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Planeta Eu

15/04/2015

É para o melhor!


Moro num lugar que fica longe do transporte público, por isso, quando minha filha tirou carta, comprei um carro para ela e, de repente, um susto: ela bateu e foi um tanto grave. Quando o carro voltou do conserto, ela tinha se mudado para outra cidade e, claro, queria voltar a guiar, mas percebi que tenho pavor de filho dentro dessas latinhas sobre rodas. Quando eles eram pequenos, acordava muito assustada à noite, lembrando que no dia seguinte, estariam a 90 km/h na estrada, indo para a escola.

Meu medo vem do fato de ter perdido amigos próximos em acidentes. Sem saber o que fazer, enrolei o quanto pude, mas tinha que tomar uma decisão sobre levar ou não o carro para ela, na nova cidade. Resolvi, então, ouvir o que meu lado assustado tinha a dizer e ele disse que, sim, acidentes podem acontecer, especialmente quando a pessoa é iniciante, e que seria terrível se, além dela, amigos que estivessem junto, também se machucassem. Por isso, eu me disse categórica: “quando ela comprar um carro por si própria, aí a responsabilidade será dela. O certo é esperar esse momento" Fiquei impressionada com a clareza do meu lado assustado e fim de conversa, me convenci que não levaria o carro, mas, depois, me lembrei de ouvir meu outro lado daquele impasse. Ele disse que eu também dirigia quando era bem jovem, e que isso me deu muita liberdade, que muitas pessoas guiam, e por que ela não seria capaz de guiar também? Pronto, o lado que não é regido pelo medo ganhou à parada, eu trouxe o carro e estamos, esses dias, andando para lá e para cá, para ela se familiarizar com a direção novamente.

Hoje ela tinha que fazer uma conversão à esquerda e eu sugeri que ela pedisse para o motorista ao lado, também parado no farol, para passar na frente dele. Ela pediu e ele respondeu muito magoado e raivoso que não ia deixar, porque ela o tinha atrapalhado antes, a ponto de ele não ter conseguido passar no farol verde a tempo. Uma surpresa! Sim, ela deve ter mesmo atrapalhado, mas a intensidade da queixa e a agressividade dele foram surpreendentes! Antes, outro motorista também tinha ficado muito zangado, porque ela estava andando devagar, e um caminhão enorme se aproximou velozmente do nosso carro para brecar em cima e xingar, mesmo ele vendo, bem antes, que ela estava parada, esperando para entrar numa casa.

O que estou querendo dizer, com tudo isso, não é sobre essas pessoas estarem certas ou erradas, por ficarem incomodadas no trânsito, e sim para falar de como as visões que temos da vida podem ser bem diversas. Me explico: minha mãe, sempre que nos perdíamos, ou algo saía fora do esperado, dizia: “é para o melhor”. Seguindo esse raciocínio, vai que essas pessoas que hoje não puderam andar na velocidade que queriam, porque minha filha estava estreando naqueles caminhos, se salvaram de situações ruins por causa disso. Talvez o homem magoado, por exemplo, tenha chegado atrasado numa batida que iria lhe acontecer, dali a dois quarteirões, se safando, então, dessa maneira. Como saber? Não tem como, mas, se acredito nisso, que é tudo para o melhor, vou olhar para aqueles que me atrasam com leveza, gratidão, tolerância.

Ultimamente os carros param quando tem alguém na faixa de pedestres. Quem não faz isso pode ser multado. Ou seja, essa delicadeza de atender a necessidade de atravessar a rua, em segurança, é motivada pelo desejo de se proteger de uma multa, e não por querer o bem do outro. Para o budismo, possibilitar que as pessoas sejam felizes deve ser uma atividade central na vida de todo mundo. Isso é absolutamente revolucionário, não é? Imagina as pessoas, saindo de casa de manhã, pensando: quem vou ajudar hoje? Imagina o motorista magoado contando, no jantar, como ele tinha ficado contente por ter sido paciente com uma garota que parecia iniciante. Imagina todo mundo pensando no bem estar de todo mundo. Tolerância, delicadeza, cuidado, se colocar no lugar do outro! Essas seriam boas estrelas a nos guiar.

Foto: Ligia Vargas


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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