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Planeta Eu

19/03/2021

Para bebê! No metrô eu estava de olho nas conversas da mocinha no Whatsapp.



Naqueles idos bons tempos pré Pandemia em que dava para ficar bem pertinho, xeretando a conversa alheia. Para alguém ela escreveu: "Quero beijar tua boca", na outra conversa paralela ela teclou: "Mãe, me arruma R$ 50!". Fiquei contente que não era um beijo na boca da mãe que ela queria, embora fosse mais eletrizante para uma bisbilhoteira contar depois.

A primeira vez que vi um rapaz falar alto e sozinho numa fila achei impressionante. Ele estava desenvolto. Achei que era um maluco beleza muito seguro, até que percebi que ele usava um microfone e um fone de ouvido super discretos. Isso tudo era novidade naquela época não muito distante. Eu nunca falei sozinha porque já tenho um medo constante de que me achem louca, por isso não dou mole, mas... fiquei uns dias ouvindo um psicólogo dar conselhos no YouTube sobre relacionamentos e ele é nordestino. Sabe aquele jeito de falar delicioso? Desculpe colocar todo o sotaque lá do alto e à direita do mapa no mesmo saco, mas não sei de que região esse psicólogo é exatamente. De tanto ouvir a música da fala dele aquilo adentrou o meu ser lá no profundo e naqueles dias eu estava com uma pendência séria com um cavalheiro e comecei a falar com o dito cujo na minha cabeça, com sotaque nordestino, sobre o que estava me aperreando.

De falar na cabeça para falar embaixo da máscara foi um pulo. Estava ali no centro comercial ao ar livre e claro que ninguém ia me ouvir com todo esse distanciamento ao qual estamos nos habituando. Que delícia falar sozinha! E falar com sotaque me autorizou a falar de modo poético, assertivo. Fui andando em meio a distanciada multidão, quase desfilando, dando um banho de argumentos (e perdigotos na minha máscara) no meu interlocutor ausente. Depois até tentei gravar um áudio com o sotaque. Ia bem, ia com categoria, mas de repente caia no sotaque paulista, eu me encontrava com meu vocabulário tão meu desde sempre que, pronto, apagava tudo! Já não conseguia me explicar e reivindicar sem o nordestinês!

Bom, mas já que estamos aqui vamos lá, o psicólogo explicou que entre responder logo ou não o Whatsapp do amado, fique com sua vontade espontânea, porque, diz ele: "Pense, se você não está a fim de alguém a pessoa pode demorar mil anos pra te responder uma mensagem que você não vai se apaixonar por ela por causa disso!" Verdade! Ele é ótimo para demolir ilusões. Tipo: "Se a pessoa está a fim de você vai marcar território, vai se arrumar bonitinho prá te ver, vai te considerar uma fonte de endorfina então vai querer logo repetir a dose". E como disse meu sábio filho quando lhe passei esses nobres ensinamentos: "Se a pessoa está procurando um vídeo desses para saber se é correspondida, já pode saber que não é!". Oxente, não é que é verdade também?! 

"Para bebê!" é um bordão gritado que esse psicólogo usa quando quer acabar de explodir as ilusões. Agora vivo por aí também repetindo embaixo da máscara e sob o sol, em plena luz do dia: "Para bebê!" especialmente quando minha mão alcóolatra quer entrar em toda loja, padaria, farmácia para usar álcool gel gratuito! Olha, tô quase uma maluca beleza! E recomendo: fale sozinha embaixo da máscara, ninguém nota! Fale com sotaque! Fale abertamente! E não para bebê!! Não para nunca! E vê se responde logo esse WhatsApp do amado! 

 O psicólogo? Ele se chama Marcos Lacerda. 


Desenho de Adriana Hernandes Carneiro



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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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