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Planeta Eu

29/10/2015

Planeta Nós!



Fui com uma amiga fazer vários xerox. O preço estava muito alto. Disse para ela que havia um outro lugar, mais longe, que cobrava bem menos. A diferença era de mais ou menos 600 reais. Ela disse que não iria lá, que faria o serviço com aqueles que são do seu bairro, são seus conhecidos e que tinham explicado porque estavam cobrando mais caro (tiveram que gastar uma grande soma numa máquina) e que não se importava por causa disso ganhar menos quando fosse revender aquele trabalho. Fiquei surpresa com o jeito dela pensar!

Estamos acostumados a procurar o mais barato. O preço baixo é o objetivo de tudo e todos, com exceção daqueles que querem e podem pagar mais para terem coisas exclusivas, que os ajuda a se diferenciarem dos demais, e é símbolo, assim, de poder. O preço baixo que eu, você e a torcida do Corinthians procura tem um custo.

Geralmente, alguém está sendo espremido para isso.

Um homem desistiu de sua carreira de professor da Usp e se mudou com a mulher e filho pequeno para a Amazônia. Lá criou um negócio social - Ouro Verde Amazônia - a partir da castanha do Brasil (conhecida no país como castanha do Pará). Ele descobriu que a comercialização da castanha é uma atividade muito antiga no país, mais ainda que a cadeia produtiva do café, milho, soja, mas, mesmo assim, ela não tinha evoluido a ponto de criar outros produtos interessantes a partir da castanha. O que havia até então era a colheita e a venda para fora do país. O lucro todo da negociação vinha do preço baixissimo que era pago aos trabalhadores nativos da região que a colhiam e viviam em condicões miseráveis.

Eram eles que estavam sendo espremidos. Esse homem chegou para mudar isso, criando produtos atrativos. Ou seja, o que garante o lucro agora é a inovação, a capacidade de criar e comercializar produtos desejáveis por quem pode pagar, e não mais a família humilde que mora na região onde crescem as castanheiras. Para essa mudança de olhar e melhoria da vida de quem está envolvido na atividade se dá o nome de negócio social.

Dentro do universo judaico, ouvi uma vez que se você pretende abrir uma loja de chapéus deve fazer isso numa rua de loja de chapéus. É um bom jeito de olhar para a concorrência como uma aliada e não algo a ser dizimado. Afinal, o concorrente também precisa viver! Como eu, como você. Um amigo tem uma empresa familiar cem por cento brasileira. Ele contou que ultimamente tem perdido muitos negócios porque seus compradores habituais agora falam em mercado global, que os contratos estão sendo decidos em lugares distantes... Distante de quem produz! Da realidade em que vivem essas pessoas. Distante das consequências que suas ações podem ter!

Olhei o mapa da Europa e vi a África ali tão pertinho tão tomada, em vários lugares, pela pobreza. Pensei que meu bairro é assim também, vizinho de regiões onde se mora muito apertado, dependente de transporte público escasso, com muitas grades nas fachadas. Pois é, ilhas de maior qualidade de vida cercadas por outras de má qualidade. Que loteria! Onde te coube nascer? No meio da guerra, da pobreza? No mais refinado bairro de uma cidade próspera? Na floresta virgem? Nos braços de uma catadora de lixo?

Tantos mundos e me parece que só há aquele sob meus olhos. Só há o preço baixo que eu quero pagar. Perceber os fios que unem tudo à tudo. Todos à todos. Olhar um pouco além das aparências. Cuidar do que está em volta.

Ontem, reparei nas faixas de pedestres, que recentemente foram valorizadas por aqui, com multa para quem não as respeitassem, e percebi que estão de novo sendo esquecidas, porque a mídia parou de falar no assunto.
Lembrei que, quando mocinha passei um ano na Inglaterra, ficava surpresa de ver como os carros paravam imediatamente para mim quando estava em frente à faixa. Quando voltei para o Brasil caí de novo naquela sociedade onde não havia, ou era como se não houvesse, faixa de pedestres. Se quando voltei de lá eu tivesse buscado uma maneira de fazer um barulho danado para chamar a atenção para a necessidade e importância das faixas talvez isso estivesse diferente há trinta anos! Não fiz. As faixas continuam em lugares insensatos como nos cruzamentos, eu mesma me esqueço de atravessar nelas... enfim, um ganho em civilidade e cuidado que não temos de fato. Se cada um de nós se empenhasse em mudar algo para melhor... como seria eficiente!

Na verdade, cada vez mais há pessoas fazendo um barulho danado para mudar condições desfavoráveis. Imagine? Negócio social não visa lucro, e sim melhorias socias, e quando acontece é reinvestido para melhorar ainda mais a abrangência do trabalho. Isso não quer dizer que quem trabalha num negócio assim não pode ser bem remunerado. O que significa, na verdade, é que o bom não é ter mais e sim todos terem. Condições de vida dignas, o sol aquecendo e iluminando todos. Um mundo cada vez menos desigual, mais fraterno. Ficar feliz com isso! Muito mais do que ao viajar pelo Caribe! Essa revolução é recente, um tanto silenciosa e vem acontecendo...

Ilustração Anne Courtois


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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