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06/05/2009

Mãe terra, filho pipa!

Minha filhota está doentinha hoje.


Minha filhota está doentinha hoje. Vomitou, está tão branquinha, com olheiras... Nesses momentos fico tão plugada nela, como se a minha atenção fosse o que pode curá-la. E quando mãe e pai sentam na cama dos filhos quando doentes? Já senti a força que vem do casal ali mobilizado por aquele serzinho que veio ao mundo vindo sei lá de onde. Não importa se pai e mãe estão casados um com o outro, importa que eles tenham consciência de que têm o poder de ajudar ou atrapalhar o andar daquele filhote neste nosso planeta.

Demorei muito para entender que minha mãe era quem ela podia ser em relação a mim e não quem eu queria teimosamente que ela fosse. E que o que ela tinha para me oferecer era muito precioso dentro das possibilidades dela.

Queria ter sido uma mãe muito melhor para meus filhos. Queria que eles tivessem aprendido comigo várias coisas que não sei, como cantar, amar as comidas boas, cozinhar, plantar, conhecer nomes de árvores, de estrelas. Queria ter colocado neles o gosto por andar no mato, a iniciativa de sempre ir lá fora ver a lua cheia. Queria ter contado muitas histórias em volta de fogueira. Coisas simples, qualquer um diria, mas não foi para mim. Sempre teve uma boa distância entre os meus ideais e as minhas ações.

Mas eu tenho e tive desde sempre algo que acho essencial: o olhar. Lembra do que é sintonia fina nos aparelhos de som antigos? Mexer num botãozinho para conseguir sintonizar a estação de rádio correta ou o som mais límpido, nem sei direito. Com filho, acho que é preciso sempre estar com a mão neste botãozinho. Perceber quando eles estão construindo noções equivocadas sobre eles mesmos (quando estamos falando demais: "menino, você não pára quieto" e aí que ele não pára mesmo), quando estamos sobrecarregando- os com nossas maneiras viciadas de ver a vida e os outros, quando é hora de mudar de escola porque eles, naquela que estão, começam a ficar tristes. Perceber quando estão com ciúmes ou se sentindo diminuidos, quando estão com medo, quando estamos abafando a raiva deles... e ajudar tanto quanto possível. Ser o que mãe nasceu para ser, até que eles não precisem mais: a ponte entre eles e o mundo, o lugar de onde partir e para onde voltar, o lugar colo do descarrego das tensões. A mãe sendo terra para os bichinhos poderem ser pipa e voar no céu.

Outras duas coisas essenciais que consegui dar para essas luzinhas que se chamam filhos foi a noção de que é preciso respeitar às outras pessoas e a convivência com uma comunidade de amigos. Possibilitei que eles conhecessem muitos outros pais, mães, adultos, crianças, modos diferentes de viver, pensar e agir. E consequentemente muitas oportunidades de amar, porque é conhecendo, estando perto, que a gente exercita o amor.

Agora que escrevo com a manta vermelha de lã que era da minha mãe, me aquecendo as pernas, sinto que apesar de ela ter virado estrelinha e ido morar lá no céu, ela continua aqui, não só na manta, nem no meu rosto que vai ficando cada vez mais parecido com o dela à medida que envelheço, e sim em todas às vezes em que um filho dá a mãozinha para sua mãe segurar, em todos os momentos que um filho tiver confiança de chorar abraçado numa mãe.

Lá vou eu agora neste meu papel: insistir para a minha doentinha tomar mais um gole de água de coco... Vai crescer ela também, virar mãe talvez, mais um elo nesta imensa corrente que atravessa todas as eras. Mãe que é filha de todas as Mamães do céu, das Águas, das Matas... mães do acalanto, das dores, das graças...

Jany Vargas, granjeira, escritora, apaixonada por dança, idéias, pessoas e suas histórias.


 

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