A verticalização virá! - Saiba mais 

 mais fotos:  

Urbanização, adensamento urbano, desenvolvimento sustentável, mobilidade urbana e verticalização foram temas abordados no 1° Fórum de Cotia, realizado no dia 20, na Faculdade Estácio, no Jardim da Glória, organizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Habitação de Cotia.

O evento, lotado de munícipes, além de autoridades do executivo e do legislativo de Cotia e cidades vizinhas, foi aberto pelo Secretário de Habitação, Sérgio Folha, e contou com quatro palestrantes, todos arquitetos e urbanistas atuantes em projetos de urbanização na região metropolitana como o Secretário de Habitação de São Paulo, Fernando Chucre, o cidadão cotiano Mario Luís Savioli, profundo estudioso da urbanização de Cotia; Luciene Mota Virgilio, especialista em coordenação e gerenciamento de equipes no desenvolvimento de projetos urbanos e Lacir Baldusco, Presidente do Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais do Estado de São Paulo (Graprohab).

Todos trouxeram experiências e informações importantes sobre a urbanização na região, sobre o avanço da cidade de São Paulo em direção a Cotia e a necessidade de muita discussão e planejamento em relação a estes temas. Mas o que prevaleceu, desde a fala de boas vindas do Prefeito Rogério Franco, foi a introdução do tema da verticalização no município, predominantemente horizontal, trazendo também muita preocupação em relação à nossa mobilidade já problemática, uma vez que respostas sobre o que fazer sobre esta questão não foram colocadas.

“Até hoje eu nunca vi uma cidade que não tenha verticalização, que tenha crescimento econômico e que gere mais empregos”, disse o Prefeito, que, no entanto, garantiu que nenhuma decisão sobre estas questões será tomada sem muita discussão e consenso na cidade. “O Poder Executivo da nossa cidade quer trabalhar em conjunto e em harmonia com o Poder Legislativo, o Judiciário, os empresários, os arquitetos e urbanistas, e todos os que querem ver a cidade crescendo sustentavelmente”, afirmou.

Sérgio Folha destacou o desafio do enfrentamento das questões urbanas, que envolvem as cidades e o seu crescimento. “Com o crescimento das cidades, enfrentamos grandes questões sociais na ocupação do solo, na segurança, na prestação de serviços públicos, na mobilidade e na infraestrutura urbana como um todo”, comentou. Segundo ele, Cotia sempre foi avaliada como uma das cidades com melhor qualidade de vida em função da sua cobertura vegetal e isso não pode ser perdido de forma alguma. O vice-prefeito e Secretário de Segurança, Almir Rodrigues, também chamado ao microfone, destacou a importância do enfrentamento dos desafios que envolvem a urbanização.

Apesar de terem seus nomes anunciados como presentes no evento pelo cerimonial, a reportagem do Site da Granja sentiu falta da participação, no palco de discussões, dos Secretários José Roberto Baraúna Filho, de Desenvolvimento Urbano, que tem importantes projetos na área de mobilidade para a cidade e do Secretário do Trabalho, Luís Gustavo Napolitano, autor, quando vereador, de petição pública contra a implantação do empreendimento Reserva Raposo, também conhecido como Raposão, com mais de 13 mil apartamentos no km 18 da Rodovia Raposo Tavares. Certamente eles teriam muito a contribuir no Fórum.

Para onde a cidade quer crescer?

Morador da nossa região há 44 anos, o Secretário de Habitação de São Paulo, Fernando Chucre, trouxe dados da região metropolitana de São Paulo, das ações de urbanização que vêm sendo feitas na atual gestão e destacou a importância da discussão em conjunto entre cidades vizinhas de seus planos diretores para que uma não prejudique as outras. “Quando elaboramos um plano diretor, é a grande oportunidade que a gente tem chamar a população para discutir a cidade que se quer. Pra onde a cidade vai crescer? Que áreas devem ser preservadas”, disse.

