GRANJA VIANA - Um Naco da Fazenda Carapocuyba de Afonso Sardinha

Por
João Barcellos

 

O império territorial de Afonso Sardinha – o Velho, fundador de Ybitátá, Carapocuyba, Jaraguá e Byturuna, no que à instalação dos primeiros núcleos luso-católicos diz respeito, é um império que demarca o Poder um homem que é, ao mesmo tempo, Vereador e Juiz na Villa de São Paulo dos Campos de Piratininga, ao tempo da Capitania de São Vicente, tendo sido empossado Capitão das Gentes de São Paulo na luta contra os nativos karai-yos do Piabiyu e os guayanazes do Paranapanema.

Ao instalar Fazenda & Capela na aldeia Carapocuyba dos guayanazes, o político, mercador e minerador Afonso Sardinha – o Velho ocupou uma área tão vasta no final do Séc. XVI que, sobre os mapas do Séc. XXI, pode-se dizer que era dono de parte de Osasco, de toda a Carapicuíba e do Butantã, além dos arraiais mineiros de Araçariguama [Byturuna], Jaraguá e Araçoiaba da Serra [Byraçoiaba]. Um imperador entre os sertões do Piabiyu e da Floresta d´Ypanem [Ipanema].

A famosa Fazenda Carapocuyba consta da história das atuais cidades de Osasco e de Carapicuíba, mas só agora entra na de Cotia pela aferição histórica do desmembramento que veio a originar a região residencial que é o bairro Granja Viana.

Os títulos de terras foram expedidos segundo mandava a Lei 14.916, de 06.08.1945; no entanto, a posse das mesmas foi caracterizada pela Lei 3.962, de 24.07.1957, dentro do Primeiro Perímetro de Carapicuiba.

As terras daquele sertão carapicuibano, de um lado dominado pelos nativos guayanazes [Tupiniquins], e de outro pelos nativos carijós [Karai-yo], e no qual foi erguida a primeira Aldeia Acutia (do guarani Koty = ponto de encontro/casa, o mesmo nome da Acutia-mãe situada em Santa Catarina / SC), foram divididas (entre outras famílias) por Junqueira de Aquino, J. Giorgi, Niso Viana, Monfort Ivanko, Maronna, Justo Novaes, Kenvorth, Martins, Danato, Rezende Junqueira, Vasconcelos, Tamai, Saad, Anthero Camargo, Vieira Freitas, Godoy, Nasser, Auada, Lopes Migara, Rollo, Valle, Lorenzano, Souza, Oliveira, Guimarães, Priolli, C. Baptista, Chohachi Kato, Passos Mesquita, Campos, Gama, Sampaio, Dalsboarg, Rebellato; e, perdida no percurso histórico paulista, a Família Quadros, que veio a comprar a parte onde os nativos Carijó {Karai-yo] haviam se instalado - e, onde, o governador das esmeraldas Fernão Dias Paes instalou, no Séc 17, a primeira Capela em honra de N. S. do Monte Serrat (como beneditino que era)...

O círculo comunitário da região de Granja Viana começou, oficialmente, com a medição do território pelo Juiz Comissário, no Séc 19 (ano 1888); e era tão vasta a Fazenda Carapocuyba que compreendia algumas partes de Osasco e de Embu - isto é: o Rio Cotia veio a ser o divisor histórico entre os sertões carapicuibano e itapecericano (neste, incluía-se Embu, e naquele Barueri; e, Cotia em ambos), tornando-se pólo importantíssimo para a Vila do planalto jesuítico.

 Antes disso, no Séc 16, já a Fazenda Carapocuyba havia sido anexa à famosa Sesmaria de 1580 [1], sendo aí as áreas de Carapicuíba, Itapevi [incluindo Cotia], Barueri, Santana de Parnaíba e Pirapora, tornadas oficialmente territórios da Ocidental Civilização sob o mando d'El-Rey de Portugal...afastada que estava qualquer serventia diplomática na práxis politiqueira do Tratado de Tordesilhas (1494). Por aquele ano de 1888, a Fazenda era denominada de Carapocuyba e a Quem de Direito...

Hoje, no Séc 20, com 50 Km2 de área e aproximadamente 30.000 habitantes, Granja Viana é um bairro nobre do Município de Cotia; um bairro que sedia uma infraestrutura residencial de alto nível, condomínios de luxo, e aproximadamente 75% do parque industrial cotiense (auto-peças, alimentação, metalurgia, informática, serigrafia, químicos, serviços, madeiras, plásticos, etc); No enquadramento da Rodovia Raposo Tavares, os Kms 21 e 27 sinalizam a Granja Viana.

Como o ancestral Piabiyu dos guaranis [2] havia sido fechado à circulação, por volta de 1575, para impedir o contato entre portugueses e castelhanos a sul da Linha de Tordesilhas, a região da Koty foi a única que ficou isolada e não sofreu a intervenção jesuítica.

 

[1] Sesmaria de 12 de Outubro de 1580  [Reg. Geral, Vol I, p.354]. Doação feita “Aos índios de Pinheiros e aos de S. Miguel de Ururaí”, pelo que a administração da Villa Piratininga estendia-se desde a Fazenda Carapocuyba e a Fazenda Ybitátá, por Pinheiros até Ururaí, i.e., uma região vastíssima que ia do Rio Pinheiros, alcançava o Cutia e ia encontrar nos sertões o Anhemby na altura dos campos parnaibanos de Byraçoiaba e Byturuna, o que correspondia, em parte, ao império rural e minerário de Afonso Sardinha – o Velho.

[2] BARCELLOS, João. 2004.

 

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