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11/10/2005

Alemanha unida, 15 anos


Foi por volta das sete horas da noite de 9 de novembro de 1989 que, durante conferência de imprensa, um membro do governo da República Democrática da Alemanha foi indagado sobre quando a nova lei de viagens ao exterior entraria em vigor. Sua resposta foi: “Entendo que.…a partir de agora, imediatamente”. Milhares de alemães orientais dirigiram-se às proximidades do muro de Berlim. Na Bornholmer Strasse as pessoas demandavam a abertura da fronteira as dez e trinta da noite. E foi o que aconteceu. A partir daquele momento, a fronteira mortal entre as duas Alemanhas estava aberta e os alemães puderam se encontrar de novo pacificamente. Mais notável ainda é que em menos de um ano, no dia 3 de outubro de 1990, a Alemanha estaria novamente unida.
No período de pouco mais de dez meses o então chanceler Helmut Kohl contou com ajuda dos fatos e fez todas as negociações necessárias para fazer da Alemanha novamente um país unido e soberano. Apresentou um programa de dez pontos com “estruturas confederativas”, o Partido Socialista Unido (SED) se desintegrou, o portão de Brandenburgo foi aberto, garantias de Gorbachev foram asseguradas, o setor privado ocidental orientou suas ações para o leste, um programa de integração monetária foi aprovado, o acordo com as quatro potências ocupantes foi assinado, a Ex-Alemanha Oriental deixa de existir e passa a fazer parte da jurisdição da Grundgesetz. A Alemanha se une em um Estado - um dos mais espetaculares acontecimentos políticos do século XX.

Foram muitos os estudos e as especulações para determinar o tempo necessário para integrar totalmente aquilo que significava a ampliação de um terço de território, um quarto de população e um sexto de produto econômico ao que se conhecia como Alemanha Ocidental. Os mais otimistas acreditavam que do ponto de vista econômico a Alemanha estaria totalmente integrada em cinco anos. Outros mais moderados acreditavam que uma década seria o suficiente. Quinze anos depois, verificou-se que os mais realistas foram aqueles que previram uma geração, isto é, vinte e cinco anos para que os últimos sinais do mundo do socialismo real pudessem ser totalmente aniquilados. Quinze anos depois o progresso realizado pela sociedade alemã foi notável, mas não suficiente. O enorme esforço fiscal e a transferência de um montante que ultrapassou US$ 1 trilhão dos bolsos dos alemães ocidentais para os orientais, serviram para reduzir as diferenças entre os dois lados, mas não eliminá-las. Um gap de produtividade ainda persiste. Um trabalhador nas regiões da Ex-Alemanha Oriental ainda não se equipara ao das regiões ocidentais.

Mais complicado é a questão do “muro psicológico”, a diferença de concepção de mundo entre os dezesseis milhões de alemães orientais diante dos sessenta e cinco de ocidentais. Quinze anos depois, apesar da unificação, permanece a constatação de que o desemprego nas regiões orientais é proporcionalmente maior do que nas regiões ocidentais, provocando sentimento de nostalgia e inconformidade.
As eleições de setembro último explicam este quadro com clareza. Como se pode explicar que o novo Partido Socialista Democrático (Die Linke) tenha alcançado mais de oito por cento dos eleitores, conquistando 54 cadeiras no Parlamento e se tornando a quarta maior força política na Alemanha, ultrapassando inclusive o Partido Verde? Após quinze anos o custo da unificação sem reformas tornou o Estado social alemão impagável. Para aqueles que viveram na fantasia de um Estado provedor a unificação acabou sendo um embuste. Para aqueles que acreditavam que bastava a liberdade para que os compatriotas do outro lado pudessem trabalhar e gerar riqueza como eles, também houve decepção. E aqueles que acreditaram que reformas no Estado viriam inevitavelmente para adequar o Estado social a uma sociedade que envelhece também se enganaram.
Ninguém discorda que a conquista política da unificação compensa qualquer erro de cálculo econômico. Mas chegou o tempo de mudança e ajuste e a sociedade se dividiu. A paralisia em que o eleitor colocou a Alemanha nas eleições de setembro mostra que ainda não chegou o tempo da completa reunificação. Será necessária mais uma década para que as diferenças entre o leste e o oeste sejam apenas um retrato do passado.


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