“Hoje, por exemplo, temos uma divisa de município aqui em Cotia, com uma região como a da Granja Viana, que tem um zoneamento restritivo horizontal, de baixa densidade e um município vizinho, que de repente, permite construir ao lado da sua casa, mas do outro lado da divisa, uma torre de 40 andares”, lembrou. “Isso causa uma série de problemas para quem reside nas áreas de transição de um município para outro”, explicou.

Entre as ações que estão sendo desenvolvidas atualmente em sua gestão na Secretaria de Habitação, ele destacou a outorga onerosa, que cobra um x a mais das construtoras para cada pavimento que eles constroem em uma nova edificação. Esses recursos, segundo ele, vão para o Fundo Urbi, que financia habitações de interesse social, novos equipamentos públicos, unidades de conservação ambiental e outras ações de interesse comum para a população.

“Hoje 30% dos recursos da Secretaria de Habitação vêm deste fundo”, explicou. Fernando Chucre que ainda destacou que hoje a atual gestão de São Paulo opta por construir habitações populares também nas chamadas “áreas nobres” para que a população não tenha de se deslocar muito para as regiões de maior concentração de emprego. Segundo ele, os deslocamentos geram poluição, congestionamentos, gasto de energia com combustível, entre outros problemas que devem ser evitados.

Ainda sobre mobilidade, Chucre destacou que a Prefeitura de São Paulo também vem incentivando investimentos das construtoras na malha viária e no sistema de transportes públicos das regiões onde pretendem construir. “Você permite compra de potencial construtivo adicional para que se implante melhorias nos transportes da região como um todo”, explica. Segundo ele, isso será feito na Raposo, por exemplo, onde está sendo construído o Reserva Raposo.

Outras ações que reduzem deslocamentos, segundo ele, é a criação de mais áreas mistas onde o residencial se mistura às áreas comerciais, a criação de equipamentos como os poupa-tempos, que reúnem vários serviços em um só prédio e o desestimulo a criação de vagas de estacionamento para que a população use mais o transporte público.

A Capital engolindo Cotia e Região

A palestra do arquiteto Mario Luís Savioli, mestre em planejamento urbano e autor de diversos livros sobre o desenvolvimento da região oeste metropolitana resgatou todo o histórico de desenvolvimento de Cotia desde o tempo dos tropeiros que se deslocavam por caminhos de terra de São Paulo a Sorocaba. Passou pelos coronéis proprietários de terra, pela devastação de nossas matas pelas carvoarias que abasteciam a Capital com carvão para geração de energia elétrica das indústrias, pela chegada dos japoneses, depois os portugueses, até a criação da Rodovia e o desenvolvimento da cidade em torno de seu trajeto.

Para ele a Capital vai engolir Cotia. “O Rodoanel freou um pouco esse avanço, mas logo a Capital vai pular este obstáculo e chegar até a Serra de São Roque”, previu. Ele contou ainda que em 1991 foi a aprovada a primeiro plano diretor do município e a primeira lei de uso e ocupação do solo. A lei se propôs a preservar os principais motivos pelos quais o município é procurado, o seu meio ambiente. “O plano de 91 entendeu a tendência de crescimento da Capital em direção a oeste. Planos posteriores foram mais para corrigir pequenas distorções. Também serviram para cobrir obrigações de financiamentos ao município. Mas foram reedições do plano de 91”, explicou.

Para Savioli, sem um plano setorial do sistema viário e sem os estudos necessários de mobilidade urbana o município ficou engessado e isso já era previsto em 1991. “O sistema viário estrutural de Cotia continua usando a rodovia como nos primórdios, quando a sua circulação interna não tinha a menor importância, Sem planos setoriais, a rodovia foi saturada pelos veículos dos assentamentos residenciais. Muito trânsito para uma rodovia que deveria fazer a ligação entre interior e capital”, disse. “A Rodovia Raposo Tavares se tornou uma avenida local onde o município despeja irresponsavelmente o seu trafego doméstico”, afirmou, sugerindo a criação de vias paralelas a rodovia para assimilar o tráfego local. “Urge investimentos imediatos, que por sinal não são tão altos assim, para que a cidade não entre em colapso”, sentenciou.

