24/01/2024
“A cada ano, as empresas têm mais dificuldades para
preencher vagas, desde as mais simples até algumas funções que exigem maior
preparo e formação”, Disse a diretora de
gestão estratégica de pessoas no ManpowerGroup (responsável pela pesquisa),
Wilma Dal Col. Em entrevista dada à CNN ela explicou que a pandemia
“pisou no acelerador” do problema, mas não o causou.
Na Granja Viana, Sandra
Yamashita, psicóloga clínica e sócia proprietária da Slie Consultoria de RH diz: “O que vemos hoje é que as pessoas se acostumaram
mal com o home office e preferem manter desta forma, e as empresas que
trabalham presencialmente tem essa dificuldade adicional. Minha sugestão é
investir em educação, treinamentos e desenvolvimento dos jovens.”
Ela emenda com dicas para empresas e candidatos:
“As empresas devem flexibilizar os perfis, muito exigem
limite de idade, sexo, formação, tempo de experiência etc. “
Para os candidatos,
ela sugere: “Estudem, se atualizem, invistam em desenvolvimento comportamental,
mantenham a prática da educação continuada, leitura, conhecimentos gerais”.
Sandra ainda emenda:
“Divulgamos anúncio dizendo que a forma para se candidatar é
por e-mail, a pessoa liga e pergunta: “como eu faço para enviar meu currículo?”
Ao mesmo tempo, os candidatos não hesitam em fazer
reivindicações ao empregador, completa ela:
“No pós-pandemia, eles estão mais exigentes. Muitas vezes,
em um processo seletivo, a primeira pergunta que fazem é quantos dias são de
home office."
Consultado, um gerente de loja de cosméticos da Granja Viana
disse ao Site da Granja:
“Em menos de um mês de operação tive que dispensar uma
pessoa. Assim, temos uma vaga que está disponível desde dezembro, mas não
conseguimos achar... dos candidatos que apareceram até o momento - não estou
pedindo nada demais, experiência no ramo e que tenha uma boa comunicação - 90%
não tem experiência em vendas. O povo da região pula muito de emprego, mas o
que mais me surpreende são as pessoas que conversamos, elas não sabem nem
dialogar. Tive uma entrevista que durou dois minutos.
Isso pode comprometer muito meu negócio, porque eu dependo
de vendedores para compor a minha loja, pois eu não consigo ficar lá. isso
vai me obrigar a sair da região e mudar para uma outra área onde eu consiga
estar mais próximo para supervisionar.”
Já o responsável por uma clínica de estética disse:
“Inaugurei em nov/2021 e de lá para cá não houve nenhum mês
que eu tive o quadro completo. Por isso estou tendo que me desdobrar deixando
algumas coisas bem importantes de lado para me dedicar à operação da clínica
por falta de mão de obra.
Meu processo seletivo inicia-se totalmente online. Peço
currículo e a maioria, 80%, já para aí, não enviam. Os 20% que passam dessa
etapa são convocados para vir para uma entrevista final na clínica. De novo, só 20% aparecem. E das
pessoas que iniciam o trabalho, tem gente que depois do primeiro dia já deixa de
vir.
E continua:
“Não sei o que está acontecendo, mas tenho certeza
absoluta de que não é aqui
exclusivamente comigo, porque a rede inteira sofre do mesmo problema, isso a nível
Brasil. Inclusive em São Paulo, onde a oferta de colaboradores é muito maior e
mesmo assim eles sofrem a mesma coisa.
Vaga existe, mas não existe candidato.”
Como isso é possível em um país com mais de oito milhões de
desempregados?
De acordo com o gerente Alexandre Mendonça, da consultoria
de recrutamento Robert Half, no terceiro trimestre de 2023, 76% dos recrutadores afirmam que é difícil
encontrar trabalhadores para preencher vagas.
“Estamos falando de um mercado cada vez mais competitivo, em
que as empresas necessitam de habilidades cada vez mais específicas. Hoje em
dia, os profissionais precisam ampliar o conhecimento e ganhar novas
ferramentas para se diferenciar no mercado”, avalia o gerente.
Ele lembra que, entre os profissionais qualificados, a taxa
de desemprego é consideravelmente menor que a total. No terceiro trimestre de
2023, ela chegou a 3,5% enquanto a geral ficou em 8%.
Os segmentos em que há mais demanda por talentos, de acordo
com a pesquisa são: tecnologia da informação, atendimento ao cliente, logística
e operações e marketing e vendas.
