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Planeta Eu

31/03/2014

Marchar e bailar!


Olhando na televisão uma marcha militar do exército de Hitler, fiquei prestando atenção na coreografia que aqueles homens faziam, todos iguais. Pensei que na dança circular também fazemos todos os mesmos movimentos.

Comparando um e outro, logo as diferenças saltaram à vista: os soldados estavam enfileirados, olhando um para a nuca do outro (também como em quase todas as salas de aula nas escolas). Na roda da dança, por ser um círculo, todo mundo tem a possibilidade de olhar para todos. Pressupõe igualdade.

Apesar dos passos também serem os mesmos, cada um dança do seu jeito. As particularidades fazem parte. Não tem um uniforme que uniformiza (como em muitas escolas).Não há na roda o objetivo de ser perfeito, como no desfile militar.

Na dança, se há alguma hierarquia, ela vem pelo fato do professor ser aquele que ensina, que focaliza, como se costuma dizer. Ele está ali para possibilitar que todos dancem juntos, ele inclusive. Não há nenhuma pessoa acima, num posto mais importante, não há uma instituição da dança circular. É apenas um movimento que existe graças a ação de cada pessoa que faz uma roda girar. Portanto ninguém é mais que ninguém. As pessoas escolhem fazer parte ou não das muitas rodas que existem.

São danças folclóricas, ou seja, danças dançadas desde sempre pelos povos em suas vilas. Gregos, turcos, búlgaros, portugueses, brasileiros etc. Existem também as coreografias criadas atualmente, por qualquer pessoa que se acredite capaz. Gosto de que na dança circular as pessoas se dão as mãos para fazer o círculo. Suponho que criam assim um campo. Tenho uma roda semanal e no meio dela, nesse campo, as crianças gostam de entrar, deitar.

Gosto da roda porque ela mistura todas as idades e aceita todos, mesmo que eu possa ficar ao lado de alguém que não esteja gostando da minha presença e eu perceba. Tanto eu, como ela, podemos mudar de lugar. A roda é feita de pessoas e ao mesmo tempo é uma coisa só. As pessoas mudam, a roda continua. Na verdade ela só existe quando as pessoas se colocam em círculo, se dão as mãos e dançam.

Não se costuma conversar quando se dança, afinal tem uns pés ali para tomar conta, acertar os passos, ouvir a música, por isso eu, ao menos, não tenho como não estar comigo, percebendo o que estou sentindo, pensando. No início tinha altos grilos com os grupos em que dançava: “estou suando nas mãos?...essa pessoa não quer ficar do meu lado?...ela acha que eu erro demais?...essa é chata, aquela fala muito... Essa é quieta, então não gosta de mim...” Enfim, a roda deixa brotar aquilo que está dentro, assim como na meditação. Ela também devolve a agilidade que tínhamos quando crianças porque ali podemos reaprender a ter um corpo que é capaz de se mexer de formas variadas.

Por que escrevo isso? Acho que é a dança que me escreve, que me faz girar na roda, que me leva a ensiná-la, assim como é a vida que me faz viver. Para quê? Não sei, só agradeço. Prefiro a roda do que o desfile militar para se estar. Prefiro meus pés descalços do que com botas. Deve haver muitos que preferem o contrário, claro. Seria interessante ouvir alguém que é apaixonado pelas botas e pelas coreografias militares contar da sua experiência. Pode ser um relato que mostre beleza, significados. Tudo é válido, para mim, desde que não seja imposto.

Outro dia, observando de fora uma roda agindo em uníssono vi tanto vigor e por isso tirei uma foto. Ao vê-la depois percebi que eram apenas pessoas dançando, não estava ali, revelado na foto, aquele vigor que tinha visto. Foi aí que entendi bem a questão da tão falada energia que a roda produz e que não é fácil de captar numa foto. Se cada um de nós é uma célula desse organismo chamado Vida na Terra, a energia que a célula roda produz deve contribuir de modo positivo para o bem estar da nação! I hope muito so!

Foto Ligia Vargas


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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