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Mulher & Cia

13/08/2020

#disque100 pela criança


O abuso sexual da criança e do adolescente está mais próximo do que imaginamos.

Em meados do ano passado, adentra a porta da Secretaria da Mulher uma senhora bem apresentável e dotada de uma posição socioeconômica bastante favorável, moradora de um dos condomínios mais nobres da nossa região. Regina, nome fictício que darei a ela, relata uma cena repugnante, mas comum ainda nos dias atuais. Sua filha, de 6 anos, estava sendo vítima de abuso sexual pelo próprio pai. Após seu estarrecedor relato, nos coube imediatamente recorrer aos órgãos competentes para que esse algoz fosse responsabilizado por tal barbárie. 

Não muito distante cronologicamente, outra mulher, a quem chamaremos de Valéria, menos privilegiada economicamente que Regina, moradora de uma comunidade humilde, nos procura para outro relato e pedido de ajuda: sua sobrinha é vítima constante do assédio do avô, seu pai e, mesmo diante a filmagem que a pré-adolescente fez para não ser passível de dúvida seu depoimento, teve, por parte de sua mãe, irmã de Valéria, o pedido para que não levasse adiante tal queixa. 

Esses são somente dois dos casos entre os inúmeros ocorridos diariamente no Brasil e no mundo afora que ilustram uma chocante realidade que ainda nos cerca: o abuso infantil ocorre dentro da própria casa do infante em 70% dos casos. 

Assim como a mulher, vítima de violência, não tem em sua própria casa um refúgio diante essa arbitrariedade, a criança e o adolescente também sofrem da mesma realidade: o abusador mora em sua casa ou a frequenta com plena familiaridade. 

Portanto, fiquemos atentos! Observem sinais, pois muitas das vezes as crianças não sabem discernir quando o carinho do outro é de cunho erótico, perverso e/ou mal intencionado. Conversem com seus filhos e filhas, orientem o que é permitido numa demonstração de afeto e o que não se pode aceitar em hipótese nenhuma!! O corpo é sagrado!

Se ele ou ela não tomou banho a tempo de sua chegada do trabalho, você, responsável direto, não vai delegar essa tarefa a mais ninguém. Não autorize!

Fique atenta a qualquer mudança de hábito: comia pouco, agora come muito; era comunicativo, agora emudeceu... Mudança de humor, de vestes, qualquer indício. Observe seus filhos! 

Dialogue sempre!! Os filhos têm de ficar atentos e serem elucidados a identificar atos abusivos, além de orientados a não praticá-los, uma vez ser sabido que, em grupos, muitos jovens acabam tendo atitudes que devemos reprovar, como o bullying, por exemplo. 

Se devemos orientar para que não sejam vítimas, temos a mesma obrigação de exigir que não sejam os autores.

A escola, assim como a família, é outra instituição de fundamental importância nesse processo todo, tanto de denunciante, quanto na promoção de mecanismos de prevenção dessas práticas abusivas. 

Um olhar sensível a aguçado dos educadores é primordial para que ajudem a identificar crianças que possam estar sofrendo desses abusos em casa. As escolas têm sido parceiras nesse processo, tanto orientando como não sendo negligentes. 

Por essa razão, a educação sexual faz-se necessária cada vez mais nos ambientes educacionais, visto que em muitos lares é tabu abordar tal assunto, não dando, portanto, subsídios para que esse jovem ou criança saibam que aquela relação aparentemente afetiva e inofensiva está perpassada por atitudes abusivas. 

Trazer à tona neste artigo casos recebidos na Secretaria da Mulher, de duas munícipes de diferentes realidades sociais e econômicas, Regina e Valéria, têm meramente o propósito de elucidar que o abusador ou abusadora infantil não estão presentes exclusivamente nas periferias, como muitos ainda creem.  

Esse indivíduo portador de práticas repugnantes encontra-se em diferentes espaços, casas e famílias.  E em uma sociedade civilizada, a tutela dessas pequenas pessoas é obrigação de todos nós, cidadãos de bem! Valérias e Reginas devemos ser todas nós diante de tal constatação. Calar-se, jamais!  

Um levantamento feito por meio do Disque 100, mostra que dos 159 mil registros feitos em 2019, pelo Disque Direitos Humanos, 86,8 mil foram de violações de direitos de crianças ou adolescentes, um aumento de quase 14% em relação a 2018. Em 2019 foram 17 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes. 

Se considerarmos o que apontam estudos acadêmicos, que só 10% dos casos são denunciados às autoridades, chegaremos a uma cifra absurda de quase 1 milhão de casos em 2019 de violação de direitos de crianças e adolescentes. 

E infelizmente, o problema ainda é agravado em função da pandemia, já que hoje muitas desses menores estão fechados dentro de casa com seus algozes, não tendo nem a chance de pedir auxílio a seus professores ou outros familiares, como é comum acontecer.


Perfil

Ainda segundo o levantamento, a maioria das vítimas de violência são meninas (55%), entre 4 e 11 anos. Já entre os suspeitos, a maioria é mulher (52%), entre 18 e 59 anos (71%). A mãe aparece muito como autora da violência. A maioria das famílias brasileiras é comandada por mulheres. Boa parte da violência praticada por elas é física e psicológica. Nos casos específicos de violência sexual, os padrastos (21%) são os principais abusadores, seguidos de pai (19%), mãe (14%), tio (9%) e vizinhos (7%).

Denúncias

As vítimas podem fazer denúncias tanto pelo Disque 100 (Disque Direitos Humanos), quanto pelo ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). Há ainda o app Direitos Humanos Brasil que pode ser baixado gratuitamente nas versões Android e IOS.


Outras formas de pedir ajuda


Secretaria da Mulher de Cotia – Tel. (11) 4934-5265 – ramais 2302 e 2308

Delegacia da Mulher de Cotia – Tel. (11) 4616-9098

CREAS de Cotia – Tel. (11) 4616-0466

Conselho Tutelar de Cotia – Tel. (11) 4703-5813

Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cotia – Tel.: (11) 4614-4550 / (11) 4616-2974

Disque 100 – Disque Direitos Humanos – Um serviço telefônico de recebimento e encaminhamento de denúncias de violação de Direitos Humanos.

Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher.



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Ângela Maluf

Ângela Maluf é pedagoga, arte educadora, pós graduada em arte junguiana. Como pedagoga, trabalhou com pessoas com deficiência na Apae e no Ceic de Cotia. Já esteve Diretora de Cultura de Cotia, foi gestora das UBSs de Caucaia e do Atalaia e do PA de Caucaia do Alto. Também foi Secretaria Adjunta de Saúde e duas vezes Secretária da Mulher de Cotia.

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