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Planeta Eu

08/03/2018

Vamos de mãos dadas!


Na minha terra conheço os códigos e costumes e sei me proteger ali. Viajando pela Índia fiquei numa situação muito mais vulnerável. Por exemplo, numa cidade pequena e muito turística, minha filha sofreu um assédio quando estava comigo numa rua escura. Um rapaz numa moto queria insistentemente pagar pra fazer sexo e, como ela recusou, ele começou a simular uma ruidosa masturbação. Dei três gritos poderosos pedindo ajuda e ele se foi.

No dia anterior uma garota de vinte anos que estava conosco também tinha sido assediada por um homem. Depois disso comecei a notar que muitos garotos e jovens tinham um olhar malicioso na direção da Julia e finalmente entendemos o que estava acontecendo. Muito provavelmente os filmes pornográficos e muitos clips de música, em que a mulher aparece com atitudes sensuais, estavam ensinando ao masculino daquela e de muitas cidades que nós, mulheres ocidentais, estamos interessadíssimas em sexo casual e desenfreado.

Dali pra frente fiquei muito assustada por sentir que estávamos presas num imaginário deturpado. E fiquei muito sensível à questão das mulheres que são assediadas nos metrôs, ruas, trabalho. É muito ruim pertencer a uma classe desfavorecida, como aqui, onde estou agora, junto aos tibetanos que viram suas terras e vidas serem brutalmente invadidas pelo governo chinês.

Li que no cérebro temos uma área que produz a empatia e tem outra que é fria em relação ao outro e o vê como objeto. Quando esse último modo de operar entra em ação, torna-se possível que coisas atrozes aconteçam, como por exemplo, numa guerra, vizinhos antes amigáveis uns com os outros, se matem por pertencerem a etnias diferentes. O livro explicava que para isso acontecer a propaganda ou notícia manipuladora também está por trás.

Sendo assim, precisamos, como mulheres, ficar atentas ao quanto estamos colaborando para manter as coisas nesse caminho. Percebi que, como mãe, eu tenho a ideia deturpada de que ter um homem tem mais valor do que não ter. Tenho amigas que incentivam seus filhos sutilmente a "comer" todas as garotas. Tem pai que dá para o filho revistas de mulheres nuas. Achamos bacana quando nossa filha posta uma foto onde ela parece sexy.

E principalmente não sabemos dizer aos nossos filhos e filhas que o corpo é sagrado, que fazer amor é colocar os dois corações envolvidos muito próximos.
Eu não soube dizer, porque ao querer agir em direção contrária à da geração conservadora dos meus pais, entrei numa liberalidade sem reflexão que me levava a transar com alguém que conhecia no mesmo dia. E a geração dos meus filhos têm repetido esse padrão, também sem reflexão.

Um rapaz que encontramos na viagem contou que baseou sua sexualidade na pornografia porque era sua única referência. Ao transar pela primeira vez num prédio em construção foi correndo contar para os amigos porque era isso que importava.

Quando se apaixonou, descobriu uma sexualidade não mecânica, não dominante, como ele disse, e foi muito lindo. Todos estamos sofrendo com a ganância de poucos. As cidades asiáticas e de todos os lugares onde não há um governo para protegê-las, estão lotadas de carros tornando o ar irrespirável, as garrafas plásticas e embalagens industrializadas estão por toda parte poluindo as ruas, os mares... Bebidas lotadas de danoso açúcar chegando aos lugares mais remotos. A pornografia e a publicidade transformando as mulheres e a sexualidade em objetos.

Enfim! Esse é o nosso mundo.
O que está diariamente nas nossas mãos, para ter algum jogo nessa situação, são nossas escolhas, nossa consciência. Perceber o quanto estamos colaborando para manter as coisas dessa maneira opressiva em relação à mulher e também ao homem, como disse outro amigo, ao contar das vezes que foi também assediado por homens e também mulheres.

Enfim, humanos, vulneráveis e fortes, feminino e masculino. Somos muito mais lindos do que a pornografia mostra. Não somos objetos e estamos por pouco tempo nessa linda Terra. Que nossa consciência possa sempre se expandir de modo que possamos perceber quando estamos contribuindo para criar céu ou inferno para os outros.

A expressão "Vamos de mãos dadas" do título foi Silvia Rocha quem trouxe da poesia de Carlos Drummond de Andrade, ao escrever ela também sobre a condição feminina.

Ilustração : Julia Vargas


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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