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Planeta Eu

11/02/2016

Belo ou vil metal?


Preciso de dinheiro para pagar minhas contas. Uma delas é o IPTU. Descobri que minha casa não é minha tanto assim, pois se não pago o imposto, posso perdê-la. Como faço para ter esse dinheiro? Ele terá que sair de alguma carteira. E não é pouco! Todo ano o IPTU aumenta.

Arrumo um emprego? Ou seja, me torno necessária, faço algo que alguém precisa para que ele abra sua carteira e me dê o dinheiro. Outro jeito interessante é fazer uma mercadoria que os outros queiram e que dessa maneira, assim motivados, eles também abram suas carteiras para comprar esse objeto.

Brinco essa brincadeira do dinheiro há muito tempo, mas nunca tinha olhado para essa dinâmica dessa maneira quase infantil que estou fazendo aqui. Por exemplo, quando recentemente o dinheiro começou a faltar para mim fiquei pensando como pagaria o IPTU, como faria para que as carteiras se abrissem e me senti muito mal: “Não quero tirar nada de ninguém!”, pensei. Depois refleti sobre como o dinheiro teria ido parar dentro das carteiras que eu queria que se abrissem. Claro, veio de outras carteiras! Talvez até da minha ! Ou seja, vi que o dinheiro é a parte visível de um fluxo.

Entendi a beleza do comércio: precisamos sobreviver. Vamos então trocar usando o dinheiro como facilitador dessa troca? Simples assim na essência! Na prática, muitos complicadores!

Quando em outros tempos o dinheiro vinha com facilidade para mim através de rendas, eu constantemente queria pagar coisas para as pessoas. Não percebia que eu as estava ofendendo com minha suposta generosidade, dizendo assim que elas estavam incapazes para esse jogo que eu não precisava jogar. Na verdade, muitas vezes estavam mesmo: trabalhavam em atividades que não forneciam o tanto de dinheiro que elas precisavam para fazer frente às suas despesas.

Quando alguém se dispõe a criar uma estrutura (fábrica, loja, restaurante etc) que lhe forneça dinheiro o objetivo óbvio é ter lucro. Para isso é preciso fazer uma boa equação de despesa e entrada de dinheiro e para isso, o que se paga para o empregado não pode ser baseado na necessidade dele e sim nesta intenção de conseguir lucro. O preço baixo almejado por todos nós é um laço que aperta todos os envolvidos na equação.

Se vou fazer uma mercadoria para trocar, como convencer as pessoas de que elas precisam daquilo, se não for comida e roupa? Mesmo sendo esses artigos chamados de primeira necessidade, como vou fazer para preferirem o meu e não o do outro? Aí entra a divulgação, a propaganda. Não é a toa que são tão caros esses serviços. Eles criam a mágica de convencer. E convencem: tomamos cerveja e coca cola numa quantidade impressionante!

Quando a meninada chega na época de escolher uma profissão, o que vão levar em conta? A necessidade do mercado? Era essa a opção do meu pai quando reprovou minha escolha por um curso de comunicação e desejava que meus irmãos fizessem direito e engenharia.

Em nossa época somos incentivados a acreditar no sonho e dizemos: “escolha uma profissão que te faça feliz”. Será que ficarão felizes se não houver mercado para o que farão? No entanto, que mercado é esse? No tempo do meu pai, entretenimento não parecia um bom negócio e agora movimenta milhões!

Estava pensando no ladrão. Ele não acha que tem algo para trocar, nem um objeto que possa criar, nem uma aptidão. Ou ele acha que o que pagam pelo que ele tem ou possa fazer não é suficiente para o que ele quer consumir: carro, celular, o tênis da propaganda, por exemplo. Ele não participa do jogo do comércio, ele não espera que lhe deem dinheiro em troca do que ele der também. Ele vai lá e tira. Coloca a mão na nossa carteira e rouba, furta. Invade a casa e nos obriga a dar. Para isso ele não usa as armas persuasivas da propaganda, ele usa uma arma de verdade, construída pela indústria, e aponta para nossa cabeça. Ele nos convence a abrir a carteira desse jeito.

Como explicar para um menino pequeno que alguns tem tanto e muitos outros tem tão pouco? Como explicar a disparidade de uma casa luxuosa versus um barraco? Será que o economês, esse idioma difícil de entender, dá conta de explicar?

A Thereza, uma amiga, está apaixonada pela ideia da troca, que ressignifica objetos que ficam encostados nas casas e colabora para intensificar os laços entre as pessoas das comunidades, e também pelo conceito de moeda local. Ela, com suas amigas, criaram aqui na Granja um Mercado de Trocas onde circula um dinheiro criado para isso, o Tavares. A ideia é que com o tempo esse dinheiro extrapole o Mercado de Trocas e seja usado no comércio do bairro junto ao Real. Essa é uma iniciativa que já acontece em muitos lugares do mundo. Um deles é o Conjunto Palmeiras, um bairro da periferia de Fortaleza, que foi criado na década de setenta, quando as obras de remodelação do beira mar da cidade e a especulação imobiliária forçaram as comunidades de pescadores e habitantes locais a se mudar. Quando os barracos em que viviam no novo e inóspito bairro ganharam status de moradia legalizada, começaram a ser vendidos porque os moradores não conseguiam pagar as contas de luz e água que começaram a chegar. Eles então, unidos numa Associação, começaram a pensar como o dinheiro entrava na comunidade, usando a imagem de um balde: através dos trabalhadores, aposentados, pedintes. Quais eram os furos no balde que faziam o dinheiro sair? Um deles, por exemplo, eram os produtos de limpeza. Resolveram então que a comunidade produziria esses e outros produtos que a população precisava. Junto com a moeda local criaram em 1998 o Banco Palmas, que oferece micro crédito para as pessoas poderem fazer seus negócios e participar assim da brincadeira humana chamada comércio.!

Pois é! Alternativas à confusão que criamos onde o dinheiro é um cobertor pequeno que se puxa daqui falta ali. Criação de territórios mais fraternos onde a acumulação não é valorizada e sim a distribuição de oportunidades. Viva os Palmas, os Tavares e todas as iniciativas interessadas no ganha-ganha, que é quando todas as partes envolvidas se beneficiam! Maravilha participar da alquimia que transforma o dinheiro de vil em belo!

Foto: William Melo


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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