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Planeta Eu

09/05/2012

Descalça, às vezes...


Os pensamentos são viajantes dentro da minha mente. Eles vêm e vão. Um deles, outro dia, me disse que eu, humana, sou condenada à existência. Eu e minha turma: esses milhões que vivem comigo aqui e agora. Sou condenada à coçar a cabeça exatamente já, cuidar dos meus dentes, ir ao banheiro, me alimentar, arrumar dinheiro para dar conta das contas.

Pensei que nem o suicídio é uma fuga desta condenação porque é bem possível que apenas mudemos de andar ao morrer. A condenação então continua.

Em outros tempos se ouvia: “Não pedi para nascer”. Hoje a fala é outra e diz que sim, pedimos, e que até escolhemos nossos pais e nosso enredo para viver e que aqui é uma escola que tem a intenção de fazer com que evoluamos.

Condenada a ser aluna e professora então. Quem é o patrão? Dizem que somos co-criadores, por isso sou também a patroa.

Hipóteses! Não me lembro de ter assinado nenhum contrato, nem me matriculado em nenhuma escola, mas, a bem da verdade, não me lembro também do que escolhi comer ontem no café da manhã.

Ao dar carona a uma planta outro dia... Melhor colocar de outra forma antes que alguém traga a camisa de força: Ao trazer outro dia no banco da frente uma planta tive ímpeto de pegar na “mão” dela. Viemos as duas assim então em sintonia. Ela tão vigorosa e os pensamentos viajantes me fizeram acreditar que ela me contava que era uma espécie de alienígena que vive aqui na Terra compondo conosco o cenário para propiciar aquilo que chamamos de vida.

Com este olhar, ao descer do carro, vi maravilhada que belo e engenhoso lugar nos foi dado para viver. Os caras do planejamento da nossa escola ou prisão tem um bom gosto impressionante. Já não dá para dizer sem reservas o mesmo de nós, co-
criadores... Fiquei pensando na qualidade dos lugares concretos, nas condições e paisagens emocionais que crio para mim e para quem vive ao meu lado...

Estive na Virada Cultural em São Paulo. Éramos ali milhares de pessoas juntas.

Tantos pés condenados a usarem sapatos! Quase podia ouvir as histórias dentro de cada um. Não diferiam muito entre si. Falavam de medos, alegrias, doenças, zangas, amores. É, somos muitos e viemos em levas lá de não sei onde, lá daqui mesmo.

Bom, agora pegue esses meus pensamentos andarilhos que levam a uma sensação de sermos descartáveis por sermos tantos, por sermos feitos em série, tão iguais e condenados a existir e misture tudo. Coloque por cima uma pitada de leveza e duas de maravilhamento.

Leveza porque se há tantos como eu porque vou dar tanta importância para meus dramas? Deixa eu tirar essa mochila das costas! Como alguém me disse: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.

Escrevo isso e me lembro que meus olhos marejaram esta manhã quando me senti inadequada e que minha barriga esfriou quando entrei em contato com algo que não esperava. Fácil falar em não viver a mercê dos meus dramas, mas eles me pegam
pelos cabelos. Então que parte da aventura seja essa: conhecer essa mocinha véinha que abriu os olhos um dia e se viu bem aqui!

As duas pitadas de maravilhamento são porque a Terra é linda habitando a imensidão, aquecida pelo Sol, e porque há Mistério que não se deixa aprisionar pelos meus pensamentos mochileiros.

Na receita, por cima de tudo, coloco reverência pela beleza da criação humana na música, nas ideias, nos atos de amor e compaixão, na solidariedade, na busca por significado, entendimento...

Verdade, os dentes doem às vezes, as contas ficam bravas quando não são pagas, mas eu agradeço pela oportunidade de estar aqui e encontrar, por exemplo, uma frase como essa: “Não pergunte o que o mundo precisa. Pergunte o que te faz se
sentir vivo porque o que o mundo precisa é de pessoas que se sintam vivas!”.

Essa frase foi dita por um jovem indiano, Premal Shah, presidente de uma organização que intermedia empréstimos solidários por e para pessoas em qualquer lugar do mundo com a intenção de viabilizar vidas economicamente ativas e, portanto dignas. Ele é um empreendedor social, alguém empenhado em tornar nossa escola, nossa prisão, o nome que se quiser dar, um lugar mais justo.

Me sinto viva ao escrever e fico muito grata por estar aqui com você que me acompanhou até aqui! A propósito: O que te faz sentir viva? Vivo?

Crédito da foto: Julia Vargas (com Moa Samea)


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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