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Planeta Eu

20/09/2018

Leva meu coração?


Quando ela chegou na fronteira do Peru, por terra, partindo de Assis Brasil, não pode passar... Estava com a carteira de motorista e não com a Identidade. E aí me ligou. Fui ao correio: seis dias úteis para chegar o documento em Rio Branco, no Acre. Outra transportadora? Só os Correios podem levar documentos.

 

Muito tempo para esperar. Seis dias úteis e a vida pulsando logo mais em Cusco. Um encontro de Abuelas. Avós, em português. Mulheres que detém os conhecimentos tradicionais, especialmente da Cultura Andina. Qual era então a única possibilidade? Eu encontrar alguém no aeroporto que estivesse indo para Rio Branco para levar o passaporte para ela.

 

Puxa vida, que missão!  Justo eu que detesto pedir qualquer coisa para alguém. Sou daquelas: “não quero incomodar, não quero incomodar, não quero incomodar”! Vezes 15. Mas qual seria outra opção? Dizer espere aí seis dias úteis e perca a vida pulsante do lado de lá da fronteira? Meu coração disse: “sem chance”.

 

E lá fui eu pra Congonhas com os horários que Julia me passou dos voos para Rio Branco. Cheguei no Check-in, tem umas salinhas, mas não podia naquele território com dono – tinha lá a moça da Latam – abordar as pessoas. Então fiquei na saída e perguntava: “Você vai para Rio Branco?” Ninguém ia, só um rapaz me perguntou porque eu queria saber. Respondi: “É pra levar um passaporte pra minha filha”. Na minha voz percebi aquele tom de orgulho que tenho da aventureira sagitariana que chegou na minha vida para ser minha filha mais velha.

 

Depois de muitos nãos que recebi, deduzi que a estratégia não estava funcionando, por isso subi a escada rolante, fui para a área de embarque e continuei perguntando. Me sentia vendedora do Baú da Felicidade. Imagina! Quem vai de SP para Rio Branco? Agulha em palheiro. Desci e fui falar com a funcionária da Latam  que disse com a firmeza que eu queria sentir: “Impossível o Correio não ter um serviço mais ágil. Impossível!”.

 

Peguei o celular e descobri que tinha uma agência dos Correios chamada Aeroporto que ficava perto dali. Liguei, primeiro ocupado, depois não atendia, resolvi que ia lá pessoalmente. Fugir! No caminho olhei para os chocolates. e pensei: vou me atrasar para o próximo Check- in parando pra comprar. Mas aí lembrei da qualidade que a minha vinda ao aeroporto precisava ter. Julia tinha dito: “Mãe, vai rolar magia pra você encontrar alguém que traga o passaporte”. Nesse caso, então, dá pra comprar o chocolate! Imagino que magia lide com o tempo e espaço não linear. Certo?

 

Chocolate na boca, peguei o carro, fui até o Correio, para ouvir que o prazo eram seis dias úteis mesmo. Enquanto isso Julia estava num ônibus, numa viagem de seis horas, indo de Assis Brasil para a Rodoviária de Rio Branco, para dali pegar um ônibus para o aeroporto. Como os voos que saem de São Paulo chegam lá a meia noite, ela me disse que tinha levado sua rede e iria dormir no aeroporto. Eu respondi: “Não Julia, dorme num hostel.” Só que ela não queria gastar os R$ 100 de taxi, porque naquele horário não teria ônibus, mas prometeu que iria procurar alguém para dividir o taxi.

 

Bom, dito tudo isso, lá estava eu voltando do Correio, entrando no aeroporto com aquela missão aflitiva, pensando que teria que envolver os funcionários da Latan, para que eles me dissessem quem estava fazendo Check-in para Rio Branco, no meio daqueles muitos passageiros que iam parar em Brasília, na escala. Quando entrei no saguão e vi a escada rolante que leva ao embarque, liguei o automático indiscriminado e perguntei para um grupo que ia começar a subir: “Vocês vão para Rio Branco?” Sim! eles responderam!

 

Fiquei perplexa! E logo comecei a explicar a situação para uma moça que parou para me ouvir. A família dela subiu e lá de cima olharam pra filha deles ouvindo uma senhora de cabelos brancos contando alguma lorota lá na base da escada rolante. Fizeram sinal para ela subir e subi com ela explicando, falando rápido, constrangida por precisar convencê-la. Lá em cima, rodeada pela família, ela concordou. Ufa!

 

O pai sugeriu que ela me desse o seu número de telefone, que eu não ia pedir por cerimônia, e dei para ela um envelope aberto com o passaporte e nossos telefones. Para que ficassem confortáveis fiz um pouco de propaganda da minha filha aventureira, disse que ela tinha estado com os índios lá no Acre. Aí reparei: Aquele senhor com traqueostomia no pescoço era meio índio... e sua filha tinha um cabelo comprido de índio... E suavidade nela, em todos, no ar.

 

Meu Deus, eu tinha conseguido! E em seguida já estava descendo as escadas rolantes para ficar logo bem longe daquele passaporte! Missão Cumprida! Ufa! A moça ia voar às 19h20 e eram 16h e ela já estava embarcando! Isso foi a mágica! E ela ter sangue indígena. Floresta versus concreto. Confiança versus medo.

 

Mandei uma mensagem para Julia, teria mandado WhatsApp, se ela não tivesse tido seu celular roubado em Cruzeiro do Sul. Passei o nome da moça, voo, horário. Mais tarde ela respondeu: “Já estou com o passaporte, conheci um grupo de senhoras e estou indo dormir na casa de uma delas.” Bom, já estou bem mais acostumada com o estilo Julia de viver e ela usou uma expressão tranquilizadora: Senhoras!! Meu time!

 

Cheia de gratidão, escrevi para a moça que levou o passaporte. Disse que minha impressão é que eu tinha entregue um coração para ela aqui em SP e ela o levou até Rio Branco. Algo tão difícil tinha se tornado tão fácil. De seis dias o prazo virou horas porque ela tinha se disponibilizado a ajudar. Ela contou que gosta de ser solidária e que Julia tinha feito um cartaz lindo com o nome dela para esperá-la no desembarque. Que bom, final feliz!

 

Julia depois me explicou que conheceu as senhoras na espera do Desembarque. Elas estavam esperando uma freira da família chegar e que estavam muito felizes. Julia propôs que dividissem um taxi e uma das senhoras tinha respondido que morava ali perto, estavam de carro e que Julia poderia dormir na casa dela se quisesse. Ela aceitou e no carro, o marido desconfiado perguntou há quanto tempo Julia conhecia a esposa dele. Ela respondeu: “agora há pouco, no aeroporto”.

Depois a senhora contou que o marido perguntou se ela estava ficando louca de trazer para a casa alguém desconhecido, com tantas histórias que se ouve...

 

A senhora respondeu que sentiu uma energia boa quando estava ao lado de Julia. Ofereceu o quarto da filha que mora em outra cidade e contou histórias tristes e bonitas sobre sua família.

 

Julia está agora já em Cusco, num workshop de Danzamedicina, e depois vai para o Encontro de Abuelas...

 

A vida continua! Meu coração viajando por tantos lugares.


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Jany

Escritora e Focalizadora de Dança Circular no UlaBiná.

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