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14/09/2005

Gigante Adormecido


Enquanto o maior medo de quem vive é a morte, o pior pesadelo de um escritor é o bloqueio mental. Para mim, que tudo era sonho, não conseguir escrever é novidade. Tanto é que eu brinco e faço graça com a desgraça. Satirizo, escrevendo, o fato de não conseguir escrever. A caneta dança no ar, rabiscando o nada, com passos desajeitados e impacientes. Leio e releio o que já escrevi só por ler e reler. Não ando uma vírgula, não avanço um ponto. As mãos fingem não estarem desesperadas, mas os dedos se procuram na esperança de encontrarem alguma palavra.

A ponte entre o cérebro e a tinta que preenche cada linha da folha vazia foi interrompida. A arte da escrita se tornou subdesenvolvida. O que era fácil, como respirar, agora é um fardo, como respirar com o nariz entupido. Essa agonia não é nova, já me senti assim, pelo menos por 5 minutos, mas me senti. Agora é diferente, tenho todo tempo do mundo, e justamente o todo tempo do mundo é o que me assusta.

Levanto, dou uma volta e tomo água, mas minha condicional foi quebrada. Volto para a cadeira. Prisão perpétua que é o ato de escrever. Sei que não preciso se não quiser. Mas eu quero, sempre quis, escrever é o que me faz feliz. Não conseguir escrever então decreta a minha infelicidade? A profissão de escritor não pode ser tão ingrata a ponto de ser extremamente recompensadora enquanto as palavras fluem, porém miseravelmente condenadora caso as idéias não consigam se expressar.

A caneta se refugiou de mim, prefere o exílio ao ser inutilizada. Prendo-me a detalhes: o pé que balança e faz barulho, a perna em convulsão epilética. Alguém que assobia, o passarinho que pia.

A aula de química em latim parece rir de mim. As fórmulas e substâncias, eternas inimigas, revidam o meu descaso. O mundo conspira contra. Na verdade é isso que eu quero achar. O problema não está fora, porém somos os últimos a perceber que a pane é quase sempre interna.

Eu que faço chorar, que tenho o dom de alegrar, sou o mesmo que agora vago por vagar. Desesperado, pois não há Mario Quintana que me inspire e nem Fernando Pessoa que me emocione. Estou cético de palavras, mudo diante dos meus próprios sentimentos.

Sem falsa modéstia, clamo desesperadamente por outras crises. Só com uma segunda terei a certeza de que a primeira foi superada. Assim o ciclo não se fecha, e que ele não feche nunca! Quando tudo está bem, tudo está bem. Mas é só dentro das grandes crises que enxergamos, mesmo que aparentemente cegos, as novas possibilidades e a chance que temos de podermos crescer quando a vida parece nos diminuir.

E eu que comecei o texto tão pequeno dentro de mim, termino como um gigante, ainda se espreguiçando, mas que sabe que a hora de levantar se aproxima. A minha primeira crise revelou a outra face da moeda, mostrou toda incoerência existente em mim e me apresentou cruelmente à realidade. Sem dúvida sobrevivo, pois ninguém há de conter essa minha enorme euforia. Muito menos eu.


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