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Planeta Eu Voltar

06/09/2017

Piquenique com os Seres de Luz!


Tem aranha fazendo teia, tem gente apagando a luz do quarto do filho que acaba de adormecer. Tem cachorro abanando o rabo. Tem medo no meu coração, tem alegria também. A vida corre sem que eu possa detê-la. Sem que você possa! Amanhece, anoitece. Ou estamos deitados, sentados ou em pé. 
 
Um homem que também só faz deitar, ficar em pé ou sentar, lá na Coreia do Norte, testa armas de destruição em massa. Que assustador!

Penso no violento exército mongol de Gengis Khan que, no século XIII matou milhares pessoas quando dominou um vasto território que incluiu toda a China - que, por sua vez, hoje, domina o Tibete desde 1950. A brincadeira continua a mesma de sempre. Pessoas destruindo e pessoas maravilhosas cuidando. Gente entretida em amar e gente entretida em destruir. 
 
Um rapaz me disse: “Você não sabe o que aconteceu no Workshop de Dança Circular do Fabiano!” (Fabiano não é o nome verdadeiro, estou mudando seu nome para ser uma indiscreta um pouco discreta!)
“Conta!”, eu disse, e o rapaz contou: “Quando acabou o Workshop, Fabiano disse: Quem quiser ir embora pode ir, eu vou continuar dançando”. 
 
O rapaz que me contava não foi embora e continuou dançando com Fabiano, e foi aí que ele viu que, além da roda de pessoas, havia dentro dela uma roda de seres de luz e no meio do círculo entravam espíritos de moradores de rua. Sobre as feridas que haviam no corpo deles uma luz se aproximava e cicatrizava os machucados. Contou também que quando acabou a roda Fabiano tinha lágrimas nos olhos e disse: “Preciso fazer um trabalho.” 
 
E eu perguntei ao rapaz, que é espírita: “Você contou isso pro Fabiano?” E ele me respondeu: “Não contei, não falo dessas coisas, é que você sempre me pergunta!” 
 
Em seguida - era um evento de dança - encontrei o Fabiano e ele me falou: “Aconteceu uma coisa incrível outro dia no final de um Workshop! No meio da roda começaram a entrar espíritos de moradores de rua com quem eu tinha feito um trabalho”. Eu ouvi e disse: “O rapaz me contou que também viu! E viu também uma roda de seres de luz entre vocês e os moradores de rua!” Fabiano disse que tinha percebido que o rapaz também tinha visto alguma coisa. 
 
Apesar de gostar muito dos dois, não sou amiga íntima de nenhum deles, e achei curioso que ambos tivessem vindo me contar. Já faz alguns anos que ouvi essa história e hoje ela quis ser contada aqui. Talvez por isso que ela tenha vindo a mim. Para que um dia você também pudesse saber. 
 
Nunca vejo nada na minha roda de Dança Circular, mas pessoas me contam às vezes que viram algo. Uma índia ao meu lado, cores no meio da roda. O bom de ouvir sobre essas histórias que elas me acalmam um pouquinho em relação ao homem da Coreia do Norte. Pelo jeito há mesmo em jogo muito mais do que podemos enxergar. Se há seres de luz, quer dizer que há luz para iluminar a escuridão do medo! Isso realmente “me acalma, me acolhe a alma”, como diz a música da Marisa Monte. 
 
Tenho prestado atenção no que possa ter em comum com o homem da Coreia do Norte, na minha capacidade de destruição e violência. Para poder escolher o lugar em que quero estar nessa vida, o impacto das minhas atitudes. Consciência sobre o que estou criando e o que estou destruindo cotidianamente e apesar da minha incapacidade para vê-los bem que quero a companhia constante dos seres de luz! 
 
Leio que o vocábulo companhia se originou de “com panis” em latim, que significa aqueles que comem o pão junto. Puxa! estou muito interessada neste piquenique! Eu, você, o homem da Coreia do Norte e os seres de luz comendo juntos o pão! Um lindo piquenique por um mundo mais pacífico e amoroso! Amém! 
 
Na foto, mandala de autor desconhecido que encontrei em uma casa no Matutu em Minas Gerais.


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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