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08/09/2005

O Brasil virou Itália?


A crise política brasileira é inédita nas suas dimensões. Em períodos da história recente crises políticas de menor importância tiveram impacto desastroso sobre a economia. No caso da crise de corrupção detonada no Partido dos Trabalhadores e que atingiu o governo depois das acusações do deputado Roberto Jefferson alguns meses atrás, tem sido surpreendente a resistência da economia e a relativa estabilidade em que se mantém. O impacto da crise sobre o câmbio simplesmente não existiu. Teria sido bastante compreensível se o mercado tivesse buscado segurança em moeda estrangeira diante de um quadro crescente de incerteza política que poderia contaminar a orientação macroeconômica. A política econômica de juros altos e a fome governamental por arrecadar mais impostos continua a mesma. O investimento estatal é mínimo, mas o investimento estrangeiro, apesar de aquém das necessidades do país, apresenta até um pequeno aumento em relação ao ano passado.

Nada indica que haverá qualquer mudança relevante na política econômica deste governo embora muita sujeira política ainda possa aparecer como resultado das investigações das várias Comissões Parlamentares de Inquérito. Talvez ainda seja cedo para se celebrar a não contaminação da economia brasileira pela crise política, mas certamente o que aconteceu até hoje já é fato inédito. Seria sinal de maturidade econômica? O país atingiu mais um patamar no caminho da estabilidade que só as nações desenvolvidas tem desfrutado? Teríamos nos tornado uma espécie de Itália? Ou se trata apenas de uma questão conjuntural que não garante imunidade permanente?

Como é sabido, a República Italiana foi fundada em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, e nunca primou pela estabilidade política. A instabilidade do parlamento italiano fez com que este país tenha tido tantos gabinetes parlamentares quantos anos de existência republicana. È impressionante imaginar que a Itália é hoje a sexta economia do mundo e já foi a quinta economia durante uma parte dos anos 80 e início dos 90. As crises políticas italianas não foram apenas de caráter partidário ou ideológico, mas em boa parte, fruto de processos graves de corrupção de seus governantes.

O auge foi a “operação mãos limpas” contra a corrupção na alta cúpula do governo, iniciada em 1992 pelo juiz Giovanni Falconi, assassinado pela máfia no mesmo ano. Em 1993, o primeiro-ministro Bettino Craxi, esperança do socialismo italiano, renunciou e fugiu para a Tunísia, acusado também de corrupção. Além disso, as investigações praticamente encerraram a história da Democracia Cristã italiana personificada por Giullio Andreotti, várias vezes primeiro-ministro do país, escancarando a corrupção bruta do sistema político italiano.

Na verdade, o descolamento da política e da economia na Itália tem sua origem na combinação entre o sistema parlamentarista, que garante imediata troca de poder no caso de falta de apoio político da maioria, com o rígido cumprimento dos contratos na atividade econômica. Este “rígido” sempre esteve longe de atingir o padrão suíço ou germânico já que é conhecido, por exemplo, o crônico déficit público italiano para os níveis europeus. O que foi possível na Itália é que a iniciativa privada, e não se trata apenas de grandes grupos, conseguiu alcançar um alto grau de inovação e qualidade com acesso a créditos e infra-estrutura decisivos no desenvolvimento da indústria e dos serviços. O desenrolar dos fatos políticos acabou por ter pouca relevância no desenvolvimento econômico. Em outras palavras, o governo atrapalhou menos. Quando o governo interfere ou modifica menos, o desenvolvimento é mais provável.

Talvez seja isto o que falta para o Brasil realmente tornar-se uma Itália. Se não dá com parlamentarismo que seja com garantias de que as regras do jogo econômico não mudarão de acordo com o vento político. A adoção de um sistema parlamentarista ainda está longe de acontecer, apesar de ser o sistema mais viável para conter crises e evitar situações como a atual. O Brasil terá que esperar até o final de 2006 para redefinir seu destino político. No entanto, a responsabilidade na manutenção das regras do jogo econômico, mesmo que com uma política longe da ideal, é sinal de maturidade. O teste definitivo para sabermos se o Brasil tornou-se a Itália do hemisfério sul virá quando o próximo governo assumir. Partindo do princípio que até o final de 2006 o governo Lula não fará mudanças na sua política macroeconômica, resta saber como o próximo governo combinará continuidade e mudança para gerar crescimento. Um crescimento à italiana.


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