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30/03/2011

Notícia - “Grande São Paulo –

Oxímoro urbano.


Oxímoro urbano. Assim foi definida a cidade de São Paulo pelo professor de geografia da USP, Dr. Jaime Tadeu Oliva, em palestra promovida pelo Movimento em Defesa da Granja Viana (MDGV) na 2a.feira, dia 21, no João do Grão, pizzaria da Granja Viana. Oxímoro é uma figura de linguagem caracterizada por uma expressão paradoxal, como "silêncio ensurdecedor", "escuridão de doer os olhos", "calor congelante" etc.

O professor explica a afirmação: "São Paulo é um mundo urbano que não quer ser urbano", ou seja, é uma cidade que não trabalha para ser uma boa cidade, com tráfego, segurança e serviços públicos de qualidade.

Segundo Jaime, a cidade não acaba nos seus limites políticos. Há vários municípios (incluindo Cotia, Carapicuíba e Osasco) que compõem a cidade de São Paulo, a chamada Grande São Paulo. As pessoas transitam por esse espaço diariamente, tem cotidianos que vão além dos limites da cidade que moram ou trabalham. É a realidade de muitos granjeiros: suas casas estão em Cotia ou Carapicuíba, mas o trabalho fica em São Paulo.

O geógrafo entende que o problema dos municípios é não ter governos que pensem no que está fora dos limites da cidade. Eles não tem consciência de que as ações dentro do seu território podem afetar os municípios vizinhos. Exemplo deste tipo de atitude pode ser conferido no recente projeto de criação de prédios populares em Carapicuíba, com saída para a Avenida São Camilo (que também passa por Cotia) e que pode causar muitos transtornos para quem circula pela rua.

Outro exemplo é São Paulo, que restringiu a circulação de ônibus fretados dentro da cidade, apesar do metrô não ter sido expandido para além dos seus limites, afetando, assim, os trabalhadores de fora, que ficam sujeitos a um transporte público insuficiente ou a carros, que poluem e contribuem para o trânsito já carregado.

Por fim, o professor criticou o modelo de habitação que se tem implantado aqui: há vários condomínios fechados, dentro e fora do município de São Paulo, com nomes estrangeiros (geralmente em italiano ou inglês), e com apelos do tipo: "venha morar com liberdade" ou "viva bem sem sair de casa". Esse modelo de habitação, no qual as pessoas não precisam sair de casa para ir ao clube, ao parque etc, não tem relação alguma com o modelo de habitação europeu, que prioriza atividades ao ar livre e, principalmente, otimiza circulação urbana, por meio do transporte público. Além disso, a liberdade é relativa: ela se estende por algumas ruas, mas acaba em muros altos e protegidos por cercas elétricas ou de arame farpado.

Sobre carros, Jaime afirmou haver uma romantização de seu uso em detrimento do transporte público. "O jovem de 18 anos que ganha um carro dos pais é considerado ou um "filhinho de papai", ou um rapaz trabalhador, por já ter um veículo tão jovem. Mas não se discute o impacto que esse carro terá no trânsito", diz ele. "O carro hoje é um símbolo de status", completa. Automóveis são parte tão indispensável no cotidiano das pessoas que chegam a pesar inclusive no preço de um apartamento - as vagas na garagem de um prédio podem valer até 25% do valor do imóvel, segundo o geógrafo.

Todas as questões levantadas por Jaime são pertinentes ao cotidiano de nós, granjeiros. A discussão é importante para pensarmos o nosso ambiente urbano e começarmos a refletir sobre o que deve ser feito daqui para a frente, levando em conta o quanto esses dados abordados interferem na nossa qualidade de vida.

Matéria e fotos: Victor de Andrade Lopes








 

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