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Paia...Assada

09/09/2005

Apetite de formigão


Formigão, pra todo mundo, é formiga grande, é ou não é? Só que, no causo que eu quero contar, o tal Formigão é outro. É simplesmente o apelido de um dos maiores sambistas que o Brasil já teve. Quando eu falo de sambista, não estou falando de fazedor de samba de morro ou de breque, ou de passista de escola. Não. Esse sambista que eu falo é intérprete. É cantador de samba, samba batido numa pequena caixa de fósforos, com as pontas dos dois dedos da mão. Até hoje não apareceu substituto para esse Formigão de quem eu falo. O nome dele é Cyro Monteiro. Que saudades de seu sincopado, da sua ginga. Me lembro de um programa de TV onde ele atuava juntamente com a ¨Divina¨ Elizete Cardoso. Que samba não devem estar fazendo esses dois lá no céu, heim?
Bom. Mas deixa eu contar o causo do Formigão, que foi deveras engraçado. Diz que a Zica, muié do saudoso Cartola, todo o sábado dava uma suculenta feijoada lá na casa dela, onde apareciam os grandes artistas dessa curriola pra tomar batida, cantar de montão e, é claro, encher o bucho de feijoada, daqueles de lamber os beiços.
Então diz que o Formigão (Cyro) era o primeiro a chegar, pois além de cadeira cativa na casa dos Cartola, era tido como bom de papo, bom de samba e ... bom de garfo. E lá foi ele já experimentando um torresminho aqui, uma costelinha ali, um pedacinho de couro servido com limão pro riba.. e lá vai indo sábado afora, esquentando o couro do estômago sadio. Diz que a dita feijoada pra valer mesmo foi servida no prato lá pras 4 da tarde, ao que o Formigão mandou ver umas três repetições, de tão gostosa que tava.
Êis que, de repente, o Formigão sente vontade de dar aquela mijadinha pra aliviar da cerveja, que também era às tantas. Ao passar pelo corredor que conduzia todo mundo pro mictório da Zica, diz que o Formigão sentiu ali naquela hora um grande mal-estar . Começou a suar frio, encostou na parede e ficou ali à espera, ou da melhora ou de algum cristão que o acudisse.
O que realmente aconteceu: um escurinho, que também ia ao mic da Zica, ao ver nosso Formigão naquela estado grita para a dona da casa, que imediatamente socorre o amigão, Formigão, que poderia naquele momento estar sofrendo um enfarte. Corre-corre daqui, corre-corre dali, o falatório de que o Formigão ia bater as botas ali, depois de comer umas tantas feijoadas da Zica.
Dona Zica, como sabe de tudo um pouco, diz que correu no quintal lá dela, apanhou vários tipos de folhas para chá, que só ela sabe fazer, preparou um chá bem forte e quente só ela sabe fazer, preparou um chá bem forte e quente e trouxe correndo pra salvar a vida daquele amigão, que não podia morrer ali, depois duma tarde de feijoada.
¨Toma, Formigão¨, disse ela, oferecendo o chá saindo fumaça. ¨Toma aqui esse chá que é muito bom.¨
Formigão, pra espanto geral da nação de sambistas, apanhou aquele chá, olhou pra Zica, olhou pra todo mundo e simplesmente perguntou, curioso: ¨Mas não tem bolacha???¨


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