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Mulher & Cia

04/08/2020

#disque100 pelo idoso


Memórias ao pé do fogão - Um conto sobre sentimentos guardados no coração


Vamos colocar um punhado de ervas cheirosas na água quente, fazer um chá e remendar os rasgos das nossas lembranças. Relembrar as ruas, as festas, as vivências daqueles nossos vestidos floridos, coloridos e perfumados. Agora vamos fazer fuxico com todas as memórias impregnadas em cada fibra.

 

Aquelas roupas não nos servem mais, também não precisamos mais delas, nossas vestes hoje nos deixam em conforto com nossas curvas menos acentuadas. Vamos “prozear” costurando, alinhavando as lembranças de crianças... não podíamos misturar melancia com leite, nem manga, jamais, até o dia em que experimentamos com muita coragem e descobrimos que não se morre por conta disso.

 

Hoje nós, sessentonas, sabemos que a mamãe não nos deixou por causa do chinelo virado, que a visita não foi embora pela vassoura atrás da porta e que passar embaixo da escada não impediu nosso casamento.

 

As horas passam, estou esperando que chegue uma amiga para o chá, mas ninguém aparece. Os espaços de convivência se fecharam, ficamos mais quentinhas e quietinhas em nossas casas com um medo danado do tal corona, antigamente apenas uma inofensiva marca de ducha, hoje sinônimo de medo, muito medo, sobretudo para nós, idosas e idosos.

 

Oh, vírus danado, saia daqui! Ainda sentimos necessidade de contar nossas histórias, falar do que vivemos e das “estórias” que inventamos. Precisamos, com nossas cabeças nevadas ou coloradas, reunir crianças para ouvir episódios longínquos a esses tempos, passados em outrora e que nossos entes já não aguentam mais ouvir de tão demasiadas vezes narrados por nós.

 

A cadeira de balanço, o canto de ninar, as costuras e receitas nos identificam, mas não nos resumem. Podemos desbravar a internet, devorar livros, dirigir, dançar, cuidar, além de sermos cuidados e contribuir.

 

E por falar em receitas preciso te dizer, filha, já que você gosta tanto do meu arroz, venha ver como eu faço, embora mãos de mães sejam mágicas e insubstituíveis, fique perto de mim à beira do fogo, chegue mais perto, converse pacientemente, mesmo que eu repita narrativas.

 

Outro dia, o padre Fabio de Mello disse que você pode me esquecer sentada ao Sol, que a nossa suposta inutilidade pode acarretar descaso e falta de compaixão.  

 

Não, não podemos permitir que seja preciso que as assistentes sociais tenham de procurar por nossos familiares, que muitas vezes esquecem de nos buscar na alta hospitalar, não podemos admitir que o nosso neto peça financiamento bancário em nosso nome, dívida esta que jamais honrará.  Não podemos aceitar que a nossa filha deixe todos seus filhos em tempo integral pra que cuidemos deles, além de pedir para deixarmos a comida pronta e a casa limpa, esquecendo-se que temos nossos corpos cansados, que queríamos a chance de escolher os dias para matar a saudade dos nossos netos, queremos que eles possam sentir saudades da gente!

 

 Eu gosto de preparar uma mesa farta, mas não quero que meus filhos usufruam de minhas mãos calejadas economizando os gastos com cuidadora ou doméstica, retribuindo minha rotina para suprir a necessidade deles com mimos no Natal.

 

Não é um pesar ficarmos com nossos netos, emprestar minha aposentadoria aos meus filhos, ceder meu nome legítimo e limpo aos meus familiares, é prazeroso, honroso, gratificante, mas não façam parecer obrigação, porque corremos o risco de ceder com um medo que é maior do que o do vírus, o medo de nos tornamos inúteis aos seus olhos.

 

Nesse momento vou colocar mais água no fogo, aquela já secou, enquanto eu vagava em pensamentos a espera de você chegar, será que você virá?

 

Disque 100

 

Negligência, violência psicológica e abuso financeiro e econômico estão entre os tipos de violência mais praticados contra as pessoas idosas, de acordo com dados do Disque 100 de 2019. E com a pandemia do novo coronavírus, as denúncias de violações contra essa parcela da população tem aumentado.

 

No começo de março tivemos 3 mil denúncias, em abril esse índice passou para 8 mil e, em maio, foi para quase 17 mil.

Foi criado um canal exclusivo do Disque 100 para atender idosos em situação de isolamento social. Serão prestadas informações sobre os cuidados com a doença. A equipe de atendimento também faz o acolhimento social para confortar os idosos e atenuar problemas provocados pelo isolamento prolongado.


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Ângela Maluf

Ângela Maluf é pedagoga, arte educadora, pós graduada em arte junguiana. Como pedagoga, trabalhou com pessoas com deficiência na Apae e no Ceic de Cotia. Já esteve Diretora de Cultura de Cotia, foi gestora das UBSs de Caucaia e do Atalaia e do PA de Caucaia do Alto. Também foi Secretaria Adjunta de Saúde e duas vezes Secretária da Mulher de Cotia.

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