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Planeta Eu

16/05/2013

Fé e liberdade


Dia desses estava mal, com uma turma de minhocas surfando na minha mente. Fui para a terapia e deitei num colchão. Vieram à tona lembranças de infância relacionadas à desconfiança. Fiz umas interpretações junto com o terapeuta e me senti aliviada por ter entendido o que estava me afligindo.


As minhocas já tinham se retirado com suas pranchas de surf e eu me levantei. Quando fiquei em pé, fechei os olhos e tive uma sensação muito real: “Bruno”, eu disse,” estou me sentindo como se estivesse numa fila de execução no Holocausto”. Em seguida tive o ímpeto de deitar no sofá encolhida, com o rosto voltado para baixo e falei: “Agora estou no barracão. Vem me arrancar daqui para me levar para a fila”.


Ele que trabalha com terapia corporal e, portanto está aberto para entrar nos processos dos pacientes, começou a me puxar com muita força. Resisti e comecei a chutá-lo dali do sofá. Ele se protegia com uma almofada. Aí me levantei e comecei a chorar desesperada (e olha que normalmente sou bem calma). Ele dizia: “Pode entrar na tristeza, mas traz junto a raiva para poder sair desse lugar, chuta!”


Recomecei, mas logo parei e apertando com o dedo um ponto no meio do peito disse chorando: “Não, não é assim que eu vou conseguir sair. Tem que ser algo com significado, me ajude, me tire daqui!”. Lembro-me de, naquele momento, procurar intensamente dentro de mim alguma ideia que me tirasse daquele lugar tão horrível e não encontrar, mas me veio uma fala: “O que um judeu como você diria para alguém nessa situação, nessa fila, prestes a morrer?”


Foi esse chamado, ele me disse depois, que fez com que ele encontrasse uma saída. E encontramos os dois no mesmo momento como se tivesse sido soprado nos nossos ouvidos: Oração! Ele foi até seu computador e colocou a reza Shema Israel e me abraçou rezando em hebraico perto do meu ouvido, enquanto eu chorava de um jeito que nunca chorei. Terminada a oração, ele se lembrou de um ponto de Umbanda que diz assim: “Você tira a minha força, mas não tira a minha Fé”.


Vidas passadas?

Logo depois saímos, já era hora, e encontrei lá fora uma amiga, começamos a conversar sobre banalidades e me vendo ninguém poderia supor que eu tinha tido aquela experiência. Bruno não acredita que foi uma vivência de vida passada. Ele aposta na hipótese de que meu inconsciente trouxe à tona através desse recurso a tendência que tenho de me colocar em situações de cativeiro. O que sei é que apesar de batizada, crismada e de ter estudado em escola de freira tenho uma atração imensa pelo judaísmo, além de sobrenome de cristão novo.


O que achei bonito nessa história foi a saída pela oração. O entendimento de que há algo em mim, em nós, que é intocável e que está a salvo sempre. A Bioenergética que é a base do trabalho do Bruno busca a expressão das emoções e isso inclui chutes, se for o caso, mas não significa que isso seja feito num contexto de violência. O terapeuta que trabalha com essa linha da psicologia está preparado para isso e cria um ambiente seguro para o paciente. Ufa!


Ter vivido essa experiência não mudou minha vida. Minhas minhocas surfistas ainda aparecem de vez em quando. Continuo não rezando, nem frequentando nenhuma igreja ou sinagoga, mas, bem lá no fundo, sinto certo alívio delicado, como se tivesse um pouco menos de bagagem nos ombros.


E tem algo que sinto querendo crescer ultimamente: uma vontade de olhar minha vida de modo mais amplo e viver de um jeito melhor, de fazer escolhas mais saudáveis e honrar a liberdade. Para isso espero que eu seja mais criativa do que a minha inércia é persistente, mais valente que meus hábitos medrosos e muito mais alegre do que triste. Saravá Meu Bom Deus!


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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