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Agito Cultural

08/12/2005

Entrevista com Jair Oliveira


1. Você estudou na Bercklee, uma das mais conceituadas escolas de música do mundo. Você se especializou em alguma área específica?

Eu me especializei em duas áreas: uma chamada music business, um curso de administração direcionado para o meio musical e também em produção musical, na qual meu interesse era maior.


2. O que de importante e significativo você trouxe da experiência de estudar e morar em outro país?

Isso foi especial, porque não foi só o aprendizado na faculdade. Acho que tão ou mais importante foi o crescimento pessoal que tive lá. Quando você está na casa de seus pais muitas coisas vêm prontas e de forma fácil e, quando você chega lá tem que começar a se virar, cuidar do jeito que come, lavar sua própria roupa, etc.
E, musicalmente, foi importante também porque a gente está em outro país convivendo com o mundo inteiro na mesma esquina. A Bercklee, apesar de eu discordar de certas coisas, é uma escola que tem um método muito bom de ensino e uma infra-estrutura muito legal. E lá tem gente do mundo inteiro… você acaba convivendo e tocando com pessoas de diferentes culturas, não só com os americanos… O intercâmbio acaba sendo muito grande.


3. E até hoje você usufrui disso? Tem contato com essas pessoas? Com os amigos?

Com muitos eu perdi o contato, mas o saldo é bastante positivo. Você acaba fazendo uma rede. Por exemplo, o Rubens de La Corte, que toca com Angelie Kidio e agora está com a Eliane Elias, é um amigão e dá pra saber o que está acontecendo. E, com os brasileiros que voltaram é mais próximo. Por exemplo, eu e o Chico Pinheiro estudamos juntos lá e na volta fizemos muitas coisas juntos. O tecladista da minha irmã eu também conheci lá.


4. O que mais o atrai na música? Compor, tocar ou fazer os arranjos?

É difícil dizer uma ou outra. Na verdade, acho que todas estas coisas me atraem. Você, Felipe, que é músico, produtor e arranjador, sabe como é… no nosso tempo livre trabalhamos bastante (na verdade, não há muito tempo livre... [risos]). Gosto muito de produzir, mas também quando estou fazendo show, em turnê, viajando, também acho o máximo. E nenhuma coisa impede a outra. Ao contrário, acrescenta, pois acho que todas elas são funções complementares e estão interligadas. O meu lado compositor ajuda o produtor e o conhecimento da estrada inspira e ajuda em outras coisas.


5. A "Trama” é uma gravadora independente. Qual a sua atividade na gravadora e quais as prioridades lá?

Hoje estou fazendo projetos na “S de Samba” (desde 1998). Essa é uma produtora minha junto com o Simoninha e mais dois outros sócios. É uma produtora de áudio que faz trilhas de cinema, comerciais, jingles e produção de CDs.
A Trama teve um papel importante e tem até hoje, porque é uma gravadora independente. Fundada por João Marcelo Boscoli e André Schaime, do grupo VR, a proposta inicial da gravadora era trabalhar artistas nos quais eles acreditavam e que não tinham espaço na mídia. A Trama é um negócio que está aí há quase oito anos (e no qual ninguém apostava). Ela acabou fortalecendo um mercado independente que cresceu no Brasil. Hoje há vários selos e gravadoras independentes.
Minha situação com a Trama é que sempre fui artista contratado. Fiz três discos com eles e as pessoas até confundem. Acho que o papel que tanto eu como o Simoninha, o Max de Castro, minha irmã e o Pedro Mariano desempenhamos no começo da gravadora, levando o nome da Trama em tudo, gerou uma idéia equivocada de que era “a gravadora dos filhos dos artistas”. Mas de fato nenhum de nós é dono de nada.

E, agora, acho que o ciclo está meio completo. Minha irmã saiu em 2000/2001. O Pedro Mariano saiu há algum tempo. Meu contrato acabou vencendo e não conversei de novo com eles. Então este meu novo projeto, pelo menos na minha cabeça, por enquanto é independente. Mas reconheço perfeitamente a importância da Trama, não só no meu trabalho, mas no de muita gente, como o Otto, o Cláudio Zolli, o Tom Zé… Meu pai mesmo já fez três discos lá… É uma gravadora que tem um peso muito importante no cenário independente da música brasileira.

