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Planeta Eu

28/07/2014

“Eu, caçador de mim”


“Pai, por que quando eu era menina, bastava você me olhar um pouco mais sério para eu ter tanto medo e te obedecer, se você nunca me bateu?”

Essa foi a pergunta que uma moça me disse que fez ao seu pai. Ele respondeu: “É que você não se lembra, mas eu bati um única vez quando você era muito pequena, depois disso nunca mais precisei bater”

Assim que se formam lentes para enxergar a vida, com esses conteúdos vividos e esquecidos. Assim que essa moça aprendeu a pesquisar olhares para se situar, para saber o quanto avançar, o quanto recuar. Assim que ela desenvolveu um bom radar que leva pela vida afora, sem perceber.

Outro dia fiz uma promessa: Não tomar mais coca cola. O motivo era tão sério e a minha decisão tão forte que até parece que recebi ajuda de alguma outra dimensão, porque estou conseguindo cumprir sem esforço. Por isso, outro dia, passando em frente ao Supermercado, pude ouvir a Sra Dona Coca Cola falando dentro de mim bem nitidamente. Ela dizia: “Vá lá, me pegue, pague, abra e me beba, geladinha, deliciosa!”

Dessa vez não obedeci, das outras costumava tentar colocar alguma oposição, mas meu andar era mais decidido que qualquer boa intenção, por isso quando reparava lá estava eu bebendo a Coca e ficando com muito açúcar dentro de mim e uma boa culpa depois.

Ontem fui numa vivência de Yin Yoga para principiantes, portanto fácil para alguém nada alongada como eu. A professora pediu algo bem simples: Dobrar um pouco os joelhos e baixar a cabeça em direção aos pés, ficando com as mãos quase tocando o chão, da maneira mais confortável que pudéssemos ficar, sem forçar nada, sem esticar além do limite. Tranquilo não? Sim, até ela dizer que ficaríamos naquela posição por dois minutos. Que eternidade, pensei. Senti pânico, uma vontade fortíssima de sair da posição! “Alguém” dentro de mim não tinha a menor condição de aguentar aquela situação! Só que eu não queria dar vexame, pensei em estratégias e achei uma: contar até cento e vinte! Lá pelos oitenta ela disse para desfazermos a posição, bem quando eu estava me acalmando.

Que resistência foi aquela? Que parte minha ficou tão abalada por tão pouco? Agora escrevendo me lembrei que na escola, quando menina, tinha que fazer essa posição num teste na aula de educação física. Lá não podia dobrar o joelho, e com a perna esticada, eu ficava anos luz do chão, durinha como sou. A professora media a distância da minha mão até os pés e anotava o meu mau resultado! Talvez tenha sido isso! O constrangimento que eu sentia, quando pequena, voltou na sensação de querer fugir da posição.

Estou curiosa comigo. Fiquei imaginando que tem um lado bem bravo dentro de mim, já que sou bem calma normalmente. E se ele resolvesse vir para fora e sair gritando? Que encrenca seria! Dia desses resolvi brincar de birra de criança. Bater os pés, exigir, chorar. Achei tão gostoso me expressar exageradamente. Experimente, é uma delícia! Melhor fazer em casa, avisando aos navegantes, que é uma brincadeira e que não precisa trazer camisa de força.

Os atores vivem essas possibilidades de terem outros comportamentos, de serem outros. Leio que as crianças pequenas, quando num dia comem cenoura e adoram e no dia seguinte já dizem que detestam, estão fazendo isso: experimentando ser!

Enfim, sou meu laboratório. Pesquiso para desmontar o mecanismo do meu reloginho, para não me obedecer quando não for bom, para não sair correndo quando nada está acontecendo de verdade. Para não ficar criando historinhas automaticamente. Para não jogar sobre o outro aquilo que é meu, já que essa é uma maneira do que está inconsciente vir à tona. Para eu sentir paz, para gerar paz.

* O título é trecho da canção “Caçador de mim” de Milton Nascimento


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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