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Planeta Eu

20/01/2014

O Grande Oceano


Minha filha colocou sua mão nos meus ombros e costas e corrigiu minha postura. Um instante antes, uma garota comentou rapidamente sobre meu jeito fofinho de me relacionar com a Gabriela, no momento que ela viu minha interação. Aceitei a mão da minha filha e sua massagem com amor e interagi com a garota com simpatia, em seguida fui para meu quarto ler.

Lendo, de repente, comecei um discurso interno de que é preciso deixar as pessoas em paz com suas posturas erradas e com seu jeito de ser.

É bem disso que se trata o livro, Longe da Árvore, de Andrew Solomon. Ele diz que há um ditado que diz que os frutos caem perto das suas árvores de origem, ou seja, filho de peixe, peixinho é, mas, ele, por exemplo, homossexual e disléxico, filhos de pais heterossexuais, caiu bem longe da árvore da família.

Ele conta no livro sobre várias condições, como autismo, surdez síndrome de Down, nanismo, etc e o desejo de “consertar” que as pessoas envolvidas costumam ter. Aqui vai um exemplo através das palavras de Jim Sinclair, uma pessoa autista: “Quando os pais dizem: “Eu gostaria que meu filho não tivesse autismo”, o que eles realmente estão dizendo é “ Gostaríamos que o filho autista que temos não existisse e tivéssemos em vez dele um filho diferente (não autista).

Leiam isso de novo. Isso é o que ouvimos quando vocês lamentam por nossa existência. Isso é o que ouvimos quando vocês rezam por uma cura. Isso é o que entendemos quando nos falam de suas mais caras esperanças e sonhos para nós: que o maior desejo de vocês é que um dia deixemos de existir e estranhos que vocês possam amar entrem atrás de nossos rostos”

Voltando para o discurso interno e generalista (“as pessoas”) que eu estava fazendo, logo saquei que estava com raiva da minha filha achar minha postura ruim e também da observação da garota. Meu discurso sobre deixar as pessoas em paz com seu jeito de ser era uma defesa. Ando percebendo quando começo a me defender.

Tenho uma amiga que é excelente para perceber as incoerências, os defeitos, as más posturas, os acordos inconscientes, os padrões das pessoas. Quando ela fala comigo sobre pessoas que conhecemos, é uma “fofoca” interessante. Quando ela fala de mim, para mim, logo percebo, estou me justificando, me defendendo, e geralmente não consigo parar.

Claro que há defesa, é porque me sinto atacada. Pela minha amiga e seu olhar afiado, e claro, desagradável? Não! Atacada pelo que há de verdade no que ela diz. Ai, “não bom” quando me são reveladas partes que não gosto em mim. É para isso que quero olhar agora.

O que estou protegendo? O desejo de não ter má postura? Minha aversão por má postura? Bem dizem os Budistas que o problema é o apego/ aversão! Que é o que causa sofrimento.

A garota disse que eu agia como fofinha. O que eu quero defender nesse caso? O que eu preferia que ninguém soubesse? Que eu sou a fofinha que construí, para amenizar a possibilidade de não ser gostada? Não queria ser fofinha. Queria ser bonita, interessante... É a crença de que não sou nada disso que quero esconder/proteger para não ser despida?

Ganhei um abraço da minha filha depois que suas mãos leves revelaram minha má postura, que, mesmo sabendo que tenho, imagino que magicamente não está lá, e que se está, vai sumir com o trabalho corporal que vou fazer todos os dias, a partir da próxima mítica segunda feira da boa intenção.

É embaraçoso se defender, é como tentar esconder um elefante atrás de mim. Pode até ser que o elefante não esteja tão visível, afinal venho me aprimorando em escondê-lo, mas, pior, fica visível de qualquer maneira meus gestos estabanados, tentando fazê-lo sumir...

Dias depois li Osho, ao acaso, e ele dava uma “receita” . Aqui vai: quando temos uma emoção aflitiva (medo, raiva, etc) costumamos dizer: Eu estou com raiva. Ele propõe: Seja a raiva. Seja aquilo que você observa, nas palavras de Krishnamurti. Ele diz também que as emoções gostosas, como alegria, contentamento, trazem energia, pique. As outras roubam energia, porque ficamos divididos quando estamos sentindo as emoções aflitivas, por não querer senti-las.

Ando fazendo isso. É muito eficiente. Por exemplo, boiando na água pensei que parecia que estava voando e me lembrei do Osho: “seja o voo”. Abri os olhos e sobre mim urubus voavam lá bem no alto , e bem mais perto de mim, passou voando uma libélula e depois outra. Eu fui o voo.

Fiz isso com a raiva, com tudo que senti. Bastava falar: eu sou a emoção que ela logo voava, sumia, desintegrava, voltava ao grande espaço de onde talvez as emoções venham. Um grande oceano, onde bebem delas, os humanos, geração após geração.


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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