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04/11/2020

Projeto Águas Limpas

Artesã brasileira transforma redes de pesca abandonadas em esfregões de limpeza



A artista plástica Nara Guichon, irmã da granjeira Nadia Guichon, nasceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e atualmente vive em Florianópolis. Aos 65 anos de idade, também ambientalista e designer têxtil, Nara desenvolve e fomenta a moda ética e sustentável em seu atelier, há mais de 40 anos. 

Em 1998, Nara percebeu o grande número de redes de pesca industrial que eram jogadas na natureza, poluindo todo um ecossistema em larga escala no Brasil. As redes de poliamida são tão resistentes que levam centenas de anos para se decompor. Quando descartadas nos oceanos, representam uma ameaça à fauna e à flora marítima. Como você pode ver no vídeo abaixo:


Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) aproximadamente 10% do lixo marítimo é proveniente da pesca — algo equivalente a 640 mil toneladas de resíduos. Atenta às questões ambientais, Nara iniciou a reutilização das redes de pesca industriais na confecção de utilitários, acessórios, roupas e tapeçaria.

"Como sou ambientalista e naturalista, desde a adolescência sempre tive essa ânsia de criar produtos que são “amigos” do meio ambiente, uma forma de dar o descarte correto para o que seria depositado na natureza", conta Nara.

A artesã calcula que, por ano, reutiliza cerca de uma tonelada de redes de poliamida, material que ela compra de pescadores locais, mas a maior parte adquire em Itajaí com as grandes empresas de pesca. Ainda não existe um estudo conclusivo para apontar o tempo de decomposição deste material no mar, mas supõe-se que cerca de 6 mil anos.

"O que eu consigo reciclar, em números, é quase nada, mas esse trabalho já despertou a atenção de outras pessoas e muitas já estão reaproveitando rede de pesca", afirma. Segundo ela, o importante é dar o recado.

Desde 2014, Nara produz esponjas de limpeza com as redes de pesca. O projeto Águas Limpas surgiu quando ela identificou que ainda tinha rejeito do material que utilizava na confecção de tapetes, bolsas, mantas e acessórios. Foi então que criou um modelo de esponja em quatro tamanhos que é produzido com os pedaços menores das redes.

"Ainda assim existe um descarte, infelizmente, porque as redes vêm às vezes muito furada, com pontos mais desgastados. Tenho esse resíduo que ainda não inventamos o que fazer", aponta a designer.

As esponjas que servem para limpeza pesada e também de louça e alimentos têm durabilidade muito maior que as esponjas convencionais, que duram em média 15 dias e depois acabam parando em aterros sanitários. A confecção das esponjas também é fonte de renda para mulheres da comunidade do Frei Damião, em Palhoça, uma das mais carentes da região da Grande Florianópolis.

"Eu desenvolvi o produto, mas hoje a produção mensal é feita pelo grupo Mulheres do Frei. Penso em toda uma cadeia de produção, que valoriza os produtos e a mão de obra local", explica.

Ainda em 2014, Marcella Zambardino, co-Ceo da Positiv.a, empresa B que cria soluções para cuidar da casa, do corpo e da natureza, conheceu Nara em um Festival de Alimentação Orgânica. Elas firmaram uma parceria para que a Positiv.a se tornasse a representante exclusiva dos esfregões, e de lá para cá a parceria só trouxe resultados benéficos.

No total, a Positiv.a já vendeu 476,3 kg de produtos feitos a partir da rede de pesca reutilizada e a Nara e sua equipe reusam em média 2 toneladas de rede de pesca ao ano. 

Além do esfregão, a Positiv.a vende saquinhos produzidos pela artesã também com a reutilização das redes de pesca. Com eles, o objetivo é substituir as embalagens comuns de plástico e podem ser utilizados para fazer compras a granel, como necessaire, porta acessórios ou até como separador de roupas em malas de viagem.

“Numa sociedade cada vez menos conectada aos valores naturais, o artesanato feito com materiais que, de outro modo seriam descartados, se mostra como uma forma de retorno às origens”, explica a artesã.

“O contato com os elementos minerais e vegetais, assim como o novo olhar sobre objetos descartados ou indesejados, pode revolucionar a nossa economia e a forma como interagimos como sociedade”, finaliza Nara.

Em 2018, na Bienal Iberoamericana de Design de Madrid, o projeto Águas Limpas desenvolvido pela artesã, recebeu uma menção honrosa. Neste ano, suas peças de roupas feitas com redes de pesca também já foram selecionadas para ser expostas a partir de 23 de novembro na mesma bienal.


Seus esfregões de rede são produzidos em quatro tamanhos:

O número 1, feito de redes fininhas, é ideal para lavar louças ou esfoliação corporal.

O número 2 é um pouco mais grosso e é ideal para lavar louças de banheiro 

O número 3 é feito de redes mais grossa e é ideal para limpeza pesada

O número 4 é feito com as redes mais grossas e é ideal para limpeza muito pesada


Esponjas não recicláveis

A esponja de lavar louça de poliuretano, usada para manter a limpeza, por ironia, é um dos itens mais sujos da cozinha. Além disso, justamente por ser um “porta-bactérias”, ela tem uma vida útil reduzida. O ideal é que você use a mesma esponja por apenas sete dias.

A esponja de lavar louça comum é feita por uma mistura de plásticos, dentre eles o plástico poliuretano, o que faz com que sua reciclagem seja muito difícil e pouco viável economicamente. Isso porque os plásticos em questão contêm especificidades que dificultam muito a reciclagem, além de estar amalgamados e conter muitas bactérias. Sendo assim, o destino da maior parte dessas esponja acaba sendo o lixo comum.

Siga a Nara Guichon no Instagram: @naraguichon e @naraguichontextil/


Onde encontrar os produtos:

https://www.positiva.eco.br/

https://www.americanas.com.br/

Mais informações direto com a artista:

https://naraguichontextil.wordpress.com


Fontes: Revista Versar, CicloVivo e ecycle.com.br



 

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