Mobilidade Raposo por Sérgio Folha  

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Sérgio Folha, 44 anos, é o atual Secretário de Habitação de Cotia. Tão novo, já atua na política da cidade há 13 anos, cumpriu três mandatos como vereador, foi Presidente da Câmara dos Vereadores de Cotia em 2015 e 2016, e ainda atuou como Secretário de Cultura, Turismo, Governo, Desenvolvimento Econômico e Trabalho, antes de chegar ao cargo atual. Dando continuidade à série de reportagens que temos feito sobre os impactos do empreendimento Reserva Raposo sobre a mobilidade em nossa região (veja http://bit.ly/impactosreservaraposo), o Site da Granja foi ouvi-lo sobre o assunto e ainda trouxe mais informações sobre outras questões que preocupam muito os moradores de Cotia, como verticalização, regularização fundiária, autorizações e fiscalização de invasões e novos loteamentos. Trazemos respostas que apontam para a intenção de realizar grandes mudanças em nossa região. Positivas ou negativas? Cabe a cada cidadão avaliar, cabe à população ficar atenta, cobrar ações do executivo e posicionamento de seus vereadores no que tange a possíveis mudanças nas leis de uso e ocupação do solo, para que as alterações venham realmente a melhorar o lugar onde vivemos.

Veja a seguir a nossa entrevista com Sérgio Folha:

Como a prefeitura de São Paulo aprovou o Bairro Reserva Raposo - no km 18,5  - sem consultar os municípios vizinhos sobre os seus impactos? (previsão de cerca de 65 mil novos moradores)

Sérgio Folha: A discussão e aprovação do Raposão é anterior à minha gestão, mas eu acredito que ainda há entraves que podem atrasar a sua execução, principalmente no que tange às contrapartidas exigidas.
Para a execução do empreendimento naquela região são necessários cerca de 300 milhões de reais em obras viárias na Rodovia Raposo Tavares, só ali na região, mas os empreendedores querem investir 100 milhões e deixar 200 milhões para o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que já sinalizou que não pode colocar todos os seus investimentos só ali.
Em uma reunião que tivemos no DER, na semana passada, colocamos também a nossa preocupação em relação a este empreendimento e também apresentamos propostas para melhorar o nosso trânsito local na Raposo. Cada município tem de fazer a sua parte já que a solução maior que seria um transporte de massa, um trem leve sobre rodas ou um metro, que dependem de investimentos maiores do Estado, ainda devem demorar. Enquanto isso não chega nós não podemos continuar vivendo o caos que a gente vive hoje na Raposo Tavares. Então temos que buscar soluções.

E que soluções seriam essas?

SF: Hoje, cerca de 30 ou 40% do trânsito que congestiona a nossa região é derivado do trânsito interno, dentro de Cotia, porque por falta de vias alternativas nós usamos a Rodovia como Avenida. Esse trânsito não é só de gente indo para São Paulo. Hoje nós temos pontos fortes de congestionamento na altura do 22.800. Então nós apresentamos o projeto (veja mais em http://bit.ly/projetodenovoviaduto) de uma nova alça de acesso de retorno para Cotia, ali na altura da Deola, colocando a que já existe ali apenas para acesso para São Paulo. Também há a possibilidade da Rua José Felix passar a ser entrada para Granja no sentido Carapicuíba, enquanto a São Camilo só viria no sentido Raposo e a nova alça faria o retorno para Cotia. E também pretendemos estender aquela marginal do Shopping Granja Vianna, que desemboca na Raposo na altura do Walmart, até além do viaduto. Essa solução da marginal, aliás, deve acontecer em pouco tempo porque isso não vai depender do DER, vai acontecer com uma parceria público-privada da prefeitura com empresas da região.

Qual é o peso destas parcerias no desenvolvimento destes projetos?

SF: Elas são importantes porque nós não podemos depender do Estado para tudo. Existem soluções que nós estamos pleiteando junto ao Estado há mais de 10 anos e que não acontecem porque o Estado tem outras urgências, como a ponte do São Paulo II, então a gente precisa encontrar soluções internas para resolver os problemas de acesso a aquela área. Aliás também temos projetos ali, com uma via que ligaria o Parque São George à região do São Paulo II.

E como viabilizar estes projetos?

SF: O estudo está feito, já temos o projeto funcional e agora será feito o projeto executivo, que é o que apresenta as estimativas de custos. É com ele que iremos buscar e reivindicar os investimentos do Estado.


Esse tipo de discussão sobre empreendimentos como o Reserva Raposo passa pelo Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), que reúne os municípios da região?

SF: Passa, mas na minha gestão temos discutido mais a necessidade de urbanização de algumas áreas que hoje ainda estão muito travadas pelas questões ambientais. No PDUI primeiramente se falava muito que Cotia e Embu das Artes deveriam ser cidades mais voltadas a preservação. Nós temos 40% de reservas por lei e nisso não se mexe, mas também temos áreas que precisam se desenvolver como Caucaia, até para que as pessoas possam ficar aqui e não precisem ir procurar emprego e moradia em outras cidades. Como se viu no Fórum de Desenvolvimento Urbano que realizamos este ano, Cotia tem muito potencial de crescimento.

E como vocês planejam este desenvolvimento?