Quebrar Paradigmas

A palestra da arquiteta Luciene Mota Virgílio também falou da importância da existência de equipamentos públicos e infraestrutura nas regiões residenciais para atender a população com menor necessidade de deslocamentos, abordou a importância da restrição de veículo, o incentivo ao uso da bicicleta e transporte público e alternativas de verticalização escalonada de prédios, mais baixos em certas regiões até chegar em regiões com prédios mais altos como acontece em algumas cidades litorâneas. Sobre a questão do adensamento, na cidade de Cotia, com foco na questão da verticalização.

“Eu sei que este é um tema bem polêmico aqui no município, mas eu acho que valem estas discussões, valem estudos, vale ir para fora e observar o que está sendo feito lá fora, mas eu acho que a gente tem de começar a quebrar alguns paradigmas”, sugeriu. “Quando você pega um terreno de 10 mil metros quadrados e você verticaliza toda aquela infraestrutura pública existente lá, seja de saneamento, seja de iluminação pública, de transporte público que poderia ser acessível para um número menor de pessoas, acaba sendo acessível para um número maior de pessoas”, argumentou. “Morar em um condomínio horizontal e do lado ter uma torre de 35 andares, isso é um exemplo de falta de planejamento”, comentou a arquiteta. “Nas alterações de plano diretor, essas questões devem ser discutidas com a sociedade.”

De 2012 a 2016 foram licenciadas 9838 unidades habitacionais

Finalizando o encontro o arquiteto Lacir Baldusco, morador de Itapecerica da Serra, também trouxe dados alarmantes quando se pensa na chamada Rodovia Raposo “Travada”. De 2012 a 2016 foram licenciados 17 empreendimento horizontais em Cotia, com 4822 unidades habitacionais e 14 empreendimentos verticais com 5016 unidades, em um total de 9 mil unidades. “Nós temos 15 loteamentos em processo de licenciamento e 9 condomínios em processo de licenciamento, que podem gerar 8019 unidades. Some a isso mais 9838 unidades já licenciadas e veja o impacto que a cidade terá com todos esse empreendimentos implementados”. São mais veículos nas ruas, mais escolas, mais transportes, mais postos de saúde. “Tudo isso tem consequência direta na vida das pessoas”, lembrou.

Segundo Baldusco, o numero de unidades habitacionais dos condomínios horizontais e verticais já é quase igual. Então a verticalização vira. “A discussão não é se eu quero ou não quero. Ela vira, a discussão é de que forma ela virá. Planejada ou não”, questionou. O que fazer? Para ele as soluções têm de ser construídas na própria cidade porque cada municpipio tem as suas peculiaridades.

Todos os palestrantes foram homenageados com uma escultura de Ipê Amarelo, que simboliza a cidade, feitas por um artesão de Cotia. Que venham mesmo outros encontros pois muito há que se discutir e questionar pelo bem de todos.

Por Mônica Krausz



26/10/2017


Procure também por:

> Urbanização
> Fórum
> Cotia
> Planejamento Urbano
> mobilidade
> verticalização
> Rodovia Raposo Tavares

<< voltar

  • Comentários (0)
  • Comente aqui
  • Indicar para amigo(a)
  • Imprimir
Nenhum comentário.

Preencha os campos abaixo:

Nome:
E-mail:  Exibir e-mail
Título:
Comentário: 
Seu comentário sobre essa matéria, será avaliado
e publicado no prazo máximo de 48 horas.
OKE   

Indique esta notícia a um(a) Amigo(a):

Seu Nome:
Seu E-mail:
Nome Amigo(a):
E-mail Amigo(a): 

newsletteranuncie

Receba nosso informativo semanal