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Saúde Voltar

27/07/2018

Incontinência urinária em atletas


Há 10 dias estive numa corrida e caminhada das quais participavam 2500 mulheres. Entre jovens mulheres e senhoras, todas as que conversei relataram perder urina ou ter uma ou mais amigas atletas que perdem.

 

As ocasiões em que isso acontece são variadas: algumas perdem ao rir ou tossir, outras após o treino, outras durante. Uma delas, hoje com 32 anos, comentou que alguns anos atrás se submeteu a uma cirurgia para recompor o períneo e ficou bem. Após a alta, iniciou seus treinos e hoje em dia conta que ainda perde gotas de urina, tendo que usar até absorvente dependendo do treino.

 

Vários fatores podem causar esse incômodo, mas sem dúvida atividades físicas mais intensas ou de maior impacto mostram estar relacionadas a estas alterações, que podem aparecer num curto espaço de tempo em relação ao inicio dos treinos  ou mais tardiamente.

 

Muitas das atletas relataram achar normal perder gotas de xixi por consequência dos treinos, visto o grande número delas que sofre disso. Vale esclarecer que perder gotas de xixi é comum, mas longe de ser normal.

 

 

Foi na década de 1980 que surgiram os primeiros relatos e preocupações com a incidência das alterações do assoalho pélvico em atletas, especialmente da incontinência urinária, mesmo assim as publicações científicas são poucas.

 

No Brasil, um estudo epidemiológico com 456 mulheres mostrou que 35% delas apresentaram queixa de perda urinária e de 22 a 47% das mulheres atletas também relataram perda urinária dependendo da atividade física.

 

Há fatores que aumentam esse risco, como a constipação, tosse crônica, distúrbios hormonais, excesso de peso corpóreo e ocupações que exigem levantamento crônico de peso.

 

Outro fator de risco importante é o treino excessivo dos músculos abdominais sem a participação do períneo (músculo principal do assoalho pélvico(1) , localizado entre o órgão genital e o ânus), pois a contração dos abdominais causam uma pressão nos órgãos que estão dentro dele (bexiga, útero, intestinos etc.), empurrando-os para baixo na direção do períneo, que por sua vez, tem a função de sustentar esses órgãos. Se o períneo estiver relaxado ou flácido,  o peso dos órgãos sobre ele poderá ocasionar  perda urinária dentre outras alterações.

 

É fato que  não só mulheres atletas podem sofrer essas alterações. Segundo a International Continence Society, a cada ano que passa, mundialmente, nota-se um número crescente de mulheres em idade ativa com disfunções no funcionamento dos músculos da região dos quadris (assoalho pélvico (1) ) como por exemplo, incontinência urinária, incontinência fecal, incontinência de flatos, bexiga  ou útero caídos, infecções urinárias, dor pélvica crônica, dor durante ou após a relação sexual, problemas menstruais.

 

Podemos então recomendar o trabalho do períneo e assoalho pélvico (1) durante qualquer atividade física, nos treinamentos, nas academias, nos clubes, no cotidiano como qualquer outro músculo do corpo e os profissionais devem ser preparados e informados a respeito dessas questões inclusive das consequências do destreino dessa musculatura.

 

 

 

(1). Assoalho Pélvico: conjunto de 13 músculos na região da bacia, divididos entre superficiais e profundos; o períneo é o superficial principal.


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Eliana Tessitore

Fisioterapeuta - Crefito 3650f 
Mestre em Enfermagem Psiquiátrica (EEUSP)
RPG/ Instituto Phillipe Souchard
Diretora da "Cia de Dança Eliana Tessitore".
Facebook: Eliana Tessitore Cuide-se Bem  
Telefone - 11 96456-0777

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