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01/09/2005

Política Alemã: mudança de poder à vista?


A estabilidade é a maior característica da política da República Federal da Alemanha. Desde sua criação em 1949, o país foi governado por apenas sete chanceleres: Konrad Adenauer, Ludwig Erhard, Kurt Kiesinger, Willy Brandt, Helmut Schmidt, Helmut Kohl e Gerhard Schroeder. Em cinqüenta e seis anos de existência democrática dois partidos lideraram os governos alemães: os democrata-cristãos lideraram o país trinta e três anos, os social-democratas vinte anos e os três anos do governo de Kiesinger foram resultado de uma grande coalizão entre os dois partidos. Os momentos de grande mudança política são tão raros que quando iminentes despertam grande interesse. E é chagado mais um destes momentos.

Depois de perder as eleições regionais na Renânia do Norte e Westphalia em maio último, o chanceler Gerhard Shroeder e sua coalizão social-democratas e verdes tinham apenas mais um truque para evitar o fracasso político em 2006: antecipar as eleições. Para isso Schroeder teria que perder uma moção de confiança no Parlamento Alemão, o Bundestag, para que o presidente pudesse oficialmente dissolver o parlamento e convocar novas eleições. E assim foi feito. Em manobra polêmica e bastante discutida por cientistas políticos e constitucionalistas, Schroeder pediu que seu partido se abstivesse da votação, o que provocou a perda do voto de confiança parlamentar e deixou o presidente Horst Kohler sem alternativa senão convocar eleições antecipadas para 18 de setembro próximo. No dia 21 de julho Kohler compareceu a televisão para justificar a convocação do pleito diante da situação crítica e sem precedentes que enfrenta o país cujo “futuro e dos seus filhos está em jogo”.

A manobra de Schroeder gerou polêmica. Para alguns se trata de um plano tático de um mestre da sobrevivência política. Para outros trata-se de um suicídio político diante da morte inevitável. Schroeder sabia que após a derrota eleitoral na região mais populosa do país e último reduto tradicional da aliança vermelho-verde, isto é, social-democratas e verdes, sua propostas reformistas seriam totalmente bloqueadas pelo Bundesrat, a câmara alta do país. Para evitar desgaste e paralisação política, decidiu que era o momento de enfrentar a líder da maior coalizão de oposição, a democrata-cristã Ângela Merkel, a primeira mulher com chances de concorrer ao maior posto político do país.

A Alemanha enfrenta problemas críticos para os quais não se encontrou solução na última década: um desemprego crônico que ultrapassa 10% da população ativa; uma dívida estatal crescente que chegou a ultrapassar os limites estabelecidos pelo pacto de estabilidade econômica de Amsterdã e pelos critérios de convergência econômica definidos em Maastricht como parâmetros para a unificação monetária que levou ao Euro em 1999; ausência de resultados nas reformas sociais de um estado social caríssimo que se tornou impagável, entre outras razões, pelo envelhecimento da população.

Ironicamente, algumas das reformas fundamentais para o ajuste econômico alemão haviam sido sistematicamente bloqueadas pelos social-democratas no Bundesrat durante os últimos anos do quarto mandato de Helmut Kohl, o chanceler da reunificação. Kohl já vislumbrava o impacto dos enormes custos gerados pela unificação simultânea à manutenção do estado social alemão. Quando Schroeder assumiu em 1998 teve que adotar posições mais conservadoras dentro de sua coalizão o que o fez avançar em algumas reformas, contra a tradição social de seu partido, mas insuficientes para colocar o país de volta nos trilhos da pujança e crescimento.

As perspectivas apontam para uma vitória dos democrata-cristãos e social-cristãos, seus aliados históricos do Estado Livre da Baviera. A possibilidade de terem que contar com o apoio dos liberais para compor a maioria também é grande. Ângela Merkel é favorita em todas as pesquisas e na maioria das regiões, com exceção de algumas regiões da ex-Alemanha Oriental, regiões mais afetadas pelo desemprego e ainda pela frustração gerada pelos impactos da reunificação do país em 1990. Merkel, chamada de “menina” pelo então chanceler Helmut Kohl, que a trouxe para seu ministério nos anos 90, tem muitas características que são sua força e sua fraqueza: é mulher, original da ex-Alemanha Oriental, de uma nova geração de políticos, celibatária. Seu governo seria mais voltado a melhoria do ambiente de negócios no país o que lhe dá mais capacidade de realizar as urgentes reformas no estado social. Irá trazer a Alemanha de volta a orientação externa “atlanticista”, e lutar pela redução das altas contribuições do país à União Européia. São medidas urgentes e necessárias para recolocar a locomotiva alemã nos trilhos.


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