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19/12/2019

No Baile com Hitler


Há um Hitler morando dentro de você? Em mim há! Ele aparece quando vou arrumar a cozinha, às vezes no trânsito. Ele ama a guerra, quer mandar uma parte da população para o forno, acredita que sou melhor e mereço mais! Um amor!!

Outro dia, meu Hitler baixou novamente quando olhei para o prato sujo largado ali na mesa e pensei no que eu ia dizer para o infrator. Encontrei uma frase perfeita, aquela facada certeira, que finalmente ia fazê-lo entender, de uma vez por todas, o quanto ele era bagunceiro, sujo, incoerente... e outras cositas mais que é melhor não repetir.

No meio daquele sadismo feliz me veio um raio de lucidez em forma de pensamento: por que o jeito que eu quero tem que prevalecer?

Faço questão do prato limpo e ele quer sujo. Os quereres não estão empatados? As meias sujas no chão e não no cesto. Por que o cesto tem que prevalecer? Por que ele precisa fazer o que eu quero? Porque o meu querer é o correto?

Ele já faz o que quer! É a realidade, e eu não preciso – nem tenho o direito – de querer que ele aja como eu acho certo!

Que liberdade! Não precisar mais interferir no que ele deve fazer! Que fique o prato sujo até que ele seja comido por todos os ratos e baratas do mundo ou o infrator lave! Problema dele!!

E assim ficou o prato e tem ficado assim as cascas de banana largadas ao lado da fruteira, as manchas de café junto ao coador sujo e por aí vai.

E não é que, passa um tempo, a ordem se restabelece? O suposto infrator, ao que parece, em algum momento, acredita que o prato deve ser lavado, etc... Não no meu tempo, mas tem acontecido. 

E o melhor! Comecei a deixar também as coisas bagunçadas até quando decido arrumar. Por que não? Percebi que o Hitler pegava no meu pé também, e muito!! Já que eu apontava os erros precisava então ser coerente. Fazer tudo direitinho.

Que liberdade interna comecei a sentir!

Ainda gosto muito do antigo provérbio tibetano (brincadeira): usou, lavou, guardou! A limpeza e a ordem tornam o lugar sagrado, mas, de novo, eu quero assim, se o outro não quer porque o meu querer tem que prevalecer?

Outro exemplo: Um rapaz chamado Alex Magalhães postou um vídeo de um garoto da idade dele dançando super livre, rebolando, e ao lado um senhor velhinho também na mesma vibe e escreveu:

"Seria um sonho minha mãe dançando comigo ao invés de ficar de longe fazendo cara feia e me condenando ao inferno. Esse paizinho aí prova que idade e região nada tem a ver com preconceito."

Partindo dessa lucidez, que calou meu Hitler, escrevi pra ele:

"Tenho pensado assim: meu jeito, meu desejo, não precisa prevalecer. Tipo: Você dança, sua mãe olha com reprovação. Nem ela precisa levar tão a sério sua dança a ponto de achar que precisa reprovar e nem você levar tão a sério a opinião e olhar dela. Ambos têm o direito de existir do jeito que são. Ninguém está mais certo ou mais errado... é um belo teatro que vocês estão fazendo juntos: você dança, ela reprova. Ela queria você ao lado dela e você quer ela ao seu lado. E ambos estão!! Cada um do seu jeito respirando o mesmo ar. Vivos! Vida linda!"

Fala se a lucidez não me deu um beijo na boca!!

Ok, vamos ver o seu lado: você não quer morar num ambiente sujo? Então lave. Não é justo? E é justo você querer que o outro encene seu teatro? Que ele faça o cenário que você quer para sua vida? Adianta você querer? E se ele decidir que você não deve usar roupa curta porque ele segue algum outro ditado tibetano ou um ditado machista qualquer?

Ah, então não dá para morar junto? Não vai abrir mão de uma cozinha decente? Claro você tem todo o direito de pensar assim e eu também pensava: quer casar comigo? Eu ronco! Às vezes você vai encontrar meu Hitler no banheiro também.

Uma amiga me disse: quando eu parar de falar é porque não me importo mais e a convivência vai perder o sentido.

Sim, isso pode mesmo acontecer. Mas não deixe de falar, de dizer o que é importante para vc. Dê a opção do outro escolher se ele quer colaborar, se ele quer mudar seu jeito para que você não vá procurar alguém mais organizado. Diálogo, não guerra, falando de você, não dele, porque senão habitualmente a surdez se instaura. Partindo do ponto que nenhum querer tem que prevalecer sobre o outro.

Juro, é mágico!

Passar o dia olhando seu Hitler aparecer achando que tem uma raça superior que sabe o que é o melhor, vendo as estratégias belicosas que ele cria, os pensamentos horríveis que ele tem, as ofensas que diz.

E não levar a sério. São só pensamentos e sentimentos que estão voando pelo ar, comum a todos, nada originais. Não dê bola para eles, não se recrimine por eles e principalmente – meu Deus! – não julgue que eles são a verdade!!

E se encontrar alguém mais limpinho e organizado dê uma piscadinha. Quem sabe ele também tem uma mulher bagunceira e está louco para viver na ordem? Mas é bom dar pra ele preencher um questionário abrangente antes de tomar alguma decisão. Vai que ele é ótimo na organização, mas acha que os cachorros tem que ser chutados...

Enfim, toda panelinha tem uma tampinha... se a vida for brincar de encaixar. Se a vida for mais então chame seu Hitler para dançar e viva o Baile!

Se apresse, o relógio vai dar as doze badaladas inevitavelmente e a Cinderela vai voltar pra casa... Enjoy the party!


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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