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Planeta Eu

06/04/2011

Já dizia Caetano...


É clássico que quando estudantes de psicologias leem sobre patologias se sintam portadores delas. Foi o que me disseram quando eu contei que ao ler sobre pacientes border line me identifiquei muito.

Argumentei que apesar de ler também sobre esquizofrenia, psicose isso não aconteceu. Ok, eu sei que não quase nenhum dos sintomas característicos de alguém com síndrome de distúrbio fronteiriço de personalidade, que é o nome em português para Border Line.

Tenho, na verdade, dois dos sintomas mais importantes: a forte necessidade de vínculo com uma “figura de apego” e a desconfiança. Ok, eu sei: quem não tem essa necessidade, quem não tem desconfiança? Sei também que rótulos como esse podem servir à ciência e sua necessidade de criar diagnósticos e procedimentos, mas que podem ser também muito cruéis, estigamatizantes e limitadores de experiências.

Sou muito funcional no mundo “sadio”. Meus filhos têm as orelhas limpas, as minhas também (me esforço!), pago as contas e só de vez em quando saio de camisola na rua: nas madrugadas, para buscar filhos em festa! Aliás, numa manhã dessas também usei o modelito para levar filho na escola, e aí tive que por gasolina, e aí que o posto não tinha aquelas máquinas que vem até o carro e aí que tive que ir pagar lá dentro da lojinha e aí que encontrei um querido conhecido de terno e gravata. Rimos os dois.

“De perto ninguém é normal”, já cantava e liberava Caetano, mas de tão esforçada para ser funcional não me dei conta esse tempo todo do medo que tenho de não ser “normal”. Do tão escondido que eu tinha colocado minha porção border line de ser. Mas ela começou a por as manguinhas de fora. Andei tendo reações desproporcionais e fui me dando conta que tinha montado um esquema de ocultamento tão perfeito que escondia até de mim que eu era muito mais do que aquela tão boazinha que eu via no espelho. E que essa parte escondida tem uma vida muito própria, muito rica e que não aguentava mais ficar nas bordas, queria, quero ar.

Meu amigo me disse que na verdade eu estou usando essa qualificação de border line para me autorizar a trazer para fora essa minha sapeca mocinha. Ela inclusive me apareceu em sonhos e mora dentro de mim num pequeno apartamento, escreve, tem afetos, sonha, deseja.

Para que ela pudesse tomar ar, para que eu pudesse reconhecê-la, para que eu pudesse ouvir sua voz tive que aprender a falar e não mais ocultar o que tenho para dizer. Antes disso: precisei aprender a ouvir meus sussurros. Dissipar a culpa e o medo que eu tinha/tenho do estouro da bomba, de que ela pudesse dinamitar o meu mundo da maneira que eu o conheço.

Comecei primeiro reconhecendo, legitimando, autorizando o sistema de ocultamento. Não mais ocultando o oculto. Ao menos de mim. Para isso também terapia: aprender a ser honesta, a falar o que penso, a não acreditar que preciso poupar o outro de mim, das minhas necessidades. Aliás, que necessidades tenho? O que quero do outro, da vida? Fui mapeando minhas emoções, sentimentos, descobrindo onde eles estão no meu corpo. Através também de técnicas corporais capacitar meu corpo a aguentar minhas emoções, como se propõe a Bioenergética. Ter um corpo por onde circulam todas as energias do afeto, da raiva, do que for.

Raiva? Eu não tinha, dizia... Tão evoluída... Como ter raiva de quem se ama? Crianças pequenas quando tem raiva da mãe estão em perigo se a mãe não acolhe a raiva, se a mãe não está lá para deixar que ela tenha passagem pelo pequeno corpo de seu filho.

Quando me reencontrei com a raiva fui apresentada a muitas outras emoções. Meu corpo gradualmente foi passando a ter fluxo, a ser um rio aberto para todas as energias, as legitimas respostas às situações.

Ainda estou nesse processo de alinhar, integrar a Eu de fora com a Eu de dentro. A mocinha do apartamento (um quarto para si própria como escreveu Virginia Wolf) e essa aqui funcional que daqui a pouco vai fazer suas obrigações.

Sou as duas. Ando interessada no encontro delas. A integração do mundo interior e exterior, a tentativa de extinção da fronteira...


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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