Cemucam: muito barulho por nada  

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Por Mônica Krausz

Entre os dias 3 e 6 de maio, cerca de 300 trabalhadores assentados do MST pernoitaram no casarão do Parque Cemucam, que apesar de estar localizado em Cotia, pertence ao município de São Paulo e é administrado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA-SP). Vindos de vários estados brasileiros, eles estavam expondo os seus produtos na 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que aconteceu naquele período no Parque da Água Branca, em São Paulo.

Antes que o acampamento acontecesse, com a divulgação em algumas mídias da cidade, a polêmica já começou nas redes sociais. A impressão que se tinha é que um bando de baderneiros sem terra iriam invadir e ocupar o parque tão querido da cidade. Mas não era nada disso. O Site da Granja questionou a SVMA sobre a permissão para o acampamento e realmente estava tudo autorizado, apesar de o regulamento atual do parque proibir o uso noturno e acampamento no mesmo. Foi uma situação especial em que era preciso alojar aquelas pessoas.

Segundo a Secretária do Verde e do Meio Ambiente Jacqueline Dourado, os integrantes usaram a área privada do parque (leia-se casarão desocupado), não utilizando os locais públicos das imediações.

“Na sexta-feira (04), a equipe técnica da SVMA foi até o local para realizar uma vistoria. Foi constatado que o grupo de acampantes forneceu os insumos para utilização própria, tais como: chuveiros, que eles mesmos instalaram, papel higiênico, papel toalha e iluminação”, contou.

Ouvimos também representantes da Associação dos Amigos do Parque Cemucam que posicionaram-se contrariamente ao acampamento, por avaliar que o parque não tinha estrutura para recebê-los e também em respeito ao regulamento atual. “A posição da Associação, bem como do Conselho Gestor do Parque, é contrária ao pernoite das 300 pessoas, pois o parque não possui a menor estrutura para isso”, reagiu Marcia Catunda, integrante do Conselho. ”O casarão onde eles ficaram está interditado e não tem segurança contra incêndio”. Além disso, segundo ela, não havia banheiros suficientes, nem foram colocados banheiros químicos.

”Nós, independentemente de que evento for, somos contra, pela total falta de condições do parque, mesmo porque no regulamento do parque o horário de funcionamento é claríssimo: das 7 às 18 horas e não prevê que pessoas fiquem ou durmam no parque”, ressaltou.

O fato é que ao final dos quatro dias de acampamento, de acordo com o administrador do Parque, Leonardo Marques, o que se verificou foi que os visitantes apenas pernoitaram no local, não tendo havido nenhum tipo de ocorrência, nenhuma depredação e tudo o que se produziu de lixo foi retirado pelos próprios acampantes. ”Quem veio ao parque na sexta, sábado ou domingo, viu que não havia nada fora do normal”, comentou. Realmente o parque funcionou normalmente neste período. Segundo Leonardo, “eram pessoas muito simples, trabalhadores que só queriam tomar um banho e descansar para trabalhar na exposição no dia seguinte.”

A granjeira Dora Tschirner esteve lá na manhã de domingo para a reunião da Associação dos Amigos do Parque Cemucam e pode comprovar que tudo estava em seu devido lugar. ”Não houve com o pernoite nenhum elemento surpresa de degradação pelos acampados, como pude constatar visitando as áreas ocupadas”, contou.

A única ocorrência aconteceu no sábado à noite na rua que dá acesso ao parque e foi provocada por moradores de um condomínio vizinho. Segundo Marques, após a entrada de cinco ônibus com os integrantes do grupo de acampantes, alguns moradores dos arredores impediram a entrada do sexto ônibus, colocando carros atravessados na via.

Segundo relato da munícipe de Cotia, Cristina Brasil, que estava passando pelo local e acabou filmando tudo e publicando em suas redes sociais, os ocupantes do ônibus não saíram de dentro do mesmo durante todo o tempo da interdição, enquanto os moradores do condomínio que estavam impedindo a via, mais exaltados, falavam palavrões e ofensas de todo tipo ao grupo e a ela também, já que chamou a polícia e começou a filmar a cena.

Segundo ela, muitos dos moradores que bloquearam o ônibus estavam embriagados, tanto que quando o ônibus foi finalmente liberado para entrar no parque, alguns deles foram convidados a chamar parentes para levar seus carros embora.

Morador do mesmo condomínio, o vereador Marcos Nena foi chamado para interceder na situação. Segundo ele, o problema é que seus vizinhos estavam traumatizados por um evento que aconteceu há anos atrás, quando um grupo que também estava autorizado a pernoitar no parque acabou causando muitos prejuízos ao parque e na vizinhança. ”Será que a história não ia se repetir?”, disse. ”Porque na ocasião anterior, o parque ficou imundo, fizeram muito barulho após as 22 horas, até a rua do Parque ficou toda depredada”, lembra. ”Falaram muito que era preconceito, mas eu acho que foi zelo dos moradores”, avaliou.

Quem acabou resolvendo a situação foi o deputado federal NiltoTatto, que compareceu ao local e com um telefonema conseguiu provar ao comandante da PM que o grupo estava autorizado a entrar.
O curioso nisso tudo é que o Cemucam, único parque de São Paulo localizado fora do munícipio, foi criado em 1968 justamente com a finalidade de ser o Centro Municipal de Campismo para atender a grupos de escoteiros, daí seu nome. Hoje, no entanto, por questões de segurança, realmente os acampamentos não são mais permitidos pelo seu regulamento interno.

Acreditamos que a forma de abordagem do tema nas redes sociais e em algumas mídias foi bastante precipitada e leviana, o que pode ter contribuído para exaltar os ânimos da vizinhança no episódio lamentável de sábado à noite. 


Parque Cemucam
Rua Mesopotâmia s/n,
JD. Passárgada, Cotia, SP
Altura do Km 25 da Rodovia Raposo Tavares
Tel. (11) 4702-2126



11/05/2018


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