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Planeta Eu

30/09/2014

Meu reino por este Reino!


“Ah minha criatura admirável... seja bem vinda. Entre, entre... Estou esperando por você... é, por você e pelo seu espírito! Fico feliz que tenha encontrado o caminho... Venha, sente-se comigo um pouco. Pronto, vamos fazer uma pausa, deixando de lado todos nossos “inúmeros afazeres”. Haverá tempo suficiente para todos eles mais tarde. Em um dia distante quando chegarmos às portas do paraíso, posso lhe garantir que ninguém vai nos perguntar se limpamos bem as rachaduras na calçada. O que é mais provável é que no portal do paraíso queiram saber com que intensidade escolhemos viver, não por “quantas ninharias de grande importância” nos deixamos dominar. Por isso vamos permitir apenas que o pensamento tranquilo nos abençoe por um tempo antes que voltemos a falar sobre o velho realejo do mundo (...) preparei a lareira perfeita para nós (...) um momentinho só enquanto termino de lavar a mesa com menta fresca. Pronto, vamos usar a louça bonita (...) Talvez você tenha vindo à minha porta por estar interessada em viver de um modo que a abençoe com a perspectiva de, como eu digo, “ser jovem enquanto velha e velha enquanto jovem” – o que significa estar plena de um belo conjunto de paradoxos mantidos em perfeito equilíbrio”

Entrei nesta casinha no meio da floresta, sentei com essa velha jovem bruxa fada e contei a ela todos os meus medos, minhas perplexidades. O fogo nos aquecia, o chá de hortelã na xícara perfeita me deliciava. Ela me disse que esse mundo não existe de verdade, é um sonho, como os sonhos noturnos, e é fabricado pela perspectiva que minha mente tem da realidade e dos fatos. Quis argumentar que não, ele, o mundo, existe sim, e ela me sorriu enigmática.

Contei para ela que vejo tanto caos... um menino morreu misteriosamente na festa que minha filha estava. Um pai com suas filhas foi sequestrado enquanto ele aguardava sua esposa no carro, que os impostos estão muito altos e temos um posto de saúde minúsculo e mal equipado por aqui. E é assim por todo lado. A corrupção corre nas veias de muitas das atividades. Existe uma divisão em castas disfarçada. Roupas que valem cinco vezes o salário mensal do segurança que protege a loja onde ela é vendida. Empregos maçantes e mal pagos nos playgrounds de quem tem muito dinheiro. Escolas mandando embora seus alunos considerados complicados. Mortes trágicas, ódios em tantas casas... Seu rosto, enquanto eu falava, era um espelho das minhas aflições. Quando terminei, ela me pediu para beber mais um gole e respirar.

Não respirei e continuei dizendo que resolvi acreditar que aqui é mesmo uma escola, onde todos os maus alunos vem para fazer recuperação. Que só pensando assim posso entender alguma coisa, inclusive a mim e minhas grandes pisadas na sra bolinha: minha mesquinhez, meus escondidos etc...

Aí falei de Shambhala, um reino mítico, oculto, mencionado em várias tradições, como a do budismo tibetano, que teria, talvez, uma localização geográfica na Cordilheira do Himalaia ou no deserto de Gobi, perto da Sibéria. Descobri que Shambhala significa em sânscrito "um lugar de paz, felicidade, tranquilidade", e acredita-se que seus habitantes sejam todos iluminados. Segundo a tradição Tantra, quando o Bem tiver desaparecido da Terra, o 25º Rei de Shambhala aparecerá para combater o Mal e introduzir o mundo em uma nova Idade de Ouro.”

Perguntei então aflita: “Será que o Bem está prestes a desaparecer?” Ela sorriu e me pediu para fechar os olhos. Fechei e, no escuro da mente, vi meu amigo Javier colocando a mão nos seus pequenos pacientes no hospital e também minha amiga Pituca, a doutora que dirige uma UTI infantil, vi Sandra doando seu dinheiro para a Santa Casa, o Paulo empurrando as cadeiras de rodas e fazendo rir a meninada do Cotolengo. Vi a Oca, São Joaquim, Cepae, Nuepo, Guaçaton, Instituto Cisne, Acorde que são apenas algumas das muitas ongs aqui da região. Vi as pessoas que trabalham no negócio da minha amiga prosperando. Vi minha filha feliz por ter podido cuidar de uma garota que que bebeu demais numa festa. Pois é, o 25º Rei de Shambhala vai ter que esperar um pouco mais para vir.

Abri os olhos e ela me estendeu sua mão. Ao tocá-la, acordei aqui em frente ao meu computador. O livro, a Ciranda das Mulheres Sábias, de Clarissa Pinkola Estés, aberto na minha frente. Foi dele que tirei todo o grande parágrafo inicial. Copiei aqui porque amo esse lugar, essa casa na floresta com essa senhora sábia a nos receber. Todos nós precisamos, acredito, chegar num lugar assim para levar nossa perplexidade e sofrimento e ser acolhidos com uma xícara de chá.

Shambhala é também considerado um lugar muito virtuoso que existiu, e por terem todas as pessoas que viviam lá se iluminado, ele, inteiro, ascendeu a uma dimensão invisível para nós. Estamos longe disso, mas como possibilidade isso é possível. Por que não?

Optar por cuidar e não destruir. Prestar atenção nas consequências do que se diz e faz. A tal simples Regra de Ouro cuja origem é incerta de tão antiga: “Não fazer aos outros o que não quer que façam a si mesmo” ou numa fala de Jesus no Novo Testamento (Mateus 7:12): “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhe façam...”. Não é? Quite simple! Todos os dias, milhões de oportunidades para esse exercício. Treinar, treinar para acertar essa caligrafia!

Foto de Ligia Vargas: quem sabe é ali que fica a casa acolhedora...


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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