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Paia...Assada Voltar

15/04/2009

Caipira não se aperta!


O CUMPADI Juvêncio (não sei, sempre tem que ser Juvêncio) teve de vir à capitá, móde cumpra umas maquinarias pra sua fazenda. Maquinarias aqui em São Paulo é sempre na famosa rua Florêncio de Abreu, que fica pros lados do largo São Bento, que é onde tem a grande Igreja do mesmo santo.

Pois muito bem: o tar CUMPADI meu fez as referidas compras, pagoutudo no dinheiro vivo que ele trouxe amarrado no forro da carça de brim e mandou embarcar tudo no trem de carga da mogiana, que era o trem que passava por lá na minha terra nessa época (êta sodade!). Daí, como já beirava o meio-dia, a fome começou a bater lá no estômago dele.

Foi aí que veio a indignação de matuto: onde armoçá? Como fazer pra entrar num restaurante da capitá, sem fazer feio? Como pedir comida pro garçom? É por isso que eu sempre admiro os meus CUMPADI da roça: sempre acham um jeito pra tudo. E sempre vencem suas empreitadas.

Pois não é que o meu CUMPADI teve a luminosa idéia de sentar-se num restaurante, ao lado de um CIDADÃO que, naquele momento, também ia iniciar o seu pedido ao garçom. O compadi pensou assim: "tudo o que aquela CIDADÃO> pedir, eu vou pedir também. Fazendo desse jeito, não tem como errar".

Daí a história se desenrolou assim:    CIDADÃO (para o garçom que passava) – Oh, garçom, me traga um bife a cavalo.    CUMPADI - Um para mim tomêm.    GARÇOM – (estranhando) – Os senhores estão juntos?    CIDADÃO – Não não estamos juntos. Aliás, nem conheço esse capiauaí!    CUMPADI – (seguro de si) – Nóis num tâmo junto, mas eu quero um bife-de-cavalo tomem, uai.    CIDADÃO – (ainda para o garçom) – Aproveite e traga um arroz bem soltinho.    CUMPADI – Dois. Um arroz pra mim tomem.Daí seguiu-se nesta lengalenga. Tudo que o CIDADÃO pedia, o nosso bom Juvêncio também pedia. Isso pra irritação do tal     CIDADÃO, que foi ficando vermelho.    CIDADÃO – Traga-me uma água gelada.    CUMPADI – Duas    CIDADÃO – O palitinho de dentes    CUMPADI – Dois. Um pra mim tomem    CIDADÃO – Um cafezinho pra arrematar.    CUMPADI – Dois. Um pra mim tomem.    CIDADÃO – A conta.    CUMPADI – Duas. Pra mim tomem. (Ainda bem, pensou o CIDADÃO)Foi nessa hora que o tal CIDADÃO, ao olhar para os próprios pés, notou que seus sapatos de cromo alemão estavam sujos, precisando de uma boa graxa.    CIDADÃO – Traga-me um engraxate.    CUMPADI – (no ato) – Um pra mim tomêm !     CIDADÃO – (não agüentando mais, argumenta com Juvêncio, de um jeito irritado) – Peraí ô capiau. Um engraxate para nós dois é suficiente.    CUMPADI – (na lógica matuta dele) – O sinhô num tem nada cum isso. Eu COMO um, o sinhôCOME o ôtro, uai!


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Rolando Boldrin

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Conta causos fazendo a gente saborear o modo gostoso de uma boa prosa.

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