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24/11/2005

Propaganda eleitoral em teco-teco


Esse causo envolveu uma certa campanha para eleição para prefeito lá na minha terra (lá venho eu, de novo).
Um dos candidatos – aliás, foi o que venceu – era um tipo muito popular, chamado João Mataraia.
Pois bem. O candidato, João Mataraia, contratou um desses pilotos de teco-teco que é o apelido daqueles aviãozinhos antigos – para que o mesmo jogasse, por cima da cidade, uns folhetos onde se lia: ``Vote em João Mataraia, o prefeito que não faia´´. Antes de atirar os tais folhetos, era preciso chamar a atenção (é claro) do público. E isso era o que o tal piloto, o popular Parente, melhor sabia fazer, por ser mestre em acrobacias aeronáuticas. Fazia parafuso, vôos rasantes, mergulhos etc. e tal. Fazia o diabo com aquele aviãozinho lá dele.
Muito bem. Isso posto, vamos dizer que para jogar os tais folhetos nas cabeças dos meus conterrâneos seria preciso um ajudante, pois fazer tudo ao mesmo tempo seria perigoso. Quem foi que ele convidou para essa tarefa? Justamente um dos meus irmãos, que tinha o carinhoso apelido de Gracinha.
Lá foram os dois pelos ares numa linda manhã de domingo, que é o dia e hora em que todos da cidadezinha estão papeando na praça principal, onde tem a igreja em que fui batizado.
Começam as artimanhas do piloto, que sobe verticalmente rumo aos céus, para em seguida fazer um grande parafuso com o avião desligado, como se fosse cair ali, bem no centro da cidade, nas cabeças iluminadas dos meus amigos joaquinenses.
Essa operação malabarística-avionária assustou todo mundo e quando o dito aviãozinho estava prestes a esborrachar-se no chão da minha terra, o mestre Parente, o piloto, arremessava o tal, dizendo nesta hora para o ajudante, o meu irmão, que estava com o colo cheio dos tais folhetos escritos ``Vote em João Mataraia, o prefeito que não faia´´.
PILOTO – Jogue!
E o mesmo, meu irmão, o Gracinha, obedecia assustado, pois o avião estava nesta hora voando muito baixo. Isso sem contar que meu dito irmão nunca tinha subido num troço daqueles.
E lá vai o tal avião pelos ares de novo. Nova acrobacia, agora diferente da primeira, em forma de ziguezague, vem vindo...vem vindo...rumo ao chão com o motor desligado. Vem vindo...vem vindo... e já estando quase para cortar algumas cabeças de gente da pracinha, tão baixo o mesmo estava. E lá vem a ordem do piloto:
PILOTO (sempre depois de um gole de cachaça) – Jogue!
Quando meu irmão ia obedecendo a tal ordem, fez uma observação amedrontada:
GRACINHA – Oh, Parente! O avião ta muito baixo. Tô cum medo!
Ao que o experiente piloto brasileiro respondeu no ato, virando o aviãozinho mais baixo ainda:
PILOTO – Oh, Gracinha! Ocê num sabe fazê propaganda pra essa gente. Num causo desses, a gente tem que dá o folheto bem na mão deles, se não eles num lê...
E o meu irmão, o Gracinha, jogou tudo o que tinha no colo, para a feliz aterrissagem do nosso Parente, logo depois.


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Rolando Boldrin

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Conta causos fazendo a gente saborear o modo gostoso de uma boa prosa.

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