21/07/2020
Neste quarto mês, desde o início do isolamento social devido à pandemia causada pelo COVID-19, ainda temos muitas histórias para compartilhar no que diz respeito à solidariedade, às ações voluntárias e à prática da cidadania e da responsabilidade social.
Desta vez, conheceremos um pouco sobre o movimento Unidos por Carapicuíba, formado por moradores da Fazendinha, bolsão residencial localizado no município de Carapicuíba e considerado como parte da Granja Viana.
Tudo começou com uma ação realizada há quase 6 anos por um grupo de 13 pequenos empresários (nem todos residentes na região). Juntos, eles ajudavam mensalmente 48 famílias carentes, 18 delas residentes em Osasco e o restante em comunidades Carapicuíba. O valor arrecadado pelo grupo sempre foi gerido por um deles, Antonio, morador na Fazendinha (o nome fictício, pois o grupo tem um acordo, desde o início da ação, para manter em sigilo suas identidades). Além da gestão financeira, Antonio também sempre fez a distribuição das cestas básicas às famílias, além de outras assistências, quando necessário (compra de gás, pagamento de contas de energia, fornecimento de fraldas geriátricas etc.). Antonio fazia ainda o constante acompanhamento da real necessidade de cada família, tendo o cuidado de substituir uma que não precisava mais por outra mais necessitada.
Quando teve início a pandemia, os pedidos de ajuda foram crescendo e Antonio viu-se em uma situação difícil: não sabia como atender a todos! Ele então conheceu uma moradora da Fazendinha que começou a ajudá-lo, divulgando a campanha de arrecadação de alimentos. Deste momento em diante, a ação evoluiu e mais moradores se agregaram ao grupo, que já conta com quase 20 voluntários, organizando a logística de arrecadação de alimentos, produtos de limpeza e outras necessidades pontuais, assistindo às 180 famílias cadastradas.
Além da distribuição de alimentos e produtos de limpeza, tão necessários nessa pandemia, o grupo também se organizou para a confecção de máscaras, todas destinadas às comunidades de Carapicuíba. Os responsáveis destacam ainda a contribuição de extrema importância, que veio somar à iniciativa do grupo, relativa à doação de 1.000 máscaras confeccionadas pelos voluntários da Estaca de Cotia da Igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, durante o mês de maio.
O despertar da responsabilidade social pode ser claramente identificado nesse caso. Ao contrário da responsabilidade social empresarial (RSE), que envolve aspectos sociais, ambientais e corporativos internos e externos às empresas, aqui temos a individual (RSI). De acordo com a definição do Workshop for Civic Initiatives Foundation, da Bulgária, “a responsabilidade social individual inclui o envolvimento de cada pessoa em relação à comunidade onde vive, o que pode ser expresso como um interesse para o que está acontecendo na comunidade, bem como na participação ativa na resolução de alguns dos problemas locais.” Encaixou perfeitamente, não?! Muitos já faziam, outros tantos já tinham noção de sua responsabilidade social individual, mas talvez ainda não tivessem despertado para a ação e foram estimulados pela necessidade emergencial e pelo incentivo dos vizinhos. Independente do estágio de cada um, o importante é ver acontecer algo assim na prática, além dos muros dos residenciais e condomínios da região.
E qual a principal mensagem que Antonio transmite ao ser questionado sobre a razão pela qual ele faz isso há tanto tempo e com tanta dedicação? Nitidamente emocionado, ele responde: “Amor”. Além disso, ele ressalta “ver as pessoas gratas, nos dando bençãos em troca das doações que recebem, isso faz tudo valer a pena!”
Vamos fazer! Vamos divulgar! Vamos apoiar! Pratiquemos nossa cidadania com a responsabilidade social individual pelo nosso entorno.