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07/03/2012

À beira de um

"Ser mãe é padecer no paraíso", já dizia a minha avó.


"Ser mãe é padecer no paraíso", já dizia a minha avó. É o ditado mais sábio que já ouvi na vida. Quando a minha primeira filha nasceu, eu era muito jovem e com idéias revolucionárias na cabeça. Tipo geração Coca-Cola, Beatles, Rolling Stones... Em seguida, nasceu meu filho e, dois anos depois, a caçula. Alguns valores haviam mudado e eu tinha plena convicção de que seria a mãe ideal: "Nunca vou sufocar meus filhos com cobranças...", ditava.

Comprava pilhas de livros sobre Educação e Psicologia, a revista Pais & Filhos, manuais, etc. Lia-os e relia-os à medida que as crianças cresciam. Optei pela linha liberdade com responsabilidade (quer dizer, mais ou menos). Afinal, me considerava uma privilegiada. Desde cedo, meus filhos se mostravam as melhores crianças do mundo: não sofriam de cólicas, dores de ouvido, nem faziam manhas. Sempre dormiam a noite toda como anjos. Além disso, eram as mais educadas, as mais inteligentes, as mais bonitas. Pobres dos outros pais, sempre às voltas com problemas.

Os anos passaram, os tempos mudaram (mais ainda!) e eles continuavam sendo os mais educados, os mais inteligentes, os mais bonitos... Só que tinham crescido! E sem ao menos me avisar. De repente, houve uma debandada geral. Se havíamos passado poucas noites em claro, hoje em dia, os finais de semana viraram verdadeiras maratonas e um teste para os meus nervos. Começava sempre a semana em frangalhos e com olheiras profundas. E o que mais me dava raiva era chegar no trabalho e ter que ouvir: "Nossa! A sua aparência tá horrível! O final de semana foi bom, hein?".

É... Ter filhos adolescentes ou jovens não é fácil. Ainda sou uma mãe moderna e que confia nos filhos. Mas, não adianta. Mãe é mãe. Aqui, ou na China é tudo igual, só muda o endereço. Não dá pra entender...Por que os jovens de hoje têm essas essa maldita mania de arrumar programas e festas justamente nos finais de semana? Isso sem contar as viagens...

Eu, por exemplo, trabalho a semana inteira e espero, ansiosamente, os finais de semana para dormir até mais tarde. Impossível! Quando estou me preparando para deitar, eles estão se arrumando para sair. Eu então fico parecendo uma barata tonta e psicótica, questionando aonde vão, com quem vão, como vão e a que horas voltam. Munida de papel e caneta, vou anotando telefones, endereços, etc. Faço mil recomendações. De vez em quando até apelo: "Olha, cuidado, o jornal anunciou um vendaval", ou, "Ah! Ia me esquecendo. Tem uma quadrilha seqüestrando jovens!". Adianta alguma coisa? Nada! Os jovens acham que são invulneráveis e que nada pode acontecer com eles. Dizem simplesmente: "Fica fria, mãe". E se mandam, lindos e perfumados, deixando você com cara de vaca olhando vitrine. Eu vou para a cama com uma promessa: "Devo ser equilibrada. Nada de mal vai acontecer. Estou me preocupando à toa. Que coisa! Acho que estou ficando velha e neurótica."

Deito e começo a assistir todos os programas na TV. De repente, tenho uma recaída. O noticiário da noite relata assaltos, seqüestros relâmpagos, acidentes, brigas em danceterias, rachas. Me pego trincando os dentes. "Tenho que relaxar. Quem sabe um pouco de alongamento, Tai-chi-chuan, yoga... A posição de vela irriga o cérebro". Começa o programa da Igreja Universal. O pastor anuncia que o mundo está perdido. Um jovem criado nos sãos preceitos da moral cristã, de repente, virou assaltante... Não! Traficante! "Uma carinha de anjo que esconde o diabo", diz o pastor começando a exorciza-lo. Credo!

Fico deprimida. Quantos perigos tem esse mundo...Um pensamento me vem à cabeça: "Por que não preparei meus filhos para seguirem uma carreira religiosa?". Levanto, vou à cozinha. Um leite morno cai bem. E o maldito relógio? Parece que anda mais rápido que o normal. Uma hora da manhã, uma e meia, duas... De repente, toca o telefone. Quase caio da cama de susto. "Alô". Do outro lado da linha, uma voz meiga: "Mãe?". Disfarço... "Oi filho, onde você está?" (voz zen). "To ligando pra dizer que a festa tá bombando e vamos demorar mais um pouco. Não se preocupe. Quando chegar, te acordo". "Tá bom filho e CUIDADO!", digo. Mas o que será que ele quis dizer com "festa bombando"?

Em todo caso, fico mais tranqüila. Dá até pra dar uma cochilada. Afinal, não aquento mais de sono. Mas por pouco tempo. Acordo e olho o relógio digital no escuro: 3h, 3h30, 4h. "Que raio de festa que não acaba mais?". A essas alturas dou voltas pela sala, quase abrindo uma trincheira no chão. Resolvo me distrair. Rego as plantas, tiro as teias de aranha do lustre, dou banho no cachorro. De repente, ouço o motor de um carro entrando na garagem. Olho pela milésima vez o relógio: 6h da manhã. E lá chegam eles com as caras mais deslavadas do mundo; "Oi mãe! Bom dia! Já acordou?"

Por: Angela Miranda








 

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