seu hospedeiro. Já os psicóticos não os consideram invasivos e muitas vezes os obedecem.
Leio que o “TOC é o quarto transtorno mental mais comum, atrás apenas do trio depressão, abuso de substâncias e ansiedade”, e que as pessoas vítimas dele demoram muito a procurar ajuda.

O autor explica que a obsessão é quando um assunto ganha uma enorme relevância na nossa tela mental. Mesmo quando pensamos em outras coisas esse assunto fica lá pulsando, sem se deixar levar pelo fluxo que carrega os milhares de pensamentos que temos diariamente. A obsessão sequestra nossa atenção, faz com que nos voltemos demasiadamente para dentro de nós mesmos, drena nossa energia e causa muita frustração.

Daniel Wegner, diretor do laboratório de Controle Mental da Universidade Trinity. no Texas, na década de 80, fez um experimento em que pedia para um grupo pensar em ursos brancos e para outro grupo não pensar. Foi difícil não pensar e quem foi autorizado a pensar, naturalmente pensou em muitos ursos, mas o mais curioso foi que quando se pediu para inverter os comandos, os que tinham sido instruídos, na primeira vez, a não pensar em ursos brancos tiveram suas mentes totalmente invadidas por eles, muito mais do que aqueles que tinham sido autorizados a pensar neles na primeira fase. Ou seja, “é difícil, se não impossível suprimir pensamentos indesejados (...) a tentativa de afastar um pensamento indesejado faz com que ele volte com mais força ainda”

Duas explicações, dois processos mentais: Quando se tenta não pensar no urso branco, a mente fica procurando pensamentos de urso branco para eliminar. E também, com a ordem de não pensar nos ursos, a mente fica procurando algo para se distrair deles, como pensar em alguma outra coisa. O problema é que se estamos nos distraindo, isso significa que estamos nos distraindo do... urso branco!!!

As pessoas que sofrem de TOC são reféns de ursos brancos e desenvolvem maneiras de tentar evitar esses pensamentos invasivos. São os rituais. Lavar várias vezes as mãos. Voltar repetidamente para checar se desligou o gás etc.

Atire a primeira pedra quem nunca teve um pensamento desse tipo, alguma obsessão, quem não é prisioneiro de algum tipo de vício...

Essas foram apenas as primeiras 40 páginas do livro que li até agora. Apenas o início, a exposição do problema. O que foi que ele descobriu? Como foi que ele controlou seu TOC? Sua motivação para se curar? Aqui vai: “Tenho dois filhos que precisam de mim. Não quero que passem pelo mesmo que eu. Não quero que tenham obsessões, que fiquem refém de pensamentos estranhos, que criem um monstro com a mente. E, caso isso aconteça, quero ser capaz de ajuda-los”

Lindo, não é? O foco no bem estar do outro, no caso, os filhos, como motivação para se curar.

Daqui a quinze dias, volto para contar o resto do livro. Se bem que se puder/quiser vale a pena comprar e ler. Histórias incríveis e tudo muito bem explicado!


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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