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Paia...Assada

09/09/2005

O vendedor de cavalos


Quando digo que gosto de retratar o que vejo, muitos julgam que floreio nos causos que conto. Mas a verdade é que eu não sei inventar histórias, não. Por isso, se eu digo que vi um acontecido, pode crer que é a mais pura verdade. Por exemplo: se eu disser que conheci um caboclo que mamava na égua dele só pra mostrar que a dita cuja era mansa, por favor não riam nem duvidem. Eu vi mesmo, isso às portas do Empório do Tuniquinho, lá na minha terra.
E o causo que quero contar agora, veio do dito cujo, que se chamava Adãozinho. Ele vendia e trocava cavalos. Era o que se pode chamar de atravessador de cavalos. Ou seja: vendia o que, naturalmente, comprava, negociando e ganhando uns trocados.
Lá um belo dia ele oferece a um cumpadi lá dele um cavalo, sem estar com o dito cujo à mostra. E foi desfiando as qualidades do cavalo a ser vendido com sua maestria de bom vendedor.
COMPRADOR – Mas o cavalo é bão mêmo, Adãozinho?
ADÃOZINHO – Pelo amor de Deus... o cavalo é bão demais!
COMPRADOR – E ele tem a marcha boa?
ADÃOZINHO - Craro. Marcha picada. Das mió. Ocê amonta nele e quando ele marcha ocê nem sente que tá amuntado num cavalo. Ocê desliza quiném em tapete das Arábia.
COMPRADOR – E esse cavalo é novo de idade?
ADÃOZINHO – Que é isso, sô? Ocê acha que eu ia te oferecê um cavalo véio? Um pangaré? Esse cavalinho tem só 2 ano. TÁ na frô da idade.
COMPRADOR – E quanto é que ocê qué pra esse cavalo?
ADÃOZINHO – To vendendo ele baratinho. Quarqué 500 mir réis tô intregando.
COMPRADOR – Tá feito. Toma aqui os 500 mir réis e traga logo esse animá pra eu vê.
Adãozinho vai buscar o bicho e dêxa que o cumpadi o examine pra verificar a mercadoria. O tal cumpadi verifica tudo e por fim vai examinar a boca do cavalo para ver pelos dentes a idade dele, que é assim que os caboclos conhecem os anos que tem um cavalo. Ao tentar abrir os beiços do cavalo, só aí percebe que o dito cujo não tinha um pedaço dos tais beiços, ficando aqueles dentões à mostra – portanto, uma coisa feia de se ver. O cumpadi comprador, nessa verificação, estrila raivoso:
COMPRADOR – Ôh, Adãozinho! Ocê falo que o cavalo era bão. Tudo dereito. Mas tô vendo aqui que esse cavalo num tem um pedaço do beiço. Ocê me vendeu um cavalo alejado.
ADÃOZINHO (matreiro) – Péra aí! Ocê qué um cavalo pra amontá ou um cavalo pra assobiá? Dêxa de sê insigente, sô!


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Rolando Boldrin

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Conta causos fazendo a gente saborear o modo gostoso de uma boa prosa.

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