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Agito Cultural

09/09/2005

Entrevista com Djalma Colaneri


1- Ter tocado percussão durante 25 anos numa orquestra sinfônica trouxe-lhe, com certeza, muitos momentos inesquecíveis. Qual foi o mais marcante e significativo para você?
Na obra Bolero, de Ravel, o único instrumento que atua do primeiro ao último compasso é a caixa. As batidas devem ser precisas e sem variação de sonoridade. A cada determinado número de compassos, só a dinâmica é modificada, caminhando do pianíssimo dos primeiros ao fortíssimo dos últimos. Quando fui escalado para este concerto, fiz um estudo da sonoridade e decidi executar aquela frase rítmica que se repete a cada dois compassos com uma das mãos. Tocar com as duas não mantinha o som e a dinâmica entre os toques. Na noite da apresentação, o maestro decidiu colocar a caixa na frente da orquestra, ao seu lado. Por tratar-se de obra conhecida, o teatro estava completamente lotado e a sensação do silêncio absoluto do início da obra, com a caixa quase inaudível conduzindo a orquestra e caminhando até o fortíssimo final, encoberto pelos aplausos, foi um momento marcante.

2- Uma orquestra é formada por diversas gerações e por pessoas muito diferentes. Isto deve gerar uma diversidade cultural e musical muito grande. Como, na sua opinião, acontece o relacionamento entre os músicos da orquestra?
O relacionamento entre músicos é mais fácil, não importam as gerações ou diferenças, mesmo porque ninguém está lá por não ter dado certo em outra profissão. Após os concertos, tudo é festa e, às vezes, até 40 músicos se reúnem num mesmo restaurante para comemorar ou comentar a apresentação ou não. Sempre há divergências. Durante muitos anos, fui primeiro percussionista do naipe de sete da orquestra. Fora da orquestra montamos grupos e atuamos em várias outras formações e, até hoje, somos grandes amigos.

3- Quando e por que você resolveu se dedicar à fabricação de instrumentos de percussão, dando origem a uma empresa tão particular quanto a Colaneri?
A origem desta empresa tão particular se deu graças a uma pessoa muito especial: minha esposa Magda, que, além de extraordinária cantora, tem conhecimento, intuição e sabe realmente construir e orientar. Tudo aconteceu por acaso. Fui contratado pela Escola Municipal de Música e, quando cheguei ao local, me mostraram uma pequena sala praticamente sem nada. Com o tempo, compramos máquinas de marcenaria tipo hobby e fui fazendo pequenos instrumentos, estantes e mesas. Consegui autorização para utilizar os instrumentos da orquestra, montei um grupo de percussão na escola que fez o concerto de inauguração do Centro Cultural São Paulo. Continuar com o grupo utilizando os instrumentos da orquestra ficou complicado. Solução: comprei um pequeno torno mecânico, fiz um curso de tornearia, aprendi noções de desenho mecânico, laminação em fibra de vidro e decidi fazer um par de tímpanos com afinação manual. Eu e Magda passávamos dias elaborando projetos e procurando soluções quando, finalmente, montamos o primeiro par. Um mês depois, uma pequena orquestra o comprou. Hoje, 18 anos depois, eu ainda não tenho um par de tímpanos.

4- Os instrumentos de percussão que você e a Magda fazem são artesanais e de altíssima qualidade. Hoje, a Colaneri atende não só ao mercado nacional, mas também do exterior. E sei que, por outro lado, o trabalho que vocês fazem com tanto amor e prazer não permite tempo para atuarem como músicos. Você, Djalma, é um grande percussionista e baterista, e a Magda, uma cantora muito especial. Como vocês lidam com isso?
Por tratar-se de pequena empresa, a dedicação é total. Além das lembranças da nossa vida musical, amenizamos a saudade com apresentações esporádicas. Jamais deixaremos de atuar.

5- O público que está assistindo a um concerto de uma orquestra sinfônica não tem a menor idéia das "coisas" que acontecem lá no palco cheio de músicos. Conte para nós aquela história do celular… (Risos.)
O público não faz a menor idéia das coisas que acontecem no palco. Uma: um amigo meu, tocando bumbo no ensaio (depois de passar a noite na internet), adormecia e não tocava o instrumento na hora certa. Na apresentação, o trombonista, preocupado com a possível falha, decidiu ligar para o celular dele, dez compassos antes da “bumbada”. E, sabe? Deu certo, pois a vibração do aparelho despertou o executante, que tocou no momento certo e, em seguida, voltou a dormir (risos).


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