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Planeta Eu

15/10/2015

Quero viver!


Todas as noites vou para a cama com um homem que admiro profundamente. Ele tem atualmente 95 anos e eu o ouço através dos seus livros, que tenho relido antes de dormir. Nunca o conheci pessoalmente. Ele é norte americano.

Marquei uma consulta com um psicólogo que fez uma apresentação de um dos seus livros. Imaginei que ali encontraria o acolhimento que sinto nesse meu autor tão querido, mas, na verdade, cheguei mentindo. Disse que estava ali porque tinha questões relativas à trabalho. Ele acreditou em mim, não leu nas entrelinhas, não percebeu um desespero que nem eu sabia que tinha ali, atrás dos olhos, e que fui apresentada a ele ao sair da sala e cair num choro inesperado e fortíssimo.

Já se passaram mais de trinta anos e hoje já entendo melhor o que se passou comigo naquele dia. Tem a ver com o que esse autor mapeou como personalidade comum em pacientes com câncer.

Bom, vamos do começo. Ele chama-se Lawrence LeShan. É um psicólogo que atendia, no início da carreira, pessoas que estavam em estágios terminais e ficava muito triste porque praticamente todos seus pacientes morriam. Foi aí que ele observou que o tratamento mais comum da psicologia que procura ver o que há de “errado” com o paciente para ajudá-lo a melhorar não funcionava com seus pacientes que estavam doentes, porque eles não tinham tempo para um processo mais demorado como esse.

Ele entendeu que tinha que descobrir com eles o que já estava certo em suas vidas. O que os fariam acordar no dia seguinte com muita vontade de viver. Qual era a canção única que só cada um deles poderia cantar. Quando eles conseguiam fazer essa descoberta, ele vinha com outra pergunta insistente: “qual é o primeiro passo?”

Ele percebeu que a grande maioria de seus pacientes tinha entendido, quando crianças, que havia apenas dois caminhos para percorrer na vida: Ser verdadeiramente quem eles eram e assim ninguém gostaria deles e os deixariam sozinhos ou criar uma personalidade “gostável” que seria amada, mas que também representava solidão, porque as pessoas em volta aprovariam e gostariam de uma pessoa que, na verdade não era real.

Esse dilema, claro, não estava visível inicialmente. Era preciso procurar lá dentro da história de cada um quando essas crenças foram semeadas. Por exemplo: um paciente se lembrou que ficava em seu quarto ouvindo seu pai interagir alegremente com seu outro filho, com quem ele tinha muito mais afinidade, e esperando que depois ele viesse lhe dar boa noite, mas isso muitas vezes não acontecia. LeShan usou então uma técnica que ele chamava de máquina do tempo. Pediu para esse paciente entrar nesse seu quarto do passado e sentir sua reação em relação ao menino que ele tinha sido. “Tenho vontade de bater nele”, ele disse. Muitas sessões depois, esse mesmo paciente, ao ser confrontado novamente com essa sua cena de menino, enfim respondeu: “Vou abraçá-lo claro! O que mais eu poderia fazer com uma criança desamparada como essa?”

A ideia era essa: possibilitar que seus pacientes percebessem que havia um terceiro caminho: ser eles próprios e serem amados assim mesmo. Não por todos possivelmente, mas com certeza por eles próprios. Seu apoio incondicional e seu comprometimento com esses pacientes é que colaborava para esse processo acontecer dessa forma. Quando eles, normalmente muito respeitosos, de repente faziam uma exigência “descabida”, como querer uma sessão extra nos feriados, ele percebia que a terapia tinha entrado no movimento ascendente. Eles estavam fazendo um teste para ver se LeSham realmente não os abandonava quando eles ousavam sair do papel de bonzinhos.

Muitos desses pacientes tiveram seus tumores curados ou estagnados, como se não houvesse mais o mesmo ambiente propício para se desenvolverem. Outros morreram, mas antes que isso acontecesse tiveram vidas muito mais plenas. Apenas uma paciente desistiu do tratamento dizendo que sabia que a terapia a estava levando a questionar seu casamento, e entre morrer e se separar ela preferia morrer.

Ele é o primeiro a dizer que não acredita que criamos nossas doenças, e que esse tipo de crença é um fardo inútil para quem já está sofrendo com elas. Ele acredita que situações emocionais desgastantes enfraquecem o corpo, consomem energia e isso, sim, pode colaborar para o aparecimento de doenças.

Ele conta que vinha pensando numa paciente que tinha sumido do consultório e a encontrou na rua. Ela o beijou apressada e alegre e disse mais ou menos assim: “estou sumida porque ando muito ocupada vivendo!” Ele ficou feliz olhando ela se afastar cheia de vida.

Por isso sou apaixonada por ele, por esse amor que ele tem por sua profissão. Por ter consciência de seu papel de apoio, por se base para que cada um encontre seu voo. Ele me inspirou a ser um pouco assim também, especialmente como mãe.

Agora, relendo um de seus livros tenho enxergado como optei também por ter uma personalidade mais palatável. Como entendi, quando criança, que os relacionamentos são um território de frágil equilíbrio que precisa ser mantido a qualquer custo para que não haja tensão, briga. O quanto me escondo de mim mesma para impedir que a terra se movimente sob meus pés. Não estou doente, isto é, não tenho esse combustível potente para produzir mudança, mas tenho meu autor preferido ao meu lado todas as noites produzindo reflexão. Como consciência é transformação quem sabe em breve eu não venha a me surpreender sendo uma Jany bem mais Jany! Estou procurando por ela! Por mim!

LeShan é autor de vários livros, mas aqui me refiro a dois deles: Brigando pela vida e o Câncer como ponto de mutação.


Na foto Mandala pintada em parede (Mandalas Joana)


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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