A escassez de trabalhadores também afeta posições que exigem
menos educação formal. Neste ano, os supermercados EPA, por exemplo, abriram
1.000 vagas para operador de caixa e assistente de açougue e estão com
dificuldades para o preenchimento: “O varejo tem aquele trabalho de segunda a
segunda, com uma folga por semana, além da questão dos horários”, justifica a
gerente de RH do Epa, Silvia Lamarque Guimarães.
O setor de
construção civil é outra que busca, sem sucesso, preencher todas as vagas.
Gerente de RH da construtora Emccamp, Christina Santos avalia: "Na
mão de obra técnica, é cada vez mais difícil encontrar pessoas qualificadas em
serviços de origem primária, como pedreiro, carpinteiro, mestre de obras,
encarregado. Como não encontramos, pegamos pessoas que têm o mínimo
conhecimento nessas áreas e formamos internamente", diz.
Empresas tentam ir
além do melhor salário para atrair funcionários
O gerente da Robert Half Alexandre Mendonça avalia que a
pandemia alterou as expectativas dos trabalhadores: “As pessoas buscam
qualidade de vida, uma relação mais equilibrada entre vida pessoal e trabalho.
As pessoas trabalham focadas em propósito e enxergam muito a cultura e os
valores da empresa, desde o foco no meio ambiente à inclusão”.
Em outros países, a tendência é mais premente. O CEO da ArcelorMittal,
Aditya Mittal, afirma que é comum candidatos a vagas na multinacional na Europa
questionarem as ações da empresa no campo ambiental: “Falam que querem ajudar a
salvar o planeta”, disse, durante uma apresentação no Congresso Aço Brasil 2023.
Mas o Brasil também entra nessa tendência, avalia a líder de
Pessoas e Cultura da Vagas, Ligia Hacker. “Em comparação a uns bons anos
atrás, as pessoas que ingressam no mercado de trabalho têm menos intenção de
ficar dez, 15 anos na empresa. O que elas pensam a respeito do trabalho é
diferente. Querem fazer um trabalho legal, em um ambiente legal, com pessoas
legais. Quando algo não corresponde à expectativa, mudam”, finaliza.
Canais com ofertas de vagas e profissionais na região:
Pensando nesse assunto, foi criado um grupo de WhatsApp aqui na Granja Viana para a divulgação de vagas de trabalho das empresas da região, facilitando tanto para o empregador quanto para os candidatos.
O Site da Granja também disponibiliza gratuitamente uma sessão de classificados para promover uma rápida absorção da mão de obra.
Centros de Capacitação Profissional:
O Cepro (Centro Profissionalizante Rio Branco) é uma entidade certificadora que promove a socioaprendizagem profissional de jovens em vulnerabilidade, de 15 a 19 anos, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio da escola pública, de acordo com a Lei do Aprendiz (nº 10.097/2000). Desde 1947, o Cepro, mantido pela Fundação de Rotarianos de São Paulo, já formou mais de 45 mil jovens. Hoje conta com a parceria de aproximadamente uma centena de empresas parceiras, nacionais e multinacionais de pequeno, médio e grande porte.
Casa do Moinho- http://www.casadomoinho.org.br/
Unidade da Afesu - Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários, o Moinho é uma organização não governamental sem fins lucrativos que, desde 1998, trabalha para promover a dignidade humana por meio da formação cidadã, educacional e profissional de mulheres – crianças, adolescentes e adultas. Lá você encontra o Projeto Trilhas – preparação para o 1º emprego. São oficinas práticas e teóricas nas áreas de Gestão Empresarial, associadas a Empreendedorismo Cultural/Social, Turismo, Alimentação e Tecnologia. O objetivo destas oficinas é preparar as jovens para iniciar no mercado de trabalho, desenvolvendo competências técnicas e habilidades socioemocionais.
O SENAI é um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. A rede SENAI-SP engloba 92 unidades fixas, incluindo a escola SENAI Ricardo Lerner, localizada na cidade de Cotia. Ele oferece cursos para as qualificações nas áreas Eletroeletrônica, Gestão, Logística, Metalmecânica, Segurança do Trabalho e Tecnologia da Informação, em um ambiente de ensino projetado para oferecer capacitação profissional e especialização técnica. São laboratórios de eletroeletrônica, metrologia, informática, logística e oficinas de metalmecânica, eletroeletrônica e soldagem.