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18/08/2005

O Triste Quadro Político Sul-Americano


A recente crise política equatoriana revela mais um capítulo de uma realidade política continental tão lamentável que muitos preferem tratar como conjuntural, ou como parte de um processo de consolidação democrática, que diga-se de passagem, parece nunca terminar. Desde meados dos anos 80, boa parte dos países sul-americanos enfrentaram processos de democratização. Transições para a democracia como resultado do colapso de regimes autoritários ou como resultado da negociação paulatina entre forças conservadoras e forças reformistas aconteceram praticamente em todas as nações latino-americanas entre 1980 e 1990.

Passadas praticamente duas décadas desde o início dos processos de democratização que trouxeram a esperança de um desenvolvimento econômico e social sistemático dentro de um quadro de liberdades e garantias institucionais para os países da América do Sul, há pouco a se comemorar. Evidente que há avanços institucionais importantes em alguns países, e o Brasil está entre eles. No entanto, de uma perspectiva geral, e fundamentalmente, comparando com o avanço nos processos de democratização consolidados em regimes autoritários na Europa do leste e no sudeste asiático, os países sul-americanos chegam a envergonhar.

Uma análise começando pelo norte do continente e seguindo no sentido anti-horário mostra um quadro crítico. A Venezuela agoniza desde 1998, sob o governo do presidente Hugo Chavez, uma das novas aberrações políticas do mundo contemporâneo. País riquíssimo, quinto maior produtor de petróleo do mundo, a Venezuela acabou tornado-se refém do ouro negro. Sucessivos regimes marcados pela corrupção endêmica colocaram os venezuelanos na armadilha “bolivariana” que vem dando a Chavez total controle sobre as instituições que ele próprio reformou. Não será surpresa ver Chavez completar uma década no comando da Venezuela, consolidando um dos maiores desastres de concentração de riqueza já enfrentados por este país. A Colômbia, país que enfrenta movimentos guerrilheiros desde os anos 60 dos quais parte se aliou aos cartéis de traficantes de drogas no inícios dos anos 80, é um país sui generis onde o Estado não tem controle soberano sobre boa parte de seu território. O corajoso presidente Álvaro Uribe vem tentando enfrentar os grupos rebeldes com mão de ferro e contando com apoio internacional, mas o quadro de estabilidade institucional colombiano só vale para Bogotá e seus arredores, além de poucas localidades espalhadas pelo país. A Colômbia ainda está longe de se livrar do tormento dos grupos rebeldes. O Equador, país pequeno e pobre, formado por centenas de grupos indígenas, enfrenta mais uma grave crise institucional. Desde 1997, já foram pelo menos seis diferentes presidentes e várias crises causadas por acusações de corrupção e nepotismo contra diferentes lideres da nação.

O recém deposto presidente Gutierrez, de origem militar, foi líder de golpe de Estado em 2000 e eleito em 2002, fenômeno que já deveria ter sido extinto da realidade política da região mas que permanece vivo como se verificou na Venezuela, e em ensaios permanentes no Peru, Bolívia e Paraguai. O Peru agoniza sob a presidência de Alejandro Toledo, o primeiro presidente índio do país, eleito em 2001. Uma década de “Fujimorismo”, o regime semi-autoritário de Alberto Fujimori, arruinou as já abaladas instituições peruanas. Toledo perdeu parte do apoio político interno que o sustentava e é o presidente com o pior índice de popularidade do continente.

Na Bolívia, o presidente Carlos Mesa, eleito em 2003, enfrenta uma crise social crônica, revestida da ideologia marxista mesclada com movimento sindical e indígena liderado por Ivo Morales, mais um tipo de liderança que só a América do Sul ainda é capaz de produzir. O Chile, se comparado a todos os outros, se parece mais como uma ilha do que como um país sul-americano. Não fosse a divisão psicológico-política que vive a sociedade chilena em torno do fantasma vivo de Pinochet, o Chile apresenta sinais de competência, desenvolvimento e crescimento que deixam inveja aos companheiros latinos. A Argentina, após do desastre de uma década de “Menemismo” ainda sofre alguns pesadelos com um eventual retorno de Carlos Menem, e luta para ver se o neo-populismo de Nestor Kirchner pode resgatar a rica mas desastrada Argentina de volta aos trilhos. Não parece provável que o confronto com o sistema financeiro internacional seja uma boa receita apesar dos elogios dos que acreditam na fantasia revolucionária. O Uruguai acaba de romper com um século de bipartidarismo para eleger Tabaré Vazquez seu presidente. Merece um voto de confiança mas deveria tentar se desvincular do discurso retumbante e da atuação pífia de vários de seus antecessores. E o Brasil? Aparentemente sua situação político institucional não é das piores mas alguém pode acreditar que o Brasil exerce algum tipo de liderança neste continente?


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