6. Por falar em seu pai, o fato de você ser filho de um dos maiores cantores da música brasileira, o grande Jair Rodrigues, faz com que as expectativas e cobranças sejam maiores com relação ao seu trabalho?

Acho que já fez mais. Hoje em dia não penso nessas coisas. Quando eu estava começando... (risos) (comecei com seis anos… acho que já nasci começando...) (risos) quando voltei de Boston e recomecei a trabalhar com música no Brasil, tinha uma preocupação maior: “Puxa vida, vai existir essa cobrança”. Depois comecei achar besteira pensar assim. Primeiro porque meu pai já tem uma história de vários anos na música e acho que quem ouve meus discos e acompanha meu trabalho sabe que o jeito como faço música nunca poderia ser exatamente igual ao jeito como meu pai pensa na música… até por sermos de gerações diferentes… E eu tive a oportunidade de estudar fora. Meu pai foi meio na raça, em outra condição… e isso não quer dizer que um seja melhor que outro. Meu pai tem muito mais experiência e não vejo essa obrigação de renegar nem de seguir. Naturalmente sou um artista diferente. E costumo dizer que tenho em casa uma enciclopédia que fala (muitos risos).
Hoje em dia, as pessoas não comentam mais isso. Ainda há um ou outro jornalista que acha viável comparar meu trabalho ou o da minha irmã com o do meu pai, a exemplo do que ocorre com a Maria Rita e a Elis (até mesmo pela semelhança do timbre de voz delas). Mas na minha opinião, depois que você se liberta, fica muito mais fácil trabalhar e você não sente mais isso.


7. Com menos de 30 anos, três CDs próprio, e com vários outros trabalhos e artistas produzidos, você dá muita dinâmica ao seu trabalho e tem uma carreira muito ativa. Quais são seus projetos futuros? Você tem planos de trabalhos no exterior também?

Há esse CD que, diferentemente dos anteriores, tem muito de música e ritmo brasileiro (bem acústico). Esse eu quero lançar, preferencialmente, primeiro na Europa ― meu trabalho tem ótima aceitação por lá, na França e na Alemanha em particular. Mas, se o filme Os desafinados (homenagem a Tom Jobim) for lançado (acho que em março de 2006, e na mesma época eu já estiver com o CD pronto), nesse caso devo aproveitar o movimento e a energia do lançamento do filme para alavancar o lançamento do CD no Brasil, não é mesmo?

8. Conte um pouco da sua experiência como músico/ator...

O convite aconteceu há mais ou menos dois anos, pelo diretor. Achei que fosse uma piada e nem liguei, mas aceitei, claro. Depois ele, Walter Lima, me ligou e chamou pra ir ao Rio pra conhecer o roteiro. Eu fiz o “baixista da banda”. O filme foi gravado no Rio de Janeiro, no alto verão, mas todos nós passamos um frio rigoroso no estúdio de gravação ― uma loucura. Depois, gravamos fora da época programada em Nova York. Lembro que gravamos também no verão de lá, mas só as cenas de inverno do roteiro. Por isso tivemos que usar roupas de alto inverno debaixo dos quarenta graus do verão de N.Y. A história é sobre uma banda que tentou participar daquele festival famoso do Carnegie Hall, na década de 60 (a banda do Sérgio Mendes participou) e o elenco reunido é realmente excepcional: de Selton Mello a Ricardo Santoro, que merece todos os elogios feitos a ele. Nunca vi ninguém tão dedicado e focado. Ele realmente foi músico por seis meses. Acho até que alguns áudios dele tocando piano foram para o material de finalização. Ele estudou muito e tocou com naturalidade. Aliás, o diretor queria mesmo que tudo parecesse muito natural, por isso éramos dois músicos de verdade na banda. Gostei. Valeu!


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