SF: Caucaia hoje tem aproximadamente 70 mil moradores. Cerca de 70% vivem em terrenos não regularizados. Estamos trabalhando intensamente nas regularizações fundiárias porque isso traz benefícios para o cidadão e também aumenta a arrecadação do município. Já no PDUI, mostramos que aquela região tem uma característica rural e verde, mas também tem áreas, como na Água Espraiada, que já têm uma característica mais voltada para o desenvolvimento e urbanização, são estas áreas que estamos regularizando. E também ainda temos áreas irregulares até mesmo na região central de Cotia, que irão ser regularizadas.

E esse projeto de desenvolvimento e urbanização passa pela verticalização?

SF: A verticalização tem grandes chances de vir a acontecer no nosso município como vimos no Fórum. Claro que tem de ser feita de maneira muito responsável, observando-se as características de cada região. Tudo com regras, normas e planejamento. A opinião pública algumas vezes vê a verticalização como um mal, mas ela tem muitas vantagens também. A verticalização reduz o desmatamento porque se você faz um prédio mais alto você coloca mais gente em uma área menor e desmata menos.

Além disso, quando você autoriza a construção de um prédio mais alto, é que ele seja construído em uma área que já tenha equipamentos púbicos como escolas e postos de saúde, onde já tenha infraestrutura de saneamento, transporte com qualidade, porque o que acontecia é que eram feitos parcelamentos de terra irregulares, em qualquer lugar sem infraestrutura e depois se cobrava essa infra da Prefeitura. É por isso que hoje também estamos trabalhando firme para evitar novas invasões e novos loteamentos irregulares, um desafio em um munícipio tão grande como Cotia que faz divisa com tantos outros municípios.

Mas a verticalização deve chegar também à Granja Viana?

SF: Por que você acha que nós não temos ainda um grande hotel ou hospital naquela região? Estes empreendimento desejam estar ali, mas o zoneamento os impede. Eles não podem construir ali porque os terrenos são muito caros e eles não podem verticalizar, então o investimento se torna inviável porque a conta não fecha. Então fica a questão... A nosso região quer crescer, quer gerar empregos e ter novos serviços, mas o atual zoneamento não permite. Tudo isso vem sendo discutido no plano diretor e será discutido na Câmara dos vereadores.

Que áreas são mais procuradas para este tipo de empreendimento?

SF: Hoje quando se fala em Granja Viana, já não se pensa mais só no chamado Centrinho. Hoje a Granja Viana vai do km 21 ao 30 e é dentro dessa área que eles querem investir. Então nós temos pontos que deveriam ser verticalizados em prol do próprio desenvolvimento da Granja Viana e do comércio local. Nós temos que pensar em um centro empresarial como o que existe em Alphaville. Mas para tudo isso é necessária uma mudança na Lei de Uso e Ocupação do Solo e uma mudança dessa só pode acontecer com muita discussão e de forma muito responsável, com critérios e normas.

Cotia tem déficit de moradias?

SF: Hoje o déficit é de moradia para cerca de 3000 pessoas, que hoje vivem em áreas de risco. Quase não há moradores de rua até porque temos um trabalho forte de acolhimento na Assistência Social, quando surgem moradores de rua, muitas vezes estão vindo de cidades vizinhas. Nesta gestão pretendemos construir pelo menos 400 novas moradias de interesse social, dentro do programa Minha Casa Minha Vida.


Os desafios da Secretaria de Habitação são maiores do que os de outras Secretarias que o senhor já ocupou?

SF: São maiores porque nós não queremos ser apenas uma secretaria de aprovar projetos. Queremos fazer muito mais do que isso, por isso organizamos o Fórum de Desenvolvimento Urbano, que foi aplaudido por todos. Por isso trabalhamos em parceira com outras Secretarias como as de Trânsito e Desenvolvimento Urbano. Temos inclusive projetos de requalificação do sistema viário na região central para melhorar o trânsito local. Estamos trabalhando com projetos de Mobilidade Urbana, estamos fazendo o trabalho regularização fundiária e de combate às invasões e os parcelamentos irregulares de terras, inclusive fazendo autuações semanais junto as Secretarias de Segurança Pública e do Meio Ambiente. É uma média de 10 horas diárias de trabalho, inclusive nos finais de semana.

Qual é a sua formação, Secretário?

Eu nasci em Brasília, mas a minha família é do Piaui. Eu vim para Cotia aos 14 anos com um tio, irmão do meu pai, Félix Alves Folha, que era enfermeiro e não sai mais daqui. Estudei nas escolas públicas da cidade, como Idomineo, Pedro Casimiro e no Zacarias. E desde cedo comecei a organizar o movimento estudantil na cidade. Eu sempre tive a política no sangue. Comecei criando um grêmio estudantil na Escola, depois fundei a União dos Estudantes de Cotia (UMEC). Militei no Impeachment do Collor com o pessoal da UBES e da UNE e neste trabalho viajei pelo Estado de São Paulo e pelo Brasil. E para assumir a presidência da entidade, eu precisei ser emancipado, pois eu não tinha nem 18 anos ainda. Quando eu sai do movimento estudantil, começaram a surgir os convites para a militância política na Cidade. Me formei primeiro no magistério, depois em Letras e Direito.

Entrevista realizada por Mônica Krausz 

07/12/